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27 de fevereiro de 2013

Há coisas que Deus não pode

Texto: Gênesis 18:1-16

Não devemos rir, nem duvidar de quando o Senhor diz que fará coisas. Isso seria zombar da Sua fidelidade e tornar a verdade de Deus em engano. Por mais improvável que pareça devemos confiar, não porque coisas improváveis costumam acontecer com certa frequência na ordem das coisas, mas porque o Senhor o disse!

Abraão, com toda a hospitalidade, se esforça para que os varões que lhe apareceram permaneçam com ele. Nunca deve-se desperdiçar a visita do Senhor em nossa casa! um banquete foi preparado por Abraão: enquanto Sara está na tenda fazendo bolos (Gn. 18:6), um moço se apressa em preparar a vitela (Gn. 18:7). Depois de comerem, Abraão ouve do Senhor: "certamente tornarei a ti (...)" (vv.10a). Uma boa recepção faz com que visitantes ilustres retornem. Abraão entendeu isso. E o Senhor disse que retornaria com um presente, uma surpresa: "(...) tornarei a ti por este tempo de vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho" (vv.10b). Agora, há um dilema na história: enquanto Abraão creu, Sara riu.

Abraão se esforça para bem receber os três varões, onde um deles era o próprio Senhor, mas Sara, ao contrário de Abraão, é indelicada com as mui dignas visitas. Sara comete dois pecados: 1º - duvida da fidelidade de Deus quando ri da promessa (Gn. 18:12). Abraão trabalha para bem recebê-los e Sara, na sua primeira oportunidade, desonra o caráter de Deus. Paulo diz que Deus é fiel porque não pode negar-se a si mesmo (2 Tm. 2:13). Fidelidade define o caráter sacrossanto de Deus. Deus tem um alto compromisso com o que fala. Ele vela sobre a sua palavra para a cumprir (Jr. 1:11). Sara, por ter uma péssima teologia, estava desonrando o caráter do Deus Eterno. Mas ela não para por aí.

O Senhor questiona a Abraão o porquê do riso de Sara (Gn. 18:13). "Não entendi o riso de sua esposa, Abraão. Acaso ela pensa que eu não posso fazer o que disse?" (vv. 13, 14a) e então o Senhor reafirma a Sua promessa: "ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo de vida, e Sara terá um filho" (Gn. 18:14). A essa altura, Sara deveria ter se arrependido de seu riso debochado e infame e aprendido a lição, mas ela comete um segundo pecado, mais uma vez contra o caráter de Deus. "E Sara negou, dizendo: não me ri, porquanto temeu. E Ele disse: não digas isso, porque te riste" (Gn. 18:15). Sara não conhece a Deus, tem uma péssima teologia - uma das piores, em toda a Bíblia - e pensa que Deus é um moleque, alguém igual a ela. Primeiro, ofende a Deus dizendo com um risinho cínico que Ele não é fiel e agora o desonra dizendo que ele é um mentiroso. Sara coloca Deus em xeque: "você não é tão poderoso, capaz de me dar um filho, nem sabedor de tudo, capaz de saber se ri ou não, estando tu aqui e eu, dentro da tenda".

Há duas coisas que Paulo diz que Deus NÃO PODE: Por ser fiel, NÃO PODE negar a si mesmo, como dito acima (2 Tm. 2:13) e a outra coisa está em Tito 1:2: "em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos". Paulo aqui atrela a fidelidade e a verdade de Deus. Deus NÃO PODE mentir porque isso seria negar o que Ele é, por toda a eternidade: o Deus de toda a verdade. Jesus afirmou ser a verdade (Jo. 14:6) e no Apocalipse ele é chamado de A Testemunha fiel e Verdadeira (Ap. 3:14). Fiel e verdadeiro é o que Deus é, por toda a eternidade. Sara não entendia isso, mas era incrédula, descrente e ignorante acerca do caráter de Deus.

Muitas vezes somos incrédulos porque desconhecemos a Deus. O que Deus faz é expressão de quem Ele é. Se Ele cumpre o que promete é porque Ele é fiel. Se o que disse aconteceu é porque sua Palavra é a verdade. Não é que Deus seja refém da sua própria vontade, mas porque Ele tem um alto compromisso com a glória do Seu nome e com a honra do seu Ser, logo, tudo o que promete cumpre, até mesmo o assassinato de Seu filho, prometido desde antes da fundação do mundo (Ap. 13:8).
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20 de fevereiro de 2013

Tá vendo aquela reta?


por Cleison Brugger

Um devocional

"E o Anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: venho fugida da face de Sarai, minha senhora" (Gn. 16: 7,8)

Frequentemente nas Escrituras, veremos o Senhor fazendo perguntas. Não que Ele não saiba a resposta. Não que Ele não esteja inteirado - e coordenando - todas as coisas, mas porque Ele quer ouvir o que temos a dizer. Ele já sabe que é uma queixa, um lamento, mas mesmo assim Ele quer ouvir. O Senhor perguntou a Agar: "de onde vens?" (vv.7a) e ela respondeu: "venho fugida da face de Sarai, minha senhora" (vv.7b) "É de lá que venho. Cheguei no deserto debaixo de opressão e desprezo". Mas há a outra parte da pergunta: "para onde vais?" (vv.7a). Essa parte Agar não respondeu. Talvez porque não sabia para onde ia. Não tinha rumo. Não podia responder a pergunta. E o Senhor sabia disso. E por isso Ele mesmo traça um rumo para ela, dizendo: "tá vendo aquela reta?", então, "torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos" (Gn. 16:9).

Isso foi verdade também com o grande profeta Elias. No auge do seu ministério, ele entrou em profunda tristeza e aflição. Porém, o Senhor se chega a ele e pergunta: "que fazes aqui, Elias?" (I Rs. 19:13c). Em outras palavras, "como você veio parar aqui?" No que ele responde: "tenho sido extremamente zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; só eu fiquei, e agora querem me matar" (I Rs. 19:14). Elias, tal como Agar, estava alí por estar triste e aflito e, pelas suas palavras, não estava muito disposto a sair. Dessa vez o Senhor não pergunta "para onde vais?" como perguntou a Agar, simplesmente porque Ele já tinha um rumo certo para Elias. E o rumo era: "tá vendo aquela reta?", então, "vai, volta pelo teu caminho, para o deserto de Damasco" (I Rs. 19:15a).

Isso me faz lembrar a igreja de Éfeso. Igreja antiga, paciente, labutante, consistentemente doutrinária, mas que, em um certo momento, perdeu o primeiro amor (Ap. 2:4). Dessa vez, a pergunta é implícita: "como vieste até aqui? como chegaste a este ponto?" Talvez o muito fazer tenha feito de Éfeso uma igreja técnica demais, uma noiva profissionalizada. Mas o convite feito a igreja efésia é o mesmo que o Senhor fez a Agar e a Elias. Ele disse: "tá vendo aquela reta?", então, "lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta a prática das primeiras obras" (Ap. 2:5).

Há momentos que o Senhor nos faz perguntas como fez a eles: "para onde vens e para onde vais? como chegaste até aqui?" e nós até respondemos, cabisbaixos, como conseguimos a proeza de estragar tudo e fracassar, como o que achávamos que teria êxito não teve sucesso, como estamos frustrados, tristes e aflitos. Mas, na verdade, não conseguimos responder a outra parte da pergunta: "para onde vais?", simplesmente porque não sabemos para onde ir. Estamos estagnados. E a resposta de Deus para nós é a mesma que Ele deu a eles: "tá vendo aquela reta?", então, filho, filha, volta. Volta e humilha-te como Agar, volta e arrepende-te como Éfeso, volta e unge o teu moço como Elias. Volta pelo caminho em que vieste. Só não fique aí! Meu convite é para que você saia; na verdade, para que você volte. Ele não se preocupa se você não tem uma ideia de pra onde ir. Ele já tem um caminho traçado para você. Somente obedeça, pegue a reta e volte confiante. 
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18 de julho de 2012

Quando obedecer a Deus não parece interessante

"Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor, teu Deus, para cuidares em fazer todos esses mandamentos que hoje te ordeno"
(Deut. 15.5)

Se, se... uma rápida lida no livro de Números, Deuteronômio e outros livros da Bíblia, veremos os Se's. Eles estão espalhados por toda a parte nas Escrituras e, na grande maioria, se trata de bênçãos condicionadas à obediência, como é o caso de Deuteronômio 15.5. O capítulo em específico vai tratar do ano da remissão, em que aquele que tinha emprestado alguma coisa a um de seus irmãos israelitas, no ano da remissão, perdoaria esta dívida. Isso acontecia para que não houvesse pobres em Israel e a promessa era a de que o SENHOR abençoaria abundantemente quando eles entrassem na terra prometida (Dt. 15.4) e no vv.6 continua dizendo que "o SENHOR, o seu Deus, os abençoará conforme prometeu, e vocês emprestarão a muitas nações, mas por nenhuma serão dominadas". Tudo isto com um porém: "Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor, teu Deus, para cuidares em fazer todos esses mandamentos que hoje te ordeno (vv.5). O contexto trata de bênçãos condicionadas ao povo de Israel, mas o princípio é aplicável a nós.

Sabemos das leis, sabemos das promessas, sabemos das bênçãos, tal como o povo de Israel tinha tudo isto em mente. Mas por que você acha que em Israel havia gente pobre (Mc. 14.7), enquanto Deus disse que a observância do princípio do ano da remissão era para que não houvesse pobres? simplesmente porque Israel não foi leal aos mandamentos, e a bem da verdade, nós também não somos. Ao invés de Israel pensar: "bem, estamos no ano da remissão, em que perdoamos dívidas. Que Deus maravilhoso que ergue este princípio em benefício dos pobres!", pensavam assim: "o que é meu é meu e eu não vou ser bobo de dar para outro aquilo que eu comprei com o meu suor". Queremos o que é nosso a todo o custo, mesmo sabendo que estamos no "ano da remissão", em que Cristo pagou, cancelou, invalidou a nossa dívida e então somos reconciliados com Deus. Queremos resolver as coisas com as nossas próprias mãos, mesmo sabendo que as bênçãos decorrentes da obediência à Palavra estão em jogo. Frequentemente, estamos quebrando as regras e transgredindo as leis por acharmos que Deus não é tão sábio assim e a maneira como eu faço, eu quero, eu penso é a que dá certo e resultados imediatos, embora saibamos que nem tudo o que dá certo é correto e bom.

A verdade é que nem sempre os resultados de Deus são imediatos, e isso nos decepciona. Queremos ver as coisas acontecendo agora. Vivemos numa época em que muitos têm uma completa sede por vingança e retribuição, e se foram vilipendiados  e desonrados aqui, querem que os que fizeram isso recebam na mesma medida, agora! querem triunfar e esfregar na cara do "adversário" (que por incrível que pareça não são principados e potestades, como diz Efésios 6.10, mas sim a "carne e o sangue" - pessoas! - transgredindo, assim, o princípio bíblico) a "vitória", enquanto Deus diz: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor" (Rom. 12.19), e essa recompensa não se dará agora e Deus não se "vingará" nesta vida. Isso nos frustra porque queremos ver acontecer com aquele que nos feriu, o mesmo que aconteceu conosco.

Isso é assim porque temos uma visão míope da glória de Deus. Não temos em voga as promessas de Cristo e o tesouro que Deus é para nós, em Cristo Jesus. Na verdade, muitos de nós andamos por vista e não por fé (2Cor. 5.7), olhando para coisas, situações, circunstâncias e vilipêndios enquanto deveríamos nos entregar "Àquele que julga retamente" (1Ped. 2.24). Se crermos que "se somente ouvirmos diligentemente a voz do Senhor e tivermos o cuidado de fazer conforme todos os mandamentos", usufruiremos de bênçãos da parte de Deus, toda a questão será solucionada. Não mais faremos "justiça com as próprias mãos", nem mesmo esperaremos recompensas nesta vida, mas teremos viva a esperança de que, se obedecermos a voz do Senhor, provaremos de bênçãos sem medida na terra que Ele dará por possessão! O problema é que não parece interessante obedecer a Deus quando é a minha vida, o meu lucro, o meu sucesso, o meu ganho, a minha honra, a minha família, a minha comodidade que está em jogo; Não parece interessante obedecer a Deus pois enquanto Ele garante que haverá resultados lá na frente, nós queremos vê-los agora, enquanto Paulo diz que "se esperarmos em Cristo somente nesta vida, somos os mais infelizes entre os homens" (1Cor 15.19), mas Jesus disse que "felizes os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus (Mt. 5.3); "felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará (5.4); "felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês" (Mt. 5. 11, 12a NTLH).

Em Cristo, que sempre recompensa os seus,

Cleison Brügger.
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18 de junho de 2012

Cheios do Espírito!


Ninguém, por mais talentoso, persuasivo, dotado, cursado, letrado ou profissional que seja, deveria ter a audácia de se apresentar em nome de Deus sem que, antes, tenha estado com Ele. Ninguém deveria ousar se apresentar no altar do Senhor antes de se apresentar ao Sumo Sacerdote.

Os ministros, ou qualquer um que se põe em posição de sacrifício, deve conscientizar-se de que, ou ele tem do Espírito, ou tudo não passará de tempo perdido! Homens e mulheres só poderão ser poderosos no que fazem de acordo com a consciência de que, sem o Espírito, tudo estará perdido!

Quem sabe muitos desacreditaram do cristianismo em seu nascedouro, tendo como base o fato de que o Senhor havia deixado o apascentamento de Seu santo rebanho nas mãos de homens inscientes? só que o que muitos não sabiam, era que aqueles homens estavam cheios do Espírito Santo! Eles não tinham a preocupação de que alguma coisa daria errado pois eles não usavam métodos humanos e carnais como hoje estamos usando, mas dependiam tão somente do Espírito! Foi porque Pedro estava cheio do Espírito  que teve a ousadia de enfrentar os sacerdotes, os saduceus, e os anciãos de Israel perante o sinédrio, pois o mesmo tinha aquecidas em seu coração as palavras do Senhor: "Mas, quando vos entregarem, nos vos dê cuidado com o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministardo o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós" (Mt. 10. 19,20). Oh, quão poderoso é o homem que se coloca na dependência do Espírito! Quão poderoso é o homem que toma o púlpito depois de ter se esvaziado por completo e de ter se encontrado com o Deus Todo-Poderoso! Se é o Espírito quem convence o homem e se é Ele quem regenera, que as minhas palavras pereçam, mas que as palavras do Espírito emanem do púlpito e aqueça o coração de cada ouvinte. "Não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?" (Lc. 24.32). Ora, não há como ouvir as palavras de Jesus e permanecer inerte! Quando Jesus disse ao morto Lázaro, "Vem para fora!", Lázaro imediatamente obedeceu a sua voz e, mesmo estando morto, saiu da sepultura!

Todos aqueles homens incrédulos que estavam no sinédrio estavam informados de que Pedro e João eram homens iletrados e indoutos, mas eles, vendo a ousadia das palavras dos santos apóstolos, se espantaram e entenderam que aquilo tudo era resultado de uma só coisa: aqueles homens haviam estado com Jesus (At. 4.13). Oh, um ministro cheio do Espírito não é conhecido pela sua capacidade intelectual, de organizar idéias, filosófica ou teológica, mas sim, porque antes, ele esteve com o Senhor! Ah, que sempre que tivermos que nos apresentar aos outros, mesmo quando estivermos nos preparando para levantarmos da cama, que o Espírito nos guie a Cristo e que logo cedo nos encontremos com o Senhor! Que não tenhamos a ousadia de tomarmos qualquer microfone na igreja até que estejamos certificados de que nossa fronte está gotejando da unção do Espírito e que, antes de nos apresentarmos as pessoas, nos certifiquemos de que estivemos com o Senhor! Assim, quem olhar para nós concluirá como concluiram aqueles homens do sinédrio: decerto, antes de estar aqui nos falando, esteve com o Senhor! Olha como sua face resplandece!

Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduz a isto!

Até mais, 
Cleison Brügger.
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19 de abril de 2012

Descansando no poder de Deus

De vez em quando, ouço minha avó cantar um hino do Cantor Cristão que eu sempre achei belíssimo. É o hino 330 HCC, e a letra de seu refrão é a seguinte: "Descansando nos eternos braços do meu Deus, vou seguro, descansando no poder de Deus". Parece simplório, mas o simples citar a frase "descansando no poder de Deus" já me deixa calmo e em paz, e é bom saber que Deus nos convida a descansarmos nEle e em suas promessas.

Descansar no poder de Deus é parar de descansar em nossas próprias forças. "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável" (Jeremias 17.5-6). O Senhor chama de maldito aquele que confia em si mesmo e na força do seu braço e, assim, aparta o seu coração do Senhor. Quem confia em si mesmo descrê do Senhor. Não há conciliação entre confiar em si mesmo e no Senhor! O Salmista disse: "Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus" (Salmo 20.7). Jeremias continua dizendo que o tal homem será como um arbusto no deserto. Sexta passada eu vi uma reportagem nos desertos de Omã; como a vegetação do deserto é seca, sem vida. Somente o orvalho da noite para lhes refrescar - algum tipo de  graça comum -, mas pelo resto do dia é um sol escaldante sob suas folhas.  Bem, é assim que o Senhor define um homem que confia em si mesmo. Ele não pode esperar por ajuda, nem recursos externos, visto estar cheio de si.

Em contrapartida, Jeremias continua dizendo: "Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto" (Jeremias 17.7-8). Diferente das árvores desérticas, o Senhor diz, através de Jeremias, as mesmas palavras que Davi usou para compor seu salmo 1. Quem confia no Senhor é comparado a uma árvore plantada junto às águas, cujas raízes estão inundadas nas águas e quando vem o calor, não precisa temer. Mesmo vindo a seca, ela continua dando frutos e suas folhas estão verdes. Descansar no poder de Deus é ser uma árvore e deixar com que Deus providencie todo o resto. Ele é a fonte! ele manda a chuva, assim como também manda o calor, providencia a vida e a graça para cada dia.

Aos que estão ansiosos, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (I Pe. 5.7). Aos que levam fardos pesados, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (Mateus 11.28). Aos que estão encarcerados, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (e.g., Atos 16.25). Você que está tentando se salvar, eu lhes digo: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9), por isso, descanse no poder de Deus! Amado(a), desista de si mesmo, de suas vontades e de suas forças. Paulo disse: "Quando estou fraco, então sou forte" (2 Corintios 12.10), então, que o Senhor nos enfraqueça, para que possamos sugar vida da videira que é Cristo, e então viver. 

O tão conhecido Salmo 91.1 diz: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará". Mudando a ordem deste verso sem que ele perca o sentido, temos: "À sombra do Onipotente descansará, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo". Se você deseja "descansar à sombra do Onipotente", eis o conselho do salmista: "habite no esconderijo do Altíssimo". E onde ele fica? na oração, na abnegação, na renúncia, na nossa fraqueza, na desistência da nossa capacidade e força. O esconderijo do Altíssimo é onde nem o mundo, nem Satanás consegue nos encontrar. O esconderijo do Altíssimo é o lugar oposto ao do mundo. O mundo está mergulhado em deslealdade, nós porém, na lealdade. O mundo está imerso em corrupção, porém nós, na honestidade. O mundo está em trevas, mas nós estamos em luz. Estamos no esconderijo do Senhor, e lá nós somos mudados radicalmente e somos parecidos com o nosso Deus. Onde termina o nossa "zona de conforto" é onde começa o "esconderijo do Altíssimo". Corra para lá e você verá que o simples citar a frase "descansando no poder de Deus" fará todo o sentido para você.

Até mais,
Cleison Brugger.
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17 de abril de 2012

Sacrifícios e sacerdotes: um estudo devocional de Levítico 6. 8-13

TEXTO: Levítico 6. 8-13

Este texto de Levítico fala, especificamente, sobre a lei do holocausto e como o sacerdote deveria fazer, se vestir ou ordenar o sacrificio sobre o altar. de fato, "toda a escritura é proveitosa" (II Tm. 3.16) e há para nós lições preciosas concernente à vida cristã.

O apóstolo Pedro dirá em sua primeira epístola que somos sacerdócio real (I Pe. 2.9). Isso quer dizer que nós apresentamos sacrificios a Deus. "Rogo-vos, pois, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm. 12.1). Tendo isso em mente, somos convidados a olhar para Levítico 6. 8-13 e tirar lições proveitosas de como deve ser nosso relacionamento com o Senhor:

"Dá ordem a Arão e seus filhos, dizendo: esta é a lei do holocausto: o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite, até pela manhã; e o fogo arderá nele" (Lv. 6.9)

É interessante perceber que enquanto Pedro nos apresenta como sacerdotes, ou aquele que ministra - "vóis sois sacerdócio real" (II Pe. 2.9), Paulo diz que somos o sacrificio e que nós mesmos nos apresentamos - "(...) que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus" (Rm. 12.1). Isso diz de uma responsabilidade dupla: tanto o sacerdote como o sacrificio deveriam ser irrepreensiveis. Era uma ordem: o sacerdote deveria estar com suas vestes de linho fino (representando pureza, santificação), e o holocausto deveria ser sem mancha, ou seja, imaculado. Nós nem somos só sacerdotes que ofertamos sacrificios alheios, como também não somos apenas o sacrificio que será ofertado pela mão de outros. Somos a oferta e o ofertante! eu é quem me disponho para o Senhor como sacrificio. Sou eu quem deve queimar sobre o altar. Regozijemo-nos no Senhor!

Voltando para Levítivo 6.9, percebemos que a ordem dada era para que houvesse algo contínuo sobre o altar. O holocausto deveria queimar sobre o altar "toda a noite, até pela manhã", e o verbo, de igual modo, revela uma ação continua: "arderá". O fogo do altar arderá nele. Parece que estou vendo: noite a dentro, e lá está o sacrificio queimando; chega a manhãzinha, e as últimas fagulhas ainda estão lá. Você já viu uma fogueira quase se apagando? há muitas cinzas, mas se alguém mexer, decerto ainda sairá faiscas.
Há quanto tempo não 'ardemos' em oração no altar do Senhor durante uma noite inteira? muitos de nós oramos tão pouco e tão rápido, que quando terminamos, parece que conseguimos ouvir a voz de Jesus perguntando o que perguntou aos apóstolos, na noite do Getsêmani: "Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo?" (Mt. 26.40). Quantos valorizam mais tantas outras coisas do que seu Senhor. Pensam que travar batalhas na oração é enfadonho e não tão necessário assim. Alguns poderão dizer: se eu orar pela noite, acordarei cansado para o trabalho! Engano seu, pois é pela manhã que as misericórdias se renovam (Lm. 3. 21,22). "Os que confiam no Senhor renovarão as suas forças" (Is. 40.31).

Os versos 10 e 11 dão a seguinte ordem: o sacerdote deveria vestir sua veste de linho fino, levantar a cinza e pôr junto ao altar. Logo após, trocaria suas vestes e levaria as cinzas para fora do arraial. Eis uma pergunta para nós: com que vestes eu tenho ministrado o sacrificio? com quais vestes temos orado, nos encontrado com Deus?
Alguns chegam à presença de Deus com vestes farisaicas, cheias de brilhos e detalhes. Muitos vão orar, só para dizer a Deus o quanto são bons, bacanas, quão empenhados na igreja eles têm sido, e - pasmem! - tem gente que se considera tão santa, que vai contar pra Deus os pecados dos outros. A ordem é: troque suas vestes! "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx. 3.5). Na oração, devemos nos despir do eu, dos bens, de quem somos. O que importa é quem Ele é! devemos ir vestidos de panos de saco, e reconhecer nossa miséria, nossa pobreza, nossas injúrias e, neste fluir, reconhecer a grandeza, o poder, a majestade, a bondade e a santidade do Senhor. A cinza deve ser tirada, levada para fora do arraial, assim como as cinzas devem ser tiradas do coração através das palavras que saem pela boca. É na oração que somos renovados, diariamente. É aos pés de Cristo que deixamos quem somos para recebermos quem Ele é.

O verso 12 diz: "O fogo, pois, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele a cada manhã". Lembra que, na introdução, eu disse que somos tanto o sacerdote como o sacrificio? então, vejamos: o sacrificio arde no altar de noite, até pela manhã (e o sacrificio somos nós), e quando chega a manhã, o sacerdote acenderá lenha (e o sacerdote também somos nós), a cada manhã (isto é, todos os dias). Se isto tem lições para nós, decerto quer nos ensinar sobre uma real vida com Deus. "Quando acordo, ainda estou contigo" (Sl. 139.16). "Por Ti estou esperando todos os dias" (Sl. 25.5). Oh, que o Senhor faça nascer em nós o mesmo desejo de Davi no Salmo 42: "Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" (Sl. 42.1-2). De fato, "O Senhor mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida" (Sl. 42.8). Estar com o Senhor nunca é enfadonho ou intediante! "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Ninguém oferece mais que o Senhor!

A ordem era para que o sacerdote acendesse lenha a cada manhã, pois só assim "o fogo arderá continuamente sobre o altar, e não se apagará" (Lv. 6.13). O que nos tem impedido de acendermos a lenha diariamente? os afazeres, a correria do dia-a-dia, o trabalho, o sono? não seja como Marta, que atarefada com as coisas, negligenciou a presença de Jesus. Que tenhamos o espírito de Maria, que soube o que era bom naquele momento, que sabia o que importava. Jesus disse: "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc. 10. 38-42). Se alguém quer que uma fogueira continue com o seu fogo, dará lenha a fogueira. De igual modo, que possamos ter, a cada novo dia, fogo ardendo continuamente sobre o altar, o sacrificio ardendo de noite, até pela manhã. "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef. 5.18). Nisto consiste uma vida cristã ardente e vibrante: nossos encontros com o Senhor não são semanais e efêmeros, mas diários, intensos, noite a dentro e logo de manhãzinha. Temos fome do Altíssimo! Amamos o Senhor! Temos o compromisso de acender lenha pela manhã e queimar como sacrificio de noite, até pela manhã. Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduza a isto.

Cleison Brugger
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