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15 de agosto de 2012

Porque é errado o relacionamento de uma cristã com um não-cristão?

A regra vale para ambos, mas destaco as mulheres por serem mais afetuosas e suscetíveis a frustrações num relacionamento. Assim, se quiser evitar futuras frustrações, evite ter um relacionamento com um não-cristão, e eu explico o porquê. Paulo, em 1Co. 7: 1-16 vai tratar sobre o celibato dos solteiros e viúvos e sobre o casamento de uma pessoa cristã com uma não-cristã. Neste segundo assunto, ele vai falar da dificuldade que há em manter um relacionamento onde uma das partes não serve a Cristo. Paulo recomenda aos que estiverem neste tipo de relacionamento que, caso o inconverso aceite a fé do parceiro, que permaneçam juntos, mas caso não aceite, que se separem (1Co. 7:13-15). Isso é o que o próprio apóstolo chamará de "jugo desigual com os infiéis" (2Co. 6:14). Você já viu algo desigual? não se completa, não se encaixa, não interagem. Assim, apresento algumas razões do porquê um relacionamento com um não-cristão deve ser evitado. 

1) Não-crentes são complacentes com a Pornografia
A pornografia - e todo pecado sexual - é uma perversão daquilo que é bom e belo. Deus não fez o sexo para ser manipulado pelo homem como uma fonte de prazer onde a mulher é usada apenas como um meio para alcançar um fim. Ao contrário disto, o sexo intra-marital (dentro do casamento) foi planejado por Deus para ser santo, prazeroso e belo! "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hb. 13:4). Não há manchas na relação sexual intra-marital, pois este foi santificado por Deus e abençoado por Deus no casamento. Sim, há cristãos envolvidos com pornografia. Eles sabem que isto é um pecado e sabem que o Senhor é o conhecedor de suas obras. Mas não crentes não tem esta visão. Para eles, pornografia é algo normal na vida. Mesmo casado, um não-cristão não entende que assistir pornografia é um tipo de adultério. Eles vêem isso como algo normal. Eles olham descaradamente para a mulher do próximo. Não há temor quando, numa roda de conversas, o assunto é obsceno, imoral  e lascivo.  Uma mulher qualquer diria: "meu parceiro é homem, deve pensar em coisas assim", mas uma mulher de Deus diria: "o homem ideal para mim é aquele que tem afeições santas e espirituais".

2) Não-crentes amam e aspiram outras coisas
"O homem cujo tesouro é o Senhor tem todas as coisas concentradas n'Ele" foi o que disse A.W. Tozer. Não-crentes amam muitas coisas, menos o Senhor. Não-crentes aspiram muitas coisas, menos o céu. Não há problemas em aspirar coisas boas, nem sou contra o amar o que é bom, mas a não-consciência de que Deus é o fim último de todas as coisas e usufruí-Lo e conhecê-Lo é melhor do que a vida é terrivelmente ruim. O problema está em colocar todo o coração naquilo que é inútil. C.S. Lewis disse que "tudo o que não é eterno, é eternamente inútil". Um bom marido é aquele cujo amor a esposa é menor comparado ao seu amor por Deus e cujas aspirações são eternas e divinas. Isso te dará um marido puro e santo. Isso não seria algo bom?

3) Não-crentes enxergam o moralismo com outros olhos
Os homens são moralmente responsáveis. E, por serem moralmente responsáveis, andam "na linha". Entretanto, em seu coração e mente (em seu interior) é concebido os mais terriveis tipos de pecados e imoralidades. Contudo, ainda assim, ele anda conforme a lei, pois não quer pagar por isso. Cristãos tem uma visão diferente quanto à moralidade, e é a visão da glória de Deus. Eles entendem que cumprir a lei não é uma questão de "fazer coisas", mas de amar. Porque amamos o Senhor, cumprimos a lei pois, em Cristo, somos feitos capazes de andar retamente, com caráter íntegro e ilibado, e isto recebemos em Cristo, na justificação. Sendo assim, tanto na vida pública quando na privada, o cristão é o mesmo e ele não nutre pecados ocultos, pois o mesmo Deus que ele ama ao ser moralmente correto é aquele que ele teme em sua privacidade.

4) Não-crentes são péssimos maridos pois possuem péssimos manuais
Muitas mulheres se queixam: "nenhum homem presta". E muitos homens se queixam: "eu não entendo as mulheres". E, na verdade, essas afirmações não se cunharam sob hipóteses: os fatos fizeram que elas tivessem sentido! entretanto, olhe para o ponto de vista bíblico sobre como o marido deve amar a sua esposa: "Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela" (Efésios 5:25). Você faz ideia do que seja isso? "Como Cristo amou a igreja" está falando não de um amor como senso de dever, mas um amor volitivo, voluntário. Não um amor de aliançamento, mas um amor que dá peso, sentido e valor a aliança. E o melhor é que a Bíblia não está dando uma dica aos maridos; está dando uma ordem! você já provou do amor de Cristo por você? então, desperdiçará um marido que deve te amar como Cristo amou a igreja para ter um relacionamento com alguém que nem conhece ao Senhor? isso é loucura!

5) Cristãos são mais corajosos mesmo não escondendo qualquer tipo de arma na gaveta
Um verdadeiro cristão, que ama o evangelho de Cristo, dará a maior segurança que nenhum outro poderá proporcionar, pois o tal vive para Cristo, obedece às Escrituras e morre pelo seu Senhor, e se ele morre por alguém, ele então é alguém interessante de se casar. Um cristão não é um covarde! ele dá a sua própria vida por Cristo e se entrega sacrificialmente pelo próximo. 

6) Cristãos são bons pais
O padrão bíblico de paternidade é diferente do padrão da sociedade. O padrão bíblico tem como base e espectro a relação de Deus Pai e seu Filho Jesus. Um grande chamado que os homens têm é revelar a paternidade de Deus, e como Deus amou seu Filho, e como o Filho amou seu Pai. Nas Escrituras, há uma relação bela e harmoniosa entre o Pai e o Filho. 

O Pai ama ao Filho.” (João 3:35).

“O quer que faça o Pai, fará igual o Filho.” (João 5:19).

“E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento.” (João 5:22).

“Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” (João 5:23).

“Assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em
si mesmo.” (João 5:26).

“A fim de que o Pai seja glorificado no Filho.” (João 14:13). 

Deus é o Pai do Filho unigênito, como também, é o Pai da adoção, trazendo pecadores à sua família. É neste senso de amor e misericórdia que os pais cristãos criam seus filhos. Eles são amados, perdoados, disciplinados, corrigidos, de acordo com as Escrituras, e não tendo como base seriados da TV. 

Eu poderia ficar aqui por um bom tempo falando sobre como é desarmonioso e estranho aos olhos das Escrituras um relacionamento entre um filho de Deus e um não-convertido. Desde o antigo testamento, há proibições claras dadas ao povo de Deus para que não houvessem estranhos no meio deles (relacionamento matrimonial com outros povos), e na linguagem do novo testamento, o melhor tipo de relacionamento é aquele que acontece "somente no Senhor" (1Co. 7:39), e para tanto, é necessário que ambos estejam em Cristo, a fim de que Cristo consuma a união que já está consumada nele.

Até mais,
Cleison Brügger.

PS.: trato no texto de cristãos verdadeiros, não de cristãos nominais.
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31 de maio de 2012

Percorrendo Cantares de Salomão - Parte II

 2ª Parte do estudo de Cantares de Salomão. Você pode ler a 1ª parte aqui.

Ainda passando pelo capítulo 1, percebemos, dos versos 12 ao 16, a agradabilidade mútua existente entre Salomão e Sulamita. No verso 12, a imagem que vem é da importância do assentar-se à mesa. Sulamita diz que "enquanto o rei está assentado à sua mesa", uma alusão ao antigo costume de comer recostado sobre tapeçarias, ao redor de uma mesa baixa, "o meu nardo [de Sulamita] exala o seu perfume". Havia amor sendo expressado até nos momentos da refeição. Ambos estão à mesa. A mesa é importante! Um lugar de comunhão, diálogos, trocas. Nossa época perdeu a noção da importância de assentar-se à mesa com a família. O sofá (junto a TV) ou a cadeira (junto ao PC) tomaram o sagrado lugar da mesa e, assim, não dá para sentir nenhum "nardo exalando". Não há proximidade, e sem proximidade, conhecer alguém é impossivel. Só sentiremos o nardo de nossos pais e filhos (suas qualidades e pontos fortes), se houver proximidade, e a mesa é um bom lugar para isso.

No capítulo 2, a esposa continua falando: "Eu sou a Rosa de Saron" (vv.1). As rosas que ficavam na planície de Saron (chamadas de "Havatselet há Sharon") eram perfumadas de tal modo, que o viajante podia sentir sua fragrância de muito longe. Isso fala de um comportamento ilibado, irrepreensível, que faz com que, de longe, seja apreciado e notado. No cap. 1, Sulamita diz que o nome de seu esposo era como unguento derramado (Ct 1.3), querendo dizer que seu nome tinha um caráter admirável e irrepreensível. Agora, ela se compara as "rosas de Sharon", que exalavam um bom perfume a longa distância. Um casal cujo caráter são ilibados, formará uma família exemplar e que exalará o "bom perfume de Cristo" (2 Co 2.15).

 O esposo responde que "qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas" (vv.2) e a esposa, de igual modo, continua dizendo que "qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar" (vv.3). Perceba que um é agradável ao outro. O texto não mostra uma pessoa cheia de sentimentos e valores tentando encher outra. Pelo contrário, ambos têm atrativos e coisas a elogiarem e dizer: você me fascina por esta razão. Num relacionamento, deve haver uma complementaridade, onde um tem algo a acrescentar ao outro.

Nos vvs. 4-6, vemos o papel de liderança dado ao homem: "levou-me [a esposa] à casa do banquete" (vv.4). "Sustentai-me [a esposa]" (vv.5) e, no vv.6, Sulamita diz: "A Sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a Sua mão direita me abrace". O papel de "levar", "sustentar", exercer autoridade ("mão esquerda debaixo da cabeça") e de cuidar ("mão direita me abrace") é inteiramente do homem. A mulher sempre será alvo disso, e nunca que se trocará os papéis. O apóstolo Pedro, em sua epístola, diz as esposas: "Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de sua mulher" ( I Pe 3.1). A aos maridos: "Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações" (I Pe 3.7).

No vv.7, Sulamita diz: "Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser (NVI)". Infelizmente, muitos têm sido guiados por um "amor de momento", que começa aqui e acaba ali. Tem pressa para desenvolver uma relação íntima apoiada em seus fortes sentimentos. Os frutos disso são diversos, como desilusão amorosa, depressão, descontentamento etc. A falsa-verdade (mentira!) de sair procurando o amor de sua vida, até achar sua cara metade só trará tristeza e desilusão. Os sentimentos não são suficientes para sustentar uma relação duradoura. O verso nos ensina a que deixemos despertar o amor naturalmente. Nada de forçar a barra! Esperar com paciência para que os sentimentos de amor e compromisso se desenvolvam juntos. é o melhor. O tempo certo virá, como vemos alguns versos abaixo:

"O meu amado falou e me disse: Levante-se, minha querida, minha bela, e venha comigo. Veja! O inverno passou; as chuvas acabaram e já se foram" (vvs. 10, 11). Aqui, Salomão chama a esposa para acompanhá-lo. O tempo certo havia chegado, pois "o inverno passou e as chuvas cessaram", por isso ele diz: "Levanta-te [...], venha comigo!". Estas palavras dão a entender que ambos tinham esperado o tempo certo até que chegassem a um estado de maturidade para desfrutarem do compromisso e do amor. Esperar com paciência até que o tempo chegue é o melhor a ser feito! Nada da carroça à frente dos burros! Tudo a seu tempo!

O vv. 15 tem uma lição importante: "Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor". As raposas, no meio da vinha, são identificáveis, mas as raposinhas nem sempre. E são estas que causam maior estrago! Elas arrasam com a plantação! por isso o alerta: "apanhem-nas!". Existem problemas pequenos (as pequenas "raposinhas") que se não forem identificados agora e devidamente corrigidos, mas à frente, trarão problemas e granes devastações. Não deixe para corrigir problemas quando for se casar! corrija-os agora! Seja uma bênção para seu parceiro(a). Não deixe que problemas pequenos  sejam a causa de grandes devastações.

Por fim, Sulamita diz: "O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios" (vv.16). O relacionamento que nos é apresentado na Bíblia é o relacionamento monogâmico, que é o relacionamento matrimonial com apenas um conjuge. O homem não tem uma mulher para satisfazer-se sexualmente, e vice-versa. Deus, logo no início, disse que não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18a) e, por esta razão, deu a Adão uma "ajudadora idônea" (Gn 2.18b), "literalmente, uma auxiliadora que o atenda. Ela teria de partilhar das responsabilidades do homem, corresponder à natureza dele com amor e compreensão, e cooperar de todo o coração com ele na execução do plano de Deus" (Comentário Bíblico Moody). Podemos ver o problemão que Léia enfrentou ao casar com Jacó, pois ela sabia que o amor de Jacó pertencia a Raquel, sua irmã. Léia frequentemente reclamava que não era amada por seu marido (Gn 29.32, 34; 30.20). Assim, é bom ter alguém no nosso lado para chamar de nosso. Nosso, e de mais ninguém! É maravilhoso poder dizer como Sulamita: "O meu amado é meu, e eu sou dele" ou, no caso dos homens, "A minha amada é minha, e eu sou dela". Se você for guiado por Deus a um relacionamento sério, verá o porquê que o adultério, o divórcio, ciúmes e desconfianças são coisas detestáveis para Deus: porque o que Deus uniu, não separe o homem. 

Até mais!

Cleison Brügger
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23 de maio de 2012

Percorrendo Cantares de Salomão - Parte I

Depois de preparar um estudo do capítulo 2 do livro de Cantares, algo me disse que eu deveria percorrer por todo o livro e estudá-lo. Aceitei o desafio. Na verdade, sempre achei Cantares de Salomão um livro meio que "à parte": sua linguagem é diferente da linguagem do resto da Bíblia, assim como sua literatura e sua forma. Mas agora, tomo Cantares como qualquer outro livro da Biblia: é a Palavra de Deus. Se está ali, é porque foram palavras bafejadas pela boca de Deus! e se são palavras do Senhor, convém parar e ouvir.

Estou ciente de que, como todo livro da Bíblia, Cantares revela Cristo, de alguma forma. Decerto, essa revelação se dá na demonstração do relacionamento íntegro e imaculado de Salomão e Sulamita, que representa o amor sacrificial, ativo, volitivo e incondicional de Cristo por sua noiva, a igreja. Na verdade, o caminho que se acha para Cristo no livro de Cantares se dá por uma interpretação alegórica, contudo, sabemos que se tomarmos o livro na sua literalidade, veremos que a poesia de Salomão é pura e detidamente sobre seu enlace. Assim, tentarei tirar lições para a nossa vida, tendo Cristo como o alvo de nosso estudo.

A história que se conta a respeito do encontro de Salomão e Sulamita é a seguinte: Salomão, certo dia, foi visitar as vinhas que possuia no norte. Lá chegando com sua comitiva, encontrou-se com uma jovem camponesa, de pele morena e de semblante humilde. Ali, apaixonou-se. A jovem, tímida, fugiu de Salomão, mas Salomão não a pôde esquecer. Mais tarde, disfarçado de pastor, retornou aos vinhedos e conquistou seu amor. Então, revelou sua verdadeira identidade e lhe pediu que voltasse para Jerusalém com ele. Então vemos logo no início do livro Salomão e sua amada celebrando suas bodas no palácio.

Já no capítulo primeiro, encontramos um clima de romantismo, amor e respeito mútuo. Embora muitos achem que o livro de Cantares possui uma linguagem sensual e, quando não, obcena, veremos que o que marca o livro é o respeito entre o casal, mesmo nas cenas de amor explícito.

Logo no vv.2, encontramos Sulamita, chamada de "amada", dizendo o seguinte: "Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho". O vinho naqueles tempos era símbolo de alegria e festividade. Uma festa deveria ter vinho! Mas todos nós sabemos o que o excesso de vinho (ou de qualquer bebida alcoólica) traz: briga, conteda. Aliás, tem sido este o motivo pelo qual muitos lares têm sido desfeitos: a falta de alegria tem produzido o excesso de bebidas e vícios. Contudo, Sulamita está dizendo que o amor de Salomão era melhor que o vinho. Salomão trazia uma felicidade tal, que o vinho era dispensável. Salomão fazia sua esposa rir. Ele era a alegria dela, e a alegria era tal, que Sulamita diz que era "melhor que o vinho". A alegria que o vinho traz é passageira, mas a alegria que um amor real pode trazer é permamente. Essa mesma imagem será passada no vv.4: "[...] em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam."

Sulamita continua dizendo: "Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam" (vv.3). Enquanto os relacionamentos de nosso tempo têm sido marcados pelos insultos, moléstias e depreciações, vemos aqui respeito e elogios. Sulamita elogia seu esposo pelo seu exterior, dizendo como ele se produzia bem e era um homem perfumado, mas também elogia o caráter: "como unguento derramado é o teu nome". Você já derramou um frasco de perfume no chão? o cheiro exala pelo ambiente. Sulamita está dizendo que o nome de seu esposo era de boa fama. Seu marido não era um mau-caráter, pelo contrário, era de boa índole, de palavra e honesto, por isso, "as virgens o amavam". Com isso, Sulamita estava querendo dizer que Salomão era um tão bom exemplo de homem, que as jovens que estavam na idade de se casar, queriam ter um esposo como Salomão. Mulheres, antes de namorar, noivar ou se casar, certifique-se do caráter de seu companheiro. Antes da beleza, procure um homem que tenha um bom nome! o final do verso 4 diz: "os retos te amam". Você já viu um homem que sabe trapacear no jogo? ele é amado pelos outros trapaceiros, pois ele é sinal de vantagem. Mas Salomão era amado pelos retos. A retidão de Salomão era conhecida, não sua dissimulação. Lembre-se: Salomão é um tipo de Cristo no livro de Cantares. O nosso Cristo é o cúmulo da retidão!

No vv. 5, Sulamita faz uma queixa: "Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém [...]" e no vv.6, continua dizendo: "Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim [...]". Sulamita era moça do campo, e foi justamente lá que Salomão a encontrou. Quando, então, Salomão a trouxe para Jerusalém, ela viu as belas moças de pele bonita, enquanto a dela era rústica e queimada pelo Sol. Por algum motivo, ela se sentia inferior, menos bela. Muitas meninas se sentem assim: desfavorecidas. A vocês, lhes digo: Sulamita casou com o homem mais sábio de seu tempo e um dos mais famosos reis de Israel! ;)

Nos vvs. 7, 8, veremos Sulamita perguntando a Salomão onde é que ele apascentava o seu rebanho, pois ela diz que não queria se assemelhar as prostitutas, que "andam errante junto aos rebanhos dos outros" (vv.7c). Sabe o que vejo nisso? uma modéstia sem igual! Sulamita queria um homem certo para ela. Ela não queria andar de "galho em galho" até achar o cara legal. Ela queria saber onde, de fato, seu esposo apascentava. Salomão dá a resposta, para que ela se encontrasse com ele (vv.8). Temos visto muitas decepções amorosas (o facebook que o diga!). Isso prova que "enganoso é o coração do homem" (Jr. 17.9). Não podemos ser guiados por ele, mas sim, pelo nosso Bom Pastor (Sl. 23.1). Que o Senhor nos guie à pessoa certa!

Salomão enchia sua esposa de elogios, comparando as belas "éguas dos carros de Faraó" (vv.9), conhecidas por sua agilidade e beleza, diz que o rosto e o pescoço de sua amada se destacavam por entre suas jóias (vv.10) e ele mesmo promete dar jóias para sua esposa, só para vê-la ainda mais bela (vv.11). Romantismo a gente vê por aqui! Existe um tipo de elogio que é cínico e/ou lisonjeiro. Não é o que temos aqui. As palavras de Salomão para sua amada são marcadas pela sinceridade e pela grande estima que Salomão tinha por sua esposa.

Num próximo texto, onde falarei sobre o capítulo 2, termino os versos do capítulo 1 e entramos no próximo. Que Deus nos guie a relacionamentos como o de Salomão e Sulamita! Acompanhe esta série de postagens. Oro para que Deus acrescente à sua vida!

Até mais,
Cleison Brügger.
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17 de março de 2012

"Ainda que a morte nos separe"

Na jura matrimonial, nunca concordei muito com aquela famosa frase: "te amarei, até que a morte nos separe." Seja sincero: ninguém quer um amor circunstancial; um amor que tenha um limite, uma distância até onde ele pode ir. Um amor que termine logo ali, já que sabemos que a vida é tão breve. Na verdade, isso parece uma contradição, visto que prometemos amor eterno. Assim, o "que seja eterno enquanto dure" não tem bases sólidas para se firmar. Então, como seria o certo? creio que o mais correto a ser dito na jura é o seguinte: "te amarei, ainda que a morte nos separe". O limite do amor não pode ser a morte, pois o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba" (ICo. 13. 4-8). O amor é divino, pois Deus é a essência de todo o amor (I João 4.8), por isso, a morte não tem o poder de destruir ou acabar com aquilo cuja origem é divina. 

Olhe por alguns minutos para esta afirmação paulina:  
"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm. 8.38-39).
 Perceba:

1) Nada, por maior que seja a sua força, pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus. Isso não é maravilhoso? não é incrivel saber que, uma vez amados, sempre seremos amados, e ainda que nossos pecados se levantem como uma barreira de separação entre nós e o Senhor, o amor de Deus é suficientemente forte para quebrar todo o jugo da nossa rebelião e nos trazer de volta para seus ternos braços de amor? isso é que estar "seguro nos braços de Deus", como cantava o Prisma Brasil. O amor de Deus vai além dos limites. Prova disso, foi a entrega de Seu Filho para morrer por pecadores.

2) "Nada nos separa do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor". Isso é aplicável a relação conjugal. Sabemos que um casamento oficial não é realizado num templo (pelo menos não deveria), mas sim, num cartório. São as papeladas que oficializam o enlace. Mas por que a cerimônia religiosa (cristã) é tão importante? porque o casamento, mais do que a união de duas pessoas, é a união de duas pessoas, na pessoa de Cristo Jesus. Olhe para isso: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Gn. 2.24). Isso não te lembra a relação da santa Trindade? três pessoas distintas (Deus, o Pai; Deus, o Filho, e Deus Espírito Santo), que em essência se revela como UM só Deus? Deus, logo em Gênesis, chama o homem a revelar sua beleza e singularidade, através do matrimônio. Há algo de divino no casamento, e a cerimônia cristã é, sobretudo, uma união espiritual. Jesus disse: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles" (Mt. 18.20). Quando um sacerdorte realiza a cerimônia da união conjugal de duas pessoas, e o faz em nome de Jesus, ele espiritualmente está trazendo Cristo para aquela união, e uma vez com Cristo no matrimônio, o amor é constante e atemporal, pois o amor a qual está aliançado o matrimônio é o "amor de Deus, que está em Cristo Jesus, a qual, nada poderá separar."

C.S. Lewis escreveu: "tudo o que não é eterno, é eternamente inútil." Esta frase é verdadeira! Charles Spurgeon (embora tenha vivido alguns séculos antes de Lewis), dirá algo parecido. Mas o amor não se encaixa nesta frase. Nada de "que seja eterno enquanto dure"! Se temos um amor firmado em Cristo, ele durará, e vencerá as barreiras do tempo. A Biblia ordena  em Efésios 5:25: “Maridos, amem suas esposas, como Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela.”  Qual a natureza do amor de Cristo para com os que Ele planeja salvar? Ele os ama quando eles são rebeldes. Ele os ama sem qualquer condições ou reservas de qualquer tipo. Cristo os atrai para Si quando eles estão em rebelião contra Ele. Ele faz com que seus corações o amem. Ele paga por seus pecados. Ele perdoa cada pecado que eles cometerão. Para salvá-los, Cristo negou-se completamente. A ordem de Paulo é: "como Cristo amou a sua igreja, maridos, amem suas esposas!. " Você percebe as implicações divinas? então, como disse no início, nada pode acabar com aquilo cuja origem é divina.

Existem pessoas frustradas porque um dia tiveram um relacionamento amoroso com alguém e, por alguma razão, aquele castelo de areia desmoronou. Isso não quer dizer que o amor acaba. Isso quer dizer que aquilo era tudo, menos uma relação de amor, pois o amor verdadeiro só é encontrado na pessoa de Cristo, e um casamento feliz só durará se Cristo for junto nesta união. Eles usufruirão da felicidade, da paz, do amor, da comunhão, da bondade e de todo o bem que se encontra na pessoa bendita de Cristo. Isso não é maravilhoso?

Talvez você se pergunte: como o amor de um casamento pode ser eterno, se o homem é mortal e um dia ambos morrerão? Bem, antes de escrever sobre, te convido a olhar esta imagem:


 Veja os primeiros três quadros: eles parecem ser felizes! estão juntos, sempre em ocasiões diferentes. Porém, no quarto quadrinho, vemos que ocorreu uma fatalidade: houve morte. Parece que a morte os separou, não? se for, tudo o que escrevi acima foi em vão. Bem, não é isso que mostra o quadrinho. A morte os separou... fisicamente. Porém, o senhor continua lá, amando sua esposa, como Cristo amou sua igreja. E olha o último: eles estão juntos novamente! Ué, na morte? sim, na morte! eles foram amar! Amar quem? amar Aquele que, um dia, fez com que eles se amassem. Eles foram até Cristo, retribuir o amor com que amaram e foram amados, e que maravilha, eles amarão, por toda a eternidade. De fato, "o amor jamais acaba" (ICo. 13.8).

Cleison Brugger
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7 de maio de 2011

Homens não beijam homens

Homofóbico. A palavra, por si mesma, não quer dizer o que, atualmente, diz. Não temos medo daquilo que é igual (homo - igual; phobos - medo), e particularmente, não consigo entender o porquê da colocação desta palavra para dizer o que ela nunca disse. Na contemporaneidade, não aceitar ou ser veementemente contra, é ter medo. Mas eu sei o que pode ser: é que 'desconstruir' está em alta. "Desconstruimos o modelo familiar, desconstruimos a democracia, desconstruimos até mesmo a Constituição, por que não uma simples palavra?", pensam os iluministas contemporâneos, que teimam em ser inimigos do "antigo regime".

Entretanto, se quiserem rotular-me  como um fóbico, não tenho medo. Se os homens têm o direito de casar com outros homens, por mais que isso seja tão repugnante, também tenho o direito de me expor contrariamente. Se quiserem me prender, que prendam! pra quê estar livre em uma sociedade onde a democracia está morta? é a pior das contradições!

Dói profundo pensar e dizer que, no desenrolar dos séculos, onde os homens deveriam avançar para a progressão mental, tudo o que vemos são homens ainda mais inscientes, que só porque toleram homens beijando homens, acham que são "progredidos". Na verdade, estes tais são os mais retrógrados dos homens, pois se eu trago a mentalidade do século passado, estes trazem a mentalidade pecaminosa do primeiro homem. Que vergonha da minha pátria neste dia! tal vergonha não senti nem mesmo na tragédia do Sarriá. Os homens beijam homens!

A ética pluralista, esta que tem sido maestrina do pensamento do homem pós-moderno, ensina que o doente não é quem sente prazer na união de sexos iguais, mas quem tem aversão. Seriedade à parte, sou um louco desvairado, andando pelas ruas. Preparem, pois, um hospício para cada sanidade mental deste Brasil!

Não posso compactar com homens que se apaixonam pelo homo, pois os tais querem se escorar nos negros, enquanto nem de perto se igualam. Que abismo profundo existe entre o racismo e o homossexualismo! Quem foi o boçal que uma vez os comparou? se querem falar de preconceitos, teremos que concordar na tese: negros são, homossexuais escolhem ser; negros nascem negros, mas nenhum menino nasce com a natureza pervertida, senão pelo erro inicial. Nenhum pai, na história da humanidade, colocou o nome "Maria das Dores" no menino que nasceu, porque o tal já possuia traços afeminados.

Homens não beijam homens. Serei sempre a favor da miscigenação, aliás, sou fruto disto, pois tenho em meu sangue o embolar das diversas raças, mas não me interarei com o pluralismo só porque é ele quem dita as regras no século que está. Não sou dado à regras, não obstante, ainda possua absolutos. É fato que, a cada novo século, o homem que tem ideais está tendo de curvar-se à esta época contemporânea, mas eu não o serei. Que se renda tu, mas a mim, deixe-me aqui, neste canto lúgubre, até que morra, sentindo o prazer de ter partido um subvertido. Que tempos os nossos! E que costumes!
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9 de abril de 2011

CARPE DIEM

A vida, de fato, não é uma obra do acaso. Todos aqueles que vivem, vivem à partir de um propósito. Nenhum ser vive atendo-se a frivolidades, pois quem assim o faz não vive. Em suma, viver é uma necessidade diária e a morte só interrompe aquilo que estava em pleno vigor.

Eu, nestes últimos meses, tenho me impressionado com o fato de como a vida é volúvel ou, em outras palavras, como ela é inconstante, como muda facilmente, como vive girando. Parece um paradoxo, mas nem todo o paradoxo é uma contradição: a vida também vive e a maneira como ela mais aprecia viver é mudando de acordo com as circunstâncias. Muitos de nós já ouvimos a famosa frase "o mundo dá voltas", mas a palavra "mundo", na frase,  dá a conotação de vida; na realidade, a vida dá voltas, mas não voltas circulares, onde sempre voltaremos para onde estávamos, mas voltas irregulares, onde nada é tão certo, nada é tão óbvio, nada é previsível.

Voltando a mim, acho interessante a maneira como mudei. Lembro que um dos meus medos de infância era não ser crítico o suficiente e não ter argumentos para refutar aquilo que eu achava contrário. Graças a Deus, sempre tive ódio da imposição e sempre amei a subversão. Hoje, consigo ser um dos jovens mais críticos do ambiente onde convivo. Meus blogs dizem isso. Não aceito tudo, não concordo com tudo e vou me colocar contra isso até que parem pra pensar na minha objeção. Amo o que faço! não importa a posição de quem disse ou o quê disse, mas se eu tiver argumentos coerentes para me opor, irei adiante e destemido.

Mas ainda que eu haja chegado no lugar onde queria, temo não conseguir chegar onde preciso, e é este paradoxo que me revela que viver é uma necessidade diária. Eu preciso viver para chegar onde preciso e se a morte chegar, ela simplesmente interromperá um processo de crescimento, àquilo que estava em pleno vigor. É a maldita resistência impedindo a energia empolgante do elétron. Não é a toa que, quando Adão vacilou, Deus disse: "Maldita é a terra por sua causa!". Tudo caminha bem, longe dos braços da morte.

Hoje, na chegada dos 18 anos, tenho amigos que estão casando, outros noivando, se preparando profissionalmente e tudo isto prova que a vida não pára. Ela insiste em chegar em lugares inusitados, para a nossa alegria. Enquanto crianças, nossos desejos giravam em torno do fútil, hoje, nossos objetivos são outros e a nossa vida, mais interessante de se viver. Por isso, que possamos valorizar a vida, do instante em que levantamos da cama ao momento onde deitamos nela, ao anoitecer, pois é neste interim que a vida acontece, e acontece pra valer. Convido você (e também a mim) a viver os estudos, viver o amor, viver o pensar, e nunca deixar de projetar o futuro, pois quem assim o faz, merece morrer, pois quem para de sonhar, consequentemente, para de viver. Levante cedo, abra a janela pela manhã, respire fundo e aprecie a vida. A singularíssima (como diz Augusto dos Anjos) Clarice Linspector disse: "ainda bem que sempre existem outros dias. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas". Enquanto vivermos, vivamos a vida. É este o recado.

Paz à você,
Cleison Brugger.
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