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7 de janeiro de 2014

A honestidade de Cristo e nossa desonestidade com os outros


  por Cleison Brugger
Baseado em Mateus 11:2-10


João Batista estava na prisão quando mandou dois de seus discípulos irem até Cristo fazer uma pergunta um tanto quanto intrigante: "És tu Aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?" (Mt. 11:3). Ele está perguntando: você é mesmo o Messias ou devemos esperar que outro venha? bem, esse não é o tipo de pergunta que deveria ser feito a Jesus, e em se tratando de João Batista, essa pergunta é um tanto estranha. Eu certamente diria: que pergunta é essa, João? você batizou o Cristo, reconheceu sua messianidade, você sabia piamente que seu prórpio ministério era o de "preparar o caminho do Senhor", em suma, você mesmo confessou que Jesus era o cordeiro de Deus! parece que a prisão minou a fé de João Batista. Mas não conclua isso tão depressa.

Quando os discípulos saem para contar o que Jesus havia dito, Jesus sai em defesa de João Batista, dizendo: "que saístes a ver no deserto? uma cana agitada pelo vento? sim que saístes a ver?" (Mt. 11: 7, 8a). Ele está dizendo: o que vocês foram procurar? alguém maleável, instável, levado por ventos? alguém que é movido pelas circunstâncias? bem, se foi, não foi a João Batista que vocês foram procurar. Isso é nobre, muito nobre! e eu quero aprender com Jesus. Jesus sai em defesa de João Batista depois de ele vir com uma pergunta aparentemente incrédula. Jesus olha pra todo o contexto da vida de João e conclui: esse tipo de pergunta não provém de um coração incrédulo, porque João não é assim. Eu conheço João. Portanto, se ele está perguntando isso é porque tem seus motivos como querer suscitar a fé de seus próprios discípulos, mas não é incredulidade.

Eu preciso aprender a discernir. A saber estudar o contexto da vida de alguém antes de julgá-la por um ato cometido, uma palavra falada, um gesto mal dado. Eu devo parar e pensar: olhando para esta pessoa, ela geralmente age assim? se não, há um motivo para ela agir assim agora, e eu preciso ajudá-la. O nosso grande problema é que nós nunca nos concentramos naquilo que os outros nos fazem de bom, mas perdemos noites de sono por aquilo que nos fizeram de ruim, mesmo sabendo que, às vezes, uma pessoa age diferente com a gente, mas não é de seu caráter fazer assim; precisamos ser mais honestos. O texto diz que quando os discípulos saíram, Jesus testemunhou a favor de João. Que exemplo! porque muitos de nós, quando somos colocamos em prova por alguém, quando as testemunhas saem, nós detonamos, difamamos e mal-falamos a pessoa em questão.

O filho mais velho de Noé, Sem, quando soube que seu pai estava nu no meio de sua tenda, foi até lá de costas, de cara virada e cobriu seu pai. Seu ato dizia: eu não quero ter acesso a sua vergonha. Sem não chamou seu pai no canto e disse: toma vergonha na cara, você é um pai de família! Não! o próprio Deus deu testemunho por Noé dizendo que ele era um homem íntegro em sua conduta (Gn. 6:9), logo, Sem pensou: se meu pai está agindo assim, eu devo cobrí-lo, porque não é de seu perfil agir dessa forma. Ele deve estar num mau dia. Que exemplo de Sem! eu preciso aprender com Sem. A cobrir a vergonha do outro, a deixar passar, a fingir que não aconteceu nada, em suma, a entendê-lo.

A desonestidade é terrível. Tratamos as pessoas como se nós nunca tivéssemos agido alguma vez como elas. Suscitamos padrões que nem nós mesmos conseguimos manter. Exigimos do outro aquilo que nem nós fazemos. Que sejamos movidos a mudar, pelo exemplo de Cristo e de Sem. A começar po mim.
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12 de novembro de 2012

Prazer, evangelho! (parte 1)

por Cleison Brügger

Olá! esses dias eu pensava sobre o pecado e suas implicações. E no caminho (eu estava andando e pensando), percebi que, na verdade, quando se pensa em pecado (um grande problema!), pensa-se numa solução para ele. E a solução para o pecado é o Evangelho. Então, resolvi dividir um texto único em quatro partes, em que falo sobre (1) pecado, (2) a necessidade do Inferno, (3) a necessidade de um Salvador e  (4) como esse Salvador nos salva do pecado. 

Então, para entendermos sobre como somos salvos do pecado, precisamos entender o que ele é. Leia até o final!

PECADO

O pecado não é algo que vem como um mensageiro, mas que está como um residente. Ele não resulta de fatores externos, ou se parece com uma energia impessoal, mas sim, de impulsos internos definidos. Portanto, não podemos dizer que fomos aleatoriamente atingidos pelo mal, como quem toca numa tomada e leva, de imediato, um choque. Jesus disse que “a boca fala do que coração está cheio” (Mateus 12:34). Quando, por exemplo, alguém fala coisas obcenas e imorais, esse alguém não pode colocar a culpa na influência externa ou no contexto dizendo: “essa roda de amigos me influencia a falar desta maneira”. Seu falar obceno é fruto do que está arraigado no seu próprio coração. Assim sendo, embora exista, de fato, um certo tipo e uma certa medida de infuência ao erro, nosso poderoso coração enganoso nem sempre precisa ser influenciado. Ele mesmo procura meios, métodos, maneiras e ocasiões para pecar. Não é algo que vem, é algo que está! E está não detido apenas no coração, mas em conexão com cada um dos nossos sentidos: um olhar, um toque, algo que ouvimos ou até mesmo um cheiro atraente nos faz pecadores assumidos e independentes.

Agora você entende o porquê que o chamado de Cristo é para que abandonemos o nosso “Eu”? e quem é o “Eu”? 

Costumo responder “sou eu” quando me são apresentadas características inerentes a minha personalidade, que define quem eu sou. Na verdade, o “Eu” é tudo o que somos. É o conjunto de tudo aquilo que nos forma e define. E Cristo ordena que abandonemos o nosso “Eu”! por que? Porque o “Eu” – o meu eu, o seu eu – está arruinado, falido, completamente depravado e inclinado para fazer o mal e somente o mal. Tão logo, ele vive – e se agrada em viver – em declarada rebeldia contra a majestade de Deus, seu Criador.

Sabendo que “do coração procede as saídas da vida” (Provérbios 4:23), entendendo que o coração está completamente falido moral e espiritualmente e concordando que o pecado não é uma influência externa, mas que faz parte do que somos e que não vem de dia em dia, mas que está aqui, a cada vez que olhamos, sentimos, pensamos ou tocamos, então chegamos ao porquê do Inferno ser necessário e porquê precisamos de um Salvador.

Mas isso, é assunto pra outra hora. Até o próximo post.
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15 de agosto de 2012

Porque é errado o relacionamento de uma cristã com um não-cristão?

A regra vale para ambos, mas destaco as mulheres por serem mais afetuosas e suscetíveis a frustrações num relacionamento. Assim, se quiser evitar futuras frustrações, evite ter um relacionamento com um não-cristão, e eu explico o porquê. Paulo, em 1Co. 7: 1-16 vai tratar sobre o celibato dos solteiros e viúvos e sobre o casamento de uma pessoa cristã com uma não-cristã. Neste segundo assunto, ele vai falar da dificuldade que há em manter um relacionamento onde uma das partes não serve a Cristo. Paulo recomenda aos que estiverem neste tipo de relacionamento que, caso o inconverso aceite a fé do parceiro, que permaneçam juntos, mas caso não aceite, que se separem (1Co. 7:13-15). Isso é o que o próprio apóstolo chamará de "jugo desigual com os infiéis" (2Co. 6:14). Você já viu algo desigual? não se completa, não se encaixa, não interagem. Assim, apresento algumas razões do porquê um relacionamento com um não-cristão deve ser evitado. 

1) Não-crentes são complacentes com a Pornografia
A pornografia - e todo pecado sexual - é uma perversão daquilo que é bom e belo. Deus não fez o sexo para ser manipulado pelo homem como uma fonte de prazer onde a mulher é usada apenas como um meio para alcançar um fim. Ao contrário disto, o sexo intra-marital (dentro do casamento) foi planejado por Deus para ser santo, prazeroso e belo! "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hb. 13:4). Não há manchas na relação sexual intra-marital, pois este foi santificado por Deus e abençoado por Deus no casamento. Sim, há cristãos envolvidos com pornografia. Eles sabem que isto é um pecado e sabem que o Senhor é o conhecedor de suas obras. Mas não crentes não tem esta visão. Para eles, pornografia é algo normal na vida. Mesmo casado, um não-cristão não entende que assistir pornografia é um tipo de adultério. Eles vêem isso como algo normal. Eles olham descaradamente para a mulher do próximo. Não há temor quando, numa roda de conversas, o assunto é obsceno, imoral  e lascivo.  Uma mulher qualquer diria: "meu parceiro é homem, deve pensar em coisas assim", mas uma mulher de Deus diria: "o homem ideal para mim é aquele que tem afeições santas e espirituais".

2) Não-crentes amam e aspiram outras coisas
"O homem cujo tesouro é o Senhor tem todas as coisas concentradas n'Ele" foi o que disse A.W. Tozer. Não-crentes amam muitas coisas, menos o Senhor. Não-crentes aspiram muitas coisas, menos o céu. Não há problemas em aspirar coisas boas, nem sou contra o amar o que é bom, mas a não-consciência de que Deus é o fim último de todas as coisas e usufruí-Lo e conhecê-Lo é melhor do que a vida é terrivelmente ruim. O problema está em colocar todo o coração naquilo que é inútil. C.S. Lewis disse que "tudo o que não é eterno, é eternamente inútil". Um bom marido é aquele cujo amor a esposa é menor comparado ao seu amor por Deus e cujas aspirações são eternas e divinas. Isso te dará um marido puro e santo. Isso não seria algo bom?

3) Não-crentes enxergam o moralismo com outros olhos
Os homens são moralmente responsáveis. E, por serem moralmente responsáveis, andam "na linha". Entretanto, em seu coração e mente (em seu interior) é concebido os mais terriveis tipos de pecados e imoralidades. Contudo, ainda assim, ele anda conforme a lei, pois não quer pagar por isso. Cristãos tem uma visão diferente quanto à moralidade, e é a visão da glória de Deus. Eles entendem que cumprir a lei não é uma questão de "fazer coisas", mas de amar. Porque amamos o Senhor, cumprimos a lei pois, em Cristo, somos feitos capazes de andar retamente, com caráter íntegro e ilibado, e isto recebemos em Cristo, na justificação. Sendo assim, tanto na vida pública quando na privada, o cristão é o mesmo e ele não nutre pecados ocultos, pois o mesmo Deus que ele ama ao ser moralmente correto é aquele que ele teme em sua privacidade.

4) Não-crentes são péssimos maridos pois possuem péssimos manuais
Muitas mulheres se queixam: "nenhum homem presta". E muitos homens se queixam: "eu não entendo as mulheres". E, na verdade, essas afirmações não se cunharam sob hipóteses: os fatos fizeram que elas tivessem sentido! entretanto, olhe para o ponto de vista bíblico sobre como o marido deve amar a sua esposa: "Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela" (Efésios 5:25). Você faz ideia do que seja isso? "Como Cristo amou a igreja" está falando não de um amor como senso de dever, mas um amor volitivo, voluntário. Não um amor de aliançamento, mas um amor que dá peso, sentido e valor a aliança. E o melhor é que a Bíblia não está dando uma dica aos maridos; está dando uma ordem! você já provou do amor de Cristo por você? então, desperdiçará um marido que deve te amar como Cristo amou a igreja para ter um relacionamento com alguém que nem conhece ao Senhor? isso é loucura!

5) Cristãos são mais corajosos mesmo não escondendo qualquer tipo de arma na gaveta
Um verdadeiro cristão, que ama o evangelho de Cristo, dará a maior segurança que nenhum outro poderá proporcionar, pois o tal vive para Cristo, obedece às Escrituras e morre pelo seu Senhor, e se ele morre por alguém, ele então é alguém interessante de se casar. Um cristão não é um covarde! ele dá a sua própria vida por Cristo e se entrega sacrificialmente pelo próximo. 

6) Cristãos são bons pais
O padrão bíblico de paternidade é diferente do padrão da sociedade. O padrão bíblico tem como base e espectro a relação de Deus Pai e seu Filho Jesus. Um grande chamado que os homens têm é revelar a paternidade de Deus, e como Deus amou seu Filho, e como o Filho amou seu Pai. Nas Escrituras, há uma relação bela e harmoniosa entre o Pai e o Filho. 

O Pai ama ao Filho.” (João 3:35).

“O quer que faça o Pai, fará igual o Filho.” (João 5:19).

“E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento.” (João 5:22).

“Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” (João 5:23).

“Assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em
si mesmo.” (João 5:26).

“A fim de que o Pai seja glorificado no Filho.” (João 14:13). 

Deus é o Pai do Filho unigênito, como também, é o Pai da adoção, trazendo pecadores à sua família. É neste senso de amor e misericórdia que os pais cristãos criam seus filhos. Eles são amados, perdoados, disciplinados, corrigidos, de acordo com as Escrituras, e não tendo como base seriados da TV. 

Eu poderia ficar aqui por um bom tempo falando sobre como é desarmonioso e estranho aos olhos das Escrituras um relacionamento entre um filho de Deus e um não-convertido. Desde o antigo testamento, há proibições claras dadas ao povo de Deus para que não houvessem estranhos no meio deles (relacionamento matrimonial com outros povos), e na linguagem do novo testamento, o melhor tipo de relacionamento é aquele que acontece "somente no Senhor" (1Co. 7:39), e para tanto, é necessário que ambos estejam em Cristo, a fim de que Cristo consuma a união que já está consumada nele.

Até mais,
Cleison Brügger.

PS.: trato no texto de cristãos verdadeiros, não de cristãos nominais.
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8 de agosto de 2012

O Senhor Jesus te ama


Um dia desses fui ao bairro de Santa Cruz, na cidade do Rio, também conhecido como "bairro imperial". É bem legal ver que existem várias ruas com nomes dos grandes personagens da família real, como Dom João VI, Pedro I e Princesa Isabel. Para cunho meramente informativo, o bairro de Santa Cruz - assim como a cidade de Petrópolis - serviu de residência à família real quando estava no Brasil. E, aproveitando o ensejo, aqui vai uma observação: seria interessante a prefeitura do Rio resgatar um pouco da história - que é bela e rica -  restaurando os antigos prédios do bairro que possuem os traços da arquitetura do século retrasado. Fui até lá porque iria fazer uma prova e, caminhando pela rua, avistei uma senhora - posso chamá-la de irmã - segurando alguns folhetos evangelísticos. Diferente do normal, ela não estava distribuindo mas segurando, esperando até que alguém pegasse um. Eu percebi aquilo enquanto andava em sua direção e, como sou legal (risos), passei por ela e peguei um folheto. E então ela disse: "o Senhor Jesus te ama".

E então aquela frase ficou. Ela colocou tudo tão certo numa frase só. Porque ela não disse "Deus te abençoe" ou "Jesus te ama" como todo mundo diz... agora, pego a condução para casa com uma frase martelando na cabeça. Bem, isso não é ruim. Acredite, não é! na verdade, frequentemente devemos ser lembrados do amor de Cristo. Muitos de nós não temos a dimensão completa do quanto Cristo nos amou. Precisamos orar como Paulo, a fim de que compreendamos "qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento" para que sejamos "tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:18,19). Diariamente, precisamos ter a cruz e todo o seu sofrimento diante de nós. Uma das minhas birras com minha denominação é a total desvalorização da cruz. Nem em nossas fachadas, nem em nossos púlpitos a encontramos. Isso é sinal de que ela não é centro de nossa mensagem, conquanto fosse o centro da mensagem de Paulo (ICo 2:2). A cruz nos ajuda a ver o horror do pecado, como Cristo se fez maldição por nós, quão grande é o amor de Deus, quão perfectivo e salvífico é o sacrifício feito na cruz e como devemos viver uma vida santa, a partir do calvário. E essa deve ser uma imagem diária diante de nossos olhos, e um pensamento constante na nossa mente e no nosso coração.

A frase que aquela senhora me disse tem um sentido profundo: "O Senhor Jesus me ama". Ele exerce sobre mim sua graça e sua misericórdia, oferecendo a mim, volitivamente, o que não mereço e não dando a mim o que mereço, de fato e de verdade.  Uns dias atrás, eu lia Deuteronômio 21. Aprendi com Spurgeon que assim como em cada cidade da Inglaterra há uma estrada para Londres, em cada texto das Escrituras há uma estrada para Cristo. Então, eu lia procurando Cristo e, na verdade, não foi muito difícil encontrá-lo; Cristo estava explícito ali. Ficou ainda mais claro para mim quando uma amiga pediu para que eu explicasse para ela o mesmo texto que eu estava lendo. Cristocidência, acredito. Expus para ela Deuteronômio 21:18-21, que vai tratar acerca dos filhos desobedientes. A lei dizia que se alguém tivesse um filho rebelde e contumaz, que não obedecia à voz de seus pais, e mesmo se eles o castigassem, o filho não desse ouvidos, eles poderiam pegar o filho, levar aos anciãos da cidade, expor para os anciãos a situação de sua rebeldia e, então, os homens da cidade apedrejariam o filho impenitente, até que morresse. Me identifiquei com este filho; me encontrei no texto. Eu era - e sou! - aquele filho rebelde, desobediente a qualquer tipo de correção, que não aceita a disciplina de Deus e, vez após vez, estou me rebelando contra sua santidade. Mas vejo que embora eu seja esse filho impenitente, é outro quem recebe o castigo em meu lugar e, na verdade, o que recebeu o castigo era - e é - o completo oposto de quem eu sou. Ele honrou a seu Pai sendo obediente até o fim, cumpriu toda a lei e, mesmo assim, provou do castigo. "-Ei, este lugar nessa cruz horrivel é meu!", diria eu. "Não, filho, eu morri em seu lugar. Eu paguei o preço por você! você jamais poderia pagar o preço que paguei, e paguei este preço porque te amo", é o que diz Jesus. Somos constrangidos por este amor (IICo 5:14), de maneira tal que, agora, obedecer-lhe não é uma troca, ou uma forma de pagar o que ele fez (algo impossivel, ainda que você fizesse isso por duas eternidades!) ou um cumprimento do ditado "um lava a mão do outro". Nós obedecemos a Cristo pois somos constrangidos pelo seu amor. Este amor nos impele. Este amor pende o nosso coração para amar a Deus acima de todas as coisas. Este amor nos leva a amar. "O amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." (2Coríntios 5.14-15). Você entende isso?

Mas a realidade é que muitos querem um Jesus Salvador e nenhum Jesus Senhor. Querem ir para o céu, mas não querem abrir mão da direção de suas vidas. Embora afirmem nas canções na igreja que Jesus é Rei e Senhor, que ele seja lá, bem longe de mim! Mas a mulher - aliás, a irmã - que encontrei na rua foi bem clara  e concisa: "O SENHOR Jesus me ama". Pedro, em seu primeiro sermão, disse: "saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo" (At 2:36). Ele é Senhor, pois o próprio Deus o constituiu assim! Ele é o Senhor de fato e por direito! Isso faz me lembrar dois textos das Escrituras. O primeiro deles é a fala de Jesus após sua ressurreição: "E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt 28:18). Não uma parte, não um terço, nem seu senhorio é dividido. Tudo é dele! Abraham Kuyper acertou em cheio quando disse que "não há um centímetro deste universo acerca do qual Jesus Cristo não diga: 'É meu'". definitivamente, tudo é dEle e a direção, o senhorio, o comando e a soberania de nossa vida não é diferente. O segundo texto é um dos meu favoritos nas Escrituras: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Fp 2:9-11). Ele é o Senhor! e quando eu sei que ele me amou e que ele é o Senhor, volto a um texto veterotestamentário para tentar explicar o que está na minha cabeça: "[...] se diligentemente guardardes todos estes mandamentos, que vos ordeno para os guardardes, amando ao SENHOR vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes" (Dt 11:22). "Se diligentemente guardardes os mandamentos... amando". O verbo amar está no gerúndio, indicando algo que está acontecendo. Eu vou amando, e então eu guardo. E neste fluir, chego ao outro verso no gerúndio: "andando em todos os seus caminhos [...]". Colocando em ordem, o fato de andar em seus caminhos e de me achegar em sua presença, não é porque eu cumpro a lei ou coisa e tal, mas porque eu o amo. Porque eu amo, lhe obedeço. Porque um dia fui constrangido, e conquistado, e atraído, e arrebatado, posso dizer como Sulamita disse a seu marido: "eu sou do meu amado e o meu amado é meu!" (Ct 6:3). Oh, como quando amamos o  Senhor, obedecer-lhe e seguir-lhe se torna uma alegria incomparável! que o amor e a graça de Deus nos conduza a isto. 
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18 de julho de 2012

Quando obedecer a Deus não parece interessante

"Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor, teu Deus, para cuidares em fazer todos esses mandamentos que hoje te ordeno"
(Deut. 15.5)

Se, se... uma rápida lida no livro de Números, Deuteronômio e outros livros da Bíblia, veremos os Se's. Eles estão espalhados por toda a parte nas Escrituras e, na grande maioria, se trata de bênçãos condicionadas à obediência, como é o caso de Deuteronômio 15.5. O capítulo em específico vai tratar do ano da remissão, em que aquele que tinha emprestado alguma coisa a um de seus irmãos israelitas, no ano da remissão, perdoaria esta dívida. Isso acontecia para que não houvesse pobres em Israel e a promessa era a de que o SENHOR abençoaria abundantemente quando eles entrassem na terra prometida (Dt. 15.4) e no vv.6 continua dizendo que "o SENHOR, o seu Deus, os abençoará conforme prometeu, e vocês emprestarão a muitas nações, mas por nenhuma serão dominadas". Tudo isto com um porém: "Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor, teu Deus, para cuidares em fazer todos esses mandamentos que hoje te ordeno (vv.5). O contexto trata de bênçãos condicionadas ao povo de Israel, mas o princípio é aplicável a nós.

Sabemos das leis, sabemos das promessas, sabemos das bênçãos, tal como o povo de Israel tinha tudo isto em mente. Mas por que você acha que em Israel havia gente pobre (Mc. 14.7), enquanto Deus disse que a observância do princípio do ano da remissão era para que não houvesse pobres? simplesmente porque Israel não foi leal aos mandamentos, e a bem da verdade, nós também não somos. Ao invés de Israel pensar: "bem, estamos no ano da remissão, em que perdoamos dívidas. Que Deus maravilhoso que ergue este princípio em benefício dos pobres!", pensavam assim: "o que é meu é meu e eu não vou ser bobo de dar para outro aquilo que eu comprei com o meu suor". Queremos o que é nosso a todo o custo, mesmo sabendo que estamos no "ano da remissão", em que Cristo pagou, cancelou, invalidou a nossa dívida e então somos reconciliados com Deus. Queremos resolver as coisas com as nossas próprias mãos, mesmo sabendo que as bênçãos decorrentes da obediência à Palavra estão em jogo. Frequentemente, estamos quebrando as regras e transgredindo as leis por acharmos que Deus não é tão sábio assim e a maneira como eu faço, eu quero, eu penso é a que dá certo e resultados imediatos, embora saibamos que nem tudo o que dá certo é correto e bom.

A verdade é que nem sempre os resultados de Deus são imediatos, e isso nos decepciona. Queremos ver as coisas acontecendo agora. Vivemos numa época em que muitos têm uma completa sede por vingança e retribuição, e se foram vilipendiados  e desonrados aqui, querem que os que fizeram isso recebam na mesma medida, agora! querem triunfar e esfregar na cara do "adversário" (que por incrível que pareça não são principados e potestades, como diz Efésios 6.10, mas sim a "carne e o sangue" - pessoas! - transgredindo, assim, o princípio bíblico) a "vitória", enquanto Deus diz: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor" (Rom. 12.19), e essa recompensa não se dará agora e Deus não se "vingará" nesta vida. Isso nos frustra porque queremos ver acontecer com aquele que nos feriu, o mesmo que aconteceu conosco.

Isso é assim porque temos uma visão míope da glória de Deus. Não temos em voga as promessas de Cristo e o tesouro que Deus é para nós, em Cristo Jesus. Na verdade, muitos de nós andamos por vista e não por fé (2Cor. 5.7), olhando para coisas, situações, circunstâncias e vilipêndios enquanto deveríamos nos entregar "Àquele que julga retamente" (1Ped. 2.24). Se crermos que "se somente ouvirmos diligentemente a voz do Senhor e tivermos o cuidado de fazer conforme todos os mandamentos", usufruiremos de bênçãos da parte de Deus, toda a questão será solucionada. Não mais faremos "justiça com as próprias mãos", nem mesmo esperaremos recompensas nesta vida, mas teremos viva a esperança de que, se obedecermos a voz do Senhor, provaremos de bênçãos sem medida na terra que Ele dará por possessão! O problema é que não parece interessante obedecer a Deus quando é a minha vida, o meu lucro, o meu sucesso, o meu ganho, a minha honra, a minha família, a minha comodidade que está em jogo; Não parece interessante obedecer a Deus pois enquanto Ele garante que haverá resultados lá na frente, nós queremos vê-los agora, enquanto Paulo diz que "se esperarmos em Cristo somente nesta vida, somos os mais infelizes entre os homens" (1Cor 15.19), mas Jesus disse que "felizes os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus (Mt. 5.3); "felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará (5.4); "felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês" (Mt. 5. 11, 12a NTLH).

Em Cristo, que sempre recompensa os seus,

Cleison Brügger.
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21 de junho de 2012

O Que o Rio+20 tem a ver com a minha fé?

Dos dias 19 a 22 de junho, líderes dos 193 países que fazem parte da ONU estão reunidos na cidade do Rio para discutir desenvolvimento sustentável. Essa conferência é, de fato, muito importante pois discute a participação política dos países com relação ao desenvolvimento sustentável do planeta. Não é anedota. Todos sabemos que o futuro do planeta está comprometido. Se você for a cidade de São Paulo, por exemplo, perceberá que existe uma densa nuvem negra que cobre a cidade. Não, não é chuva se formando, mas o alto grau de poluição que a cidade alcançou. Bem, ela não é a única, e poluição não é o único problema que o planeta enfrenta.

A Escritura diz que "toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto" (Rm 8.22) e sabemos que isso é assim porque o homem pecou e a Terra foi amaldiçoada por causa dele e, com ela, todas as criaturas. Contudo, Romanos 8.19 diz que a criação, ou a natureza criada, aguarda com grande expectativa a manifestação dos Filhos de Deus. E aí você se pergunta: o que o Rio+20 tem a ver com a minha fé?

O Salmo 24.1,2 diz: "do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi ele quem fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre as águas." O Salmo diz que a terra é do Senhor por direito de criação, pois foi Ele quem a fundou sobre os mares e a firmou sobre as águas (v.2). De fato, "no princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn. 1.1). Sendo assim, a ordem criada não pertence a Satanás, mas a Deus. E se do Senhor é a terra, e nós somos do Senhor, logo, somos mordomos e/ou administradores e deveríamos nos comprometer a administrar adequadamente aquilo que o Senhor criou. Assim, preocupar-se com o futuro do planeta é um começo. Contudo, devemos ser levados a ação, e não apenas elogiarmos os esforços do Greenpeace. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.[1]

Não é meu objetivo dizer para você ser "ecologicamente consciente" e, assim, esquecer do seu próximo, como se cuidar de coisas e não de gente fosse o que importasse. Terminantemente não é isso! Mas, de acordo com o Salmo que lemos, é do Senhor tanto a terra e tudo o que nela existe (plantas, animais, rios, mares, bosques, deserto, selva e natureza como um todo), como o mundo e os que nele vivem (todos os homens). Assim, somos convocados a cuidar e zelar pela criação, demonstrando a glória de Deus em tudo o que fazemos. O amor não deve apenas ser pregado, mas encarnado. Na verdade, é dever de todo cristão tornar o amor de Cristo visível, palpável, tocável e cheirável, na terra. Não é "esquecer dos homens e cuidar das coisas", nem "esquecer das coisas e cuidar dos homens", mas ter o compromisso de cuidar de ambos, visto ser ambos parte integrante do planeta onde vivemos.

Deus ordenou a Adão e Eva que administrassem a terra, tornando-a produtiva e habitável (Gn. 1.26). Desde então, cada homem faz-se responsável pela criação diante do Senhor de toda a terra. Isto equivale dizer que o Evangelho de Cristo não visa apenas salvar o homem do pecado e do Inferno, mas levá-lo a agir como instrumento transformador da sociedade na qual está inserido, pois Deus nos criou como seres sociais para que cuidemos de nós e da terra que Ele nos entregou.[2]

"Deus fez o homem um ser  espiritual, físico e social. Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como 'um corpo-alma em sociedade'"[3] escreveu John Stott. Assim, é nosso dever cuidar do homem todo e todo o homem e do ambiente onde ele vive. Não quero dizer com isso que devemos "construir um mundo melhor e feliz". Isso é ilusão! Mas quero asseverar que enquanto estivermos aqui, devemos fazer todo o bem que estiver em nosso alcance, cuidando do homem criado por Deus e da criação como um todo, zelando para que nenhum mal seja feito àquilo que Deus criou. Não é querer salvar o mundo com as próprias mãos, inspirando-se nos "Vingadores". Não há super-heróis entre nós! Mas há os que são e estão conscientes de que, se fizerem sua parte, estarão contribuindo no todo, pois o todo é confirmado quando cada um, individualmente, faz o que deve ser feito.

Os dois temas em foco da Conferência Rio+20 são: (1) a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e (2) o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Algo no primeiro tema soa muito estranho: a utópica "erradicação da pobreza". diga-me em qual momento da história não houve gente pobre? o próprio Jesus disse que os pobres sempre teríamos conosco (Jo. 12.8). Erradicar a pobreza é impossível, mas minimizá-la ou atenuá-la em nosso contexto é algo ao qual precisamos nos engajar. Atos 4.34, 35 diz que na igreja primitiva "não havia necessitado algum; porque todos os que possuiam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés do apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha". A proclamação do Evangelho e a diaconia (serviço) da igreja eram inseparáveis (At. 4. 34,35; 6. 1-7). Isto fez com que a igreja em Jerusalém caisse na graça do povo (At. 2, 46,47). Que possamos aprender com eles.

Termino com uma frase de C.S. Lewis: "Eu acredito no cristianismo como eu acredito no sol, não por aquilo que ele é, mas que através dele eu posso ver tudo ao meu redor." A verdadeira religião - que, segundo o apóstolo Tiago envolve ação social, Tg. 1.27 - nos leva a confessar Cristo como Senhor na relação de envolvimento com as criaturas e a criação. Como Stott disse, "se Jesus amou o mundo de tal maneira  que entrou nele através da encarnação, como podem seus seguidores  proclamar que amam o mundo procurando escapar dele?." Cuidar da criação é algo ao qual precisamos nos envolver.

Até mais,
Cleison Brügger.

Fontes:
[1] Pacto de Lausanne
[2] Lições Bíblicas, 3º Trimestre de 2011, CPAD.
[3] Stott, John. "Cristianismo Equilibrado". 
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18 de junho de 2012

Cheios do Espírito!


Ninguém, por mais talentoso, persuasivo, dotado, cursado, letrado ou profissional que seja, deveria ter a audácia de se apresentar em nome de Deus sem que, antes, tenha estado com Ele. Ninguém deveria ousar se apresentar no altar do Senhor antes de se apresentar ao Sumo Sacerdote.

Os ministros, ou qualquer um que se põe em posição de sacrifício, deve conscientizar-se de que, ou ele tem do Espírito, ou tudo não passará de tempo perdido! Homens e mulheres só poderão ser poderosos no que fazem de acordo com a consciência de que, sem o Espírito, tudo estará perdido!

Quem sabe muitos desacreditaram do cristianismo em seu nascedouro, tendo como base o fato de que o Senhor havia deixado o apascentamento de Seu santo rebanho nas mãos de homens inscientes? só que o que muitos não sabiam, era que aqueles homens estavam cheios do Espírito Santo! Eles não tinham a preocupação de que alguma coisa daria errado pois eles não usavam métodos humanos e carnais como hoje estamos usando, mas dependiam tão somente do Espírito! Foi porque Pedro estava cheio do Espírito  que teve a ousadia de enfrentar os sacerdotes, os saduceus, e os anciãos de Israel perante o sinédrio, pois o mesmo tinha aquecidas em seu coração as palavras do Senhor: "Mas, quando vos entregarem, nos vos dê cuidado com o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministardo o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós" (Mt. 10. 19,20). Oh, quão poderoso é o homem que se coloca na dependência do Espírito! Quão poderoso é o homem que toma o púlpito depois de ter se esvaziado por completo e de ter se encontrado com o Deus Todo-Poderoso! Se é o Espírito quem convence o homem e se é Ele quem regenera, que as minhas palavras pereçam, mas que as palavras do Espírito emanem do púlpito e aqueça o coração de cada ouvinte. "Não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?" (Lc. 24.32). Ora, não há como ouvir as palavras de Jesus e permanecer inerte! Quando Jesus disse ao morto Lázaro, "Vem para fora!", Lázaro imediatamente obedeceu a sua voz e, mesmo estando morto, saiu da sepultura!

Todos aqueles homens incrédulos que estavam no sinédrio estavam informados de que Pedro e João eram homens iletrados e indoutos, mas eles, vendo a ousadia das palavras dos santos apóstolos, se espantaram e entenderam que aquilo tudo era resultado de uma só coisa: aqueles homens haviam estado com Jesus (At. 4.13). Oh, um ministro cheio do Espírito não é conhecido pela sua capacidade intelectual, de organizar idéias, filosófica ou teológica, mas sim, porque antes, ele esteve com o Senhor! Ah, que sempre que tivermos que nos apresentar aos outros, mesmo quando estivermos nos preparando para levantarmos da cama, que o Espírito nos guie a Cristo e que logo cedo nos encontremos com o Senhor! Que não tenhamos a ousadia de tomarmos qualquer microfone na igreja até que estejamos certificados de que nossa fronte está gotejando da unção do Espírito e que, antes de nos apresentarmos as pessoas, nos certifiquemos de que estivemos com o Senhor! Assim, quem olhar para nós concluirá como concluiram aqueles homens do sinédrio: decerto, antes de estar aqui nos falando, esteve com o Senhor! Olha como sua face resplandece!

Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduz a isto!

Até mais, 
Cleison Brügger.
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31 de maio de 2012

Percorrendo Cantares de Salomão - Parte II

 2ª Parte do estudo de Cantares de Salomão. Você pode ler a 1ª parte aqui.

Ainda passando pelo capítulo 1, percebemos, dos versos 12 ao 16, a agradabilidade mútua existente entre Salomão e Sulamita. No verso 12, a imagem que vem é da importância do assentar-se à mesa. Sulamita diz que "enquanto o rei está assentado à sua mesa", uma alusão ao antigo costume de comer recostado sobre tapeçarias, ao redor de uma mesa baixa, "o meu nardo [de Sulamita] exala o seu perfume". Havia amor sendo expressado até nos momentos da refeição. Ambos estão à mesa. A mesa é importante! Um lugar de comunhão, diálogos, trocas. Nossa época perdeu a noção da importância de assentar-se à mesa com a família. O sofá (junto a TV) ou a cadeira (junto ao PC) tomaram o sagrado lugar da mesa e, assim, não dá para sentir nenhum "nardo exalando". Não há proximidade, e sem proximidade, conhecer alguém é impossivel. Só sentiremos o nardo de nossos pais e filhos (suas qualidades e pontos fortes), se houver proximidade, e a mesa é um bom lugar para isso.

No capítulo 2, a esposa continua falando: "Eu sou a Rosa de Saron" (vv.1). As rosas que ficavam na planície de Saron (chamadas de "Havatselet há Sharon") eram perfumadas de tal modo, que o viajante podia sentir sua fragrância de muito longe. Isso fala de um comportamento ilibado, irrepreensível, que faz com que, de longe, seja apreciado e notado. No cap. 1, Sulamita diz que o nome de seu esposo era como unguento derramado (Ct 1.3), querendo dizer que seu nome tinha um caráter admirável e irrepreensível. Agora, ela se compara as "rosas de Sharon", que exalavam um bom perfume a longa distância. Um casal cujo caráter são ilibados, formará uma família exemplar e que exalará o "bom perfume de Cristo" (2 Co 2.15).

 O esposo responde que "qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas" (vv.2) e a esposa, de igual modo, continua dizendo que "qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar" (vv.3). Perceba que um é agradável ao outro. O texto não mostra uma pessoa cheia de sentimentos e valores tentando encher outra. Pelo contrário, ambos têm atrativos e coisas a elogiarem e dizer: você me fascina por esta razão. Num relacionamento, deve haver uma complementaridade, onde um tem algo a acrescentar ao outro.

Nos vvs. 4-6, vemos o papel de liderança dado ao homem: "levou-me [a esposa] à casa do banquete" (vv.4). "Sustentai-me [a esposa]" (vv.5) e, no vv.6, Sulamita diz: "A Sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a Sua mão direita me abrace". O papel de "levar", "sustentar", exercer autoridade ("mão esquerda debaixo da cabeça") e de cuidar ("mão direita me abrace") é inteiramente do homem. A mulher sempre será alvo disso, e nunca que se trocará os papéis. O apóstolo Pedro, em sua epístola, diz as esposas: "Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de sua mulher" ( I Pe 3.1). A aos maridos: "Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações" (I Pe 3.7).

No vv.7, Sulamita diz: "Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser (NVI)". Infelizmente, muitos têm sido guiados por um "amor de momento", que começa aqui e acaba ali. Tem pressa para desenvolver uma relação íntima apoiada em seus fortes sentimentos. Os frutos disso são diversos, como desilusão amorosa, depressão, descontentamento etc. A falsa-verdade (mentira!) de sair procurando o amor de sua vida, até achar sua cara metade só trará tristeza e desilusão. Os sentimentos não são suficientes para sustentar uma relação duradoura. O verso nos ensina a que deixemos despertar o amor naturalmente. Nada de forçar a barra! Esperar com paciência para que os sentimentos de amor e compromisso se desenvolvam juntos. é o melhor. O tempo certo virá, como vemos alguns versos abaixo:

"O meu amado falou e me disse: Levante-se, minha querida, minha bela, e venha comigo. Veja! O inverno passou; as chuvas acabaram e já se foram" (vvs. 10, 11). Aqui, Salomão chama a esposa para acompanhá-lo. O tempo certo havia chegado, pois "o inverno passou e as chuvas cessaram", por isso ele diz: "Levanta-te [...], venha comigo!". Estas palavras dão a entender que ambos tinham esperado o tempo certo até que chegassem a um estado de maturidade para desfrutarem do compromisso e do amor. Esperar com paciência até que o tempo chegue é o melhor a ser feito! Nada da carroça à frente dos burros! Tudo a seu tempo!

O vv. 15 tem uma lição importante: "Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor". As raposas, no meio da vinha, são identificáveis, mas as raposinhas nem sempre. E são estas que causam maior estrago! Elas arrasam com a plantação! por isso o alerta: "apanhem-nas!". Existem problemas pequenos (as pequenas "raposinhas") que se não forem identificados agora e devidamente corrigidos, mas à frente, trarão problemas e granes devastações. Não deixe para corrigir problemas quando for se casar! corrija-os agora! Seja uma bênção para seu parceiro(a). Não deixe que problemas pequenos  sejam a causa de grandes devastações.

Por fim, Sulamita diz: "O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios" (vv.16). O relacionamento que nos é apresentado na Bíblia é o relacionamento monogâmico, que é o relacionamento matrimonial com apenas um conjuge. O homem não tem uma mulher para satisfazer-se sexualmente, e vice-versa. Deus, logo no início, disse que não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18a) e, por esta razão, deu a Adão uma "ajudadora idônea" (Gn 2.18b), "literalmente, uma auxiliadora que o atenda. Ela teria de partilhar das responsabilidades do homem, corresponder à natureza dele com amor e compreensão, e cooperar de todo o coração com ele na execução do plano de Deus" (Comentário Bíblico Moody). Podemos ver o problemão que Léia enfrentou ao casar com Jacó, pois ela sabia que o amor de Jacó pertencia a Raquel, sua irmã. Léia frequentemente reclamava que não era amada por seu marido (Gn 29.32, 34; 30.20). Assim, é bom ter alguém no nosso lado para chamar de nosso. Nosso, e de mais ninguém! É maravilhoso poder dizer como Sulamita: "O meu amado é meu, e eu sou dele" ou, no caso dos homens, "A minha amada é minha, e eu sou dela". Se você for guiado por Deus a um relacionamento sério, verá o porquê que o adultério, o divórcio, ciúmes e desconfianças são coisas detestáveis para Deus: porque o que Deus uniu, não separe o homem. 

Até mais!

Cleison Brügger
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25 de abril de 2012

O Deus do novo coração

"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito reto" (Salmo 51.10).
O Salmo 51 é a oração confessante de Davi depois de ter cometido o pecado de adultério com Bate-Seba e de homicídio contra Urias, marido de Bate-Seba (cf. 2 Samuel. 12.1-23). Davi, como todo homem, tinha a sua inclinação para fazer o que é mau. Nascemos no pecado ("eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" - vv.5), e é sabido por todos nós que ninguém aprende a pecar. Todos nós nascemos com a natureza pervertida e inclinada para tudo o que é mau, e por isso devemos orar como Davi, a fim de que Deus CRIE em nós um novo coração. Preste atenção no verbo: CRIE. Davi ora a Deus: "cria em mim um coração puro" (vv. 10). O verbo, no hebraico, usado por Davi para "criar" é bara', o mesmo verbo usado em Genêsis 1.1 para dizer que "no princípio criou Deus os céus e a terra". Em outras palavras Davi está dizendo: "assim como a terra e os céus foram criados por Ti do nada, assim crie o Senhor, em mim, um novo coração". A terra era sem forma e vazia, contudo, Deus, em algum momento na eternidade passada, criou! quando nascemos, temos o nosso coração inflamado pelo pecado e pelo desejar daquilo que é ruim. Ninguém vai a Deus porque quer (“ninguém vem a mim [Cristo] se o Pai, que me enviou, não o atrair” - João 6.44), porque a nossa natureza não quer a Deus, mas sim, tudo o que é mau. Mas isso acontece ATÉ que Deus crie um novo coração. Não há nada de bom em nós ATÉ que Deus faça alguma coisa; não existe nenhum vislumbre de santidade em nós ATÉ que Deus venha e nos santifique; o nosso coração está em trevas ATÉ que Deus venha e diga: HAJA LUZ! (e haverá luz!). Quando Davi diz "cria em mim", ele simplesmente está pedindo para que Deus faça existir o que não existe! criar é isso: fazer aquilo que não existe. Não tem luz, mas Deus criou a luz, dizendo HAJA! meu coração está em trevas, mas Deus me deu um novo coração, dizendo: "Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam" (Ez. 37. 1-14).

Perceba que, ao longo do Salmo, Davi clama a Deus: "lave-me" (vv.2-7); "purifica-me" (vv.2b-7); "cria em mim" (vv.10); "renova em mim" (vv.10b). Davi se esvazia de toda suficiência e se coloca na dependência de Deus para que alguma coisa aconteça nele, e é assim que deve ser. Não seremos salvos por que um dia fomos à frente (no apelo na igreja), fizemos uma oração, tomamos a ceia ou vamos com frequência a alguma denominação específica. Seremos salvos, de fato, porque, um dia, Cristo nos lavou, nos purificou, criou em nós um novo coração e nos renovou, renova e continuará a renovar. "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" (2Ts. 3.3). As Escrituras diz: "E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Rm. 8,30). O mesmo Deus que predestina (elegeu antes da fundação do mundo para a salvação), é o mesmo que chama para a salvação, justifica para que seja salvo e glorifica, a fim de que não perca a salvação, mas chegue à glória salvo, santo e justificado.

Já terminando, gostaria de dar uma última olhada no que Davi disse: "renova em mim um espírito reto" (vv.10). Renovar dá a ideia de "limpar o que está novo". ter um "coração novo" não é imunidade contra pecados e erros e, por isso, nossa oração deve ser, todos os dias, "renova-me". Não apenas renova-me, mas, "renova em mim um espírito reto" . Reto quer dizer "estar firme, inabalável, imóvel". Davi quis dizer: "renova-me de tal maneira, dê-me um novo coração tal, que seja quase impossivel o percentual de pecado em mim, visto que estou firme, inabalável e imóvel em Ti". Os que tem muito tempo para Deus, terá pouco tempo para pensar e cometer pecados.


Soli Deo Gloria.

Cleison Brugger.

Salmo 51 na Linguagem de Hoje:

Deus generoso em amor, preciso de tua graça!
Deus imenso em misericórdia, apaga meu passado sujo.
Lava minha culpa e purifica – me dos meus pecados.
Sei que fui muito mau; meus pecados ficam me olhando o tempo todo.
Mas foi a ti que ofendi, e viste tudo:
Sabes a extensão da minha maldade.
Tens todos os fatos diante de ti:
O que decidires a meu respeito será justo.
Andei desgarrado de ti por muito tempo, eu estava no erro já antes de nascer.
O que desejas é a verdade, de dentro pra fora.
Entra em mim, então, e concebe um vida nova e verdadeira.
Purifica – me e sairei limpo; lava – me, como que um esfregão, e terei uma vida branca como a neve.
Põe uma música alegre pra mim, conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Não fique procurando manchas: Cura – me completamente.
Deus faz um novo começo em mim, dedica uma semana para organizar o caos da minha vida – uma nova gênese.
Não me jogues fora com o lixo, nem deixes de soprar santidade em mim.
Traz – me de volta do exílio cinzento, sopra um vento novo em minhas velas!
Dá – me a chance de ensinar os caminhos aos rebeldes, para que os perdidos consigam achar o caminho de casa.
Anula minha sentença de morte, ó Deus da minha salvação, e cantarei músicas a respeito dos teus caminhos.
Põe palavras nos meus lábios, querido Deus, e me abrirei para os louvores.
Fingimentos te desagradam, uma atuação impecável nada é para ti.
Quando meu orgulho é despedaçado é que adoro a Deus de verdade.
O coração quebrantado disposto a amar,
Não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
Transforma Sião num lugar de recreio e repara os muros de Jerusalém.
Então terás de nós adoração verdadeira, atos humildes e grandiosos de adoração.
Até mesmo com todos os touros que conseguirmos sacrificar a ti!

Rei Davi
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19 de abril de 2012

Descansando no poder de Deus

De vez em quando, ouço minha avó cantar um hino do Cantor Cristão que eu sempre achei belíssimo. É o hino 330 HCC, e a letra de seu refrão é a seguinte: "Descansando nos eternos braços do meu Deus, vou seguro, descansando no poder de Deus". Parece simplório, mas o simples citar a frase "descansando no poder de Deus" já me deixa calmo e em paz, e é bom saber que Deus nos convida a descansarmos nEle e em suas promessas.

Descansar no poder de Deus é parar de descansar em nossas próprias forças. "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável" (Jeremias 17.5-6). O Senhor chama de maldito aquele que confia em si mesmo e na força do seu braço e, assim, aparta o seu coração do Senhor. Quem confia em si mesmo descrê do Senhor. Não há conciliação entre confiar em si mesmo e no Senhor! O Salmista disse: "Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus" (Salmo 20.7). Jeremias continua dizendo que o tal homem será como um arbusto no deserto. Sexta passada eu vi uma reportagem nos desertos de Omã; como a vegetação do deserto é seca, sem vida. Somente o orvalho da noite para lhes refrescar - algum tipo de  graça comum -, mas pelo resto do dia é um sol escaldante sob suas folhas.  Bem, é assim que o Senhor define um homem que confia em si mesmo. Ele não pode esperar por ajuda, nem recursos externos, visto estar cheio de si.

Em contrapartida, Jeremias continua dizendo: "Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto" (Jeremias 17.7-8). Diferente das árvores desérticas, o Senhor diz, através de Jeremias, as mesmas palavras que Davi usou para compor seu salmo 1. Quem confia no Senhor é comparado a uma árvore plantada junto às águas, cujas raízes estão inundadas nas águas e quando vem o calor, não precisa temer. Mesmo vindo a seca, ela continua dando frutos e suas folhas estão verdes. Descansar no poder de Deus é ser uma árvore e deixar com que Deus providencie todo o resto. Ele é a fonte! ele manda a chuva, assim como também manda o calor, providencia a vida e a graça para cada dia.

Aos que estão ansiosos, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (I Pe. 5.7). Aos que levam fardos pesados, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (Mateus 11.28). Aos que estão encarcerados, eu lhes digo: descanse no poder de Deus (e.g., Atos 16.25). Você que está tentando se salvar, eu lhes digo: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9), por isso, descanse no poder de Deus! Amado(a), desista de si mesmo, de suas vontades e de suas forças. Paulo disse: "Quando estou fraco, então sou forte" (2 Corintios 12.10), então, que o Senhor nos enfraqueça, para que possamos sugar vida da videira que é Cristo, e então viver. 

O tão conhecido Salmo 91.1 diz: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará". Mudando a ordem deste verso sem que ele perca o sentido, temos: "À sombra do Onipotente descansará, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo". Se você deseja "descansar à sombra do Onipotente", eis o conselho do salmista: "habite no esconderijo do Altíssimo". E onde ele fica? na oração, na abnegação, na renúncia, na nossa fraqueza, na desistência da nossa capacidade e força. O esconderijo do Altíssimo é onde nem o mundo, nem Satanás consegue nos encontrar. O esconderijo do Altíssimo é o lugar oposto ao do mundo. O mundo está mergulhado em deslealdade, nós porém, na lealdade. O mundo está imerso em corrupção, porém nós, na honestidade. O mundo está em trevas, mas nós estamos em luz. Estamos no esconderijo do Senhor, e lá nós somos mudados radicalmente e somos parecidos com o nosso Deus. Onde termina o nossa "zona de conforto" é onde começa o "esconderijo do Altíssimo". Corra para lá e você verá que o simples citar a frase "descansando no poder de Deus" fará todo o sentido para você.

Até mais,
Cleison Brugger.
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17 de abril de 2012

Sacrifícios e sacerdotes: um estudo devocional de Levítico 6. 8-13

TEXTO: Levítico 6. 8-13

Este texto de Levítico fala, especificamente, sobre a lei do holocausto e como o sacerdote deveria fazer, se vestir ou ordenar o sacrificio sobre o altar. de fato, "toda a escritura é proveitosa" (II Tm. 3.16) e há para nós lições preciosas concernente à vida cristã.

O apóstolo Pedro dirá em sua primeira epístola que somos sacerdócio real (I Pe. 2.9). Isso quer dizer que nós apresentamos sacrificios a Deus. "Rogo-vos, pois, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm. 12.1). Tendo isso em mente, somos convidados a olhar para Levítico 6. 8-13 e tirar lições proveitosas de como deve ser nosso relacionamento com o Senhor:

"Dá ordem a Arão e seus filhos, dizendo: esta é a lei do holocausto: o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite, até pela manhã; e o fogo arderá nele" (Lv. 6.9)

É interessante perceber que enquanto Pedro nos apresenta como sacerdotes, ou aquele que ministra - "vóis sois sacerdócio real" (II Pe. 2.9), Paulo diz que somos o sacrificio e que nós mesmos nos apresentamos - "(...) que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus" (Rm. 12.1). Isso diz de uma responsabilidade dupla: tanto o sacerdote como o sacrificio deveriam ser irrepreensiveis. Era uma ordem: o sacerdote deveria estar com suas vestes de linho fino (representando pureza, santificação), e o holocausto deveria ser sem mancha, ou seja, imaculado. Nós nem somos só sacerdotes que ofertamos sacrificios alheios, como também não somos apenas o sacrificio que será ofertado pela mão de outros. Somos a oferta e o ofertante! eu é quem me disponho para o Senhor como sacrificio. Sou eu quem deve queimar sobre o altar. Regozijemo-nos no Senhor!

Voltando para Levítivo 6.9, percebemos que a ordem dada era para que houvesse algo contínuo sobre o altar. O holocausto deveria queimar sobre o altar "toda a noite, até pela manhã", e o verbo, de igual modo, revela uma ação continua: "arderá". O fogo do altar arderá nele. Parece que estou vendo: noite a dentro, e lá está o sacrificio queimando; chega a manhãzinha, e as últimas fagulhas ainda estão lá. Você já viu uma fogueira quase se apagando? há muitas cinzas, mas se alguém mexer, decerto ainda sairá faiscas.
Há quanto tempo não 'ardemos' em oração no altar do Senhor durante uma noite inteira? muitos de nós oramos tão pouco e tão rápido, que quando terminamos, parece que conseguimos ouvir a voz de Jesus perguntando o que perguntou aos apóstolos, na noite do Getsêmani: "Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo?" (Mt. 26.40). Quantos valorizam mais tantas outras coisas do que seu Senhor. Pensam que travar batalhas na oração é enfadonho e não tão necessário assim. Alguns poderão dizer: se eu orar pela noite, acordarei cansado para o trabalho! Engano seu, pois é pela manhã que as misericórdias se renovam (Lm. 3. 21,22). "Os que confiam no Senhor renovarão as suas forças" (Is. 40.31).

Os versos 10 e 11 dão a seguinte ordem: o sacerdote deveria vestir sua veste de linho fino, levantar a cinza e pôr junto ao altar. Logo após, trocaria suas vestes e levaria as cinzas para fora do arraial. Eis uma pergunta para nós: com que vestes eu tenho ministrado o sacrificio? com quais vestes temos orado, nos encontrado com Deus?
Alguns chegam à presença de Deus com vestes farisaicas, cheias de brilhos e detalhes. Muitos vão orar, só para dizer a Deus o quanto são bons, bacanas, quão empenhados na igreja eles têm sido, e - pasmem! - tem gente que se considera tão santa, que vai contar pra Deus os pecados dos outros. A ordem é: troque suas vestes! "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx. 3.5). Na oração, devemos nos despir do eu, dos bens, de quem somos. O que importa é quem Ele é! devemos ir vestidos de panos de saco, e reconhecer nossa miséria, nossa pobreza, nossas injúrias e, neste fluir, reconhecer a grandeza, o poder, a majestade, a bondade e a santidade do Senhor. A cinza deve ser tirada, levada para fora do arraial, assim como as cinzas devem ser tiradas do coração através das palavras que saem pela boca. É na oração que somos renovados, diariamente. É aos pés de Cristo que deixamos quem somos para recebermos quem Ele é.

O verso 12 diz: "O fogo, pois, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele a cada manhã". Lembra que, na introdução, eu disse que somos tanto o sacerdote como o sacrificio? então, vejamos: o sacrificio arde no altar de noite, até pela manhã (e o sacrificio somos nós), e quando chega a manhã, o sacerdote acenderá lenha (e o sacerdote também somos nós), a cada manhã (isto é, todos os dias). Se isto tem lições para nós, decerto quer nos ensinar sobre uma real vida com Deus. "Quando acordo, ainda estou contigo" (Sl. 139.16). "Por Ti estou esperando todos os dias" (Sl. 25.5). Oh, que o Senhor faça nascer em nós o mesmo desejo de Davi no Salmo 42: "Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" (Sl. 42.1-2). De fato, "O Senhor mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida" (Sl. 42.8). Estar com o Senhor nunca é enfadonho ou intediante! "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Ninguém oferece mais que o Senhor!

A ordem era para que o sacerdote acendesse lenha a cada manhã, pois só assim "o fogo arderá continuamente sobre o altar, e não se apagará" (Lv. 6.13). O que nos tem impedido de acendermos a lenha diariamente? os afazeres, a correria do dia-a-dia, o trabalho, o sono? não seja como Marta, que atarefada com as coisas, negligenciou a presença de Jesus. Que tenhamos o espírito de Maria, que soube o que era bom naquele momento, que sabia o que importava. Jesus disse: "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc. 10. 38-42). Se alguém quer que uma fogueira continue com o seu fogo, dará lenha a fogueira. De igual modo, que possamos ter, a cada novo dia, fogo ardendo continuamente sobre o altar, o sacrificio ardendo de noite, até pela manhã. "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef. 5.18). Nisto consiste uma vida cristã ardente e vibrante: nossos encontros com o Senhor não são semanais e efêmeros, mas diários, intensos, noite a dentro e logo de manhãzinha. Temos fome do Altíssimo! Amamos o Senhor! Temos o compromisso de acender lenha pela manhã e queimar como sacrificio de noite, até pela manhã. Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduza a isto.

Cleison Brugger
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5 de abril de 2012

Eu, um cordeiro. Meu Senhor, um pastor.

Lucas 10.3: "Ide; eis que vos mando como cordeiros em meio de lobos"

Na comissão dos 70, Cristo dá uma palavra aos apóstolos que, da perspectiva humana, pode parecer desanimadora e frustrante: "eis que vos envio como cordeiros em meio de lobos". Isso é acentuado ainda mais, visto que, antes disso, há um imperativo: "Ide" (Lc. 10.3a). Com isso, a ideia que é passada é que eles deveriam ir, mesmo sabendo das circunstâncias. Na verdade, Cristo nunca foi um plantador de utopias, pelo contrário, sempre foi aquele que mostrava - e mudava - a realidade.

Contudo, por mais que fosse a revelação da realidade que os apóstolos teriam, a afirmação continua sendo, aparentemente, desanimadora. Não seria melhor ouvir "eis que vos envio como um leão em meio aos cervos" ou "como um cão em meio aos pintinhos"? pelo contrário, Cristo os designa como "animais mais fracos". O mundo é forte. Ele é devorador, tal qual um lobo voraz. Enfrentá-lo não é fácil.

De igual modo, Jesus orienta a que eles nada levassem (10.4) e que dependessem da bondade daqueles que o Pai enviaria para ajudá-los (10. 5-7). Isso me faz lembrar o famoso Salmo 23: "O Senhor é o meu pastor e nada me faltará". A primeira sentença é uma fiel constatação: "O Senhor é o meu pastor", mas a causa da primeira sentença é aliviadora: "nada me faltará". Então, vejamos: eu sou um cordeiro, estou no meio de lobos que podem me devorar, Cristo é um bom pastor que "segundo as suas riquezas, suprirá todas as nossas necessidades em glória, por Cristo Jesus." (Filipenses 4.19).

Jesus assevera que aqueles que nos derem ouvidos, a Ele estarão ouvindo, e quem nos rejeitar, estarão rejeitando a Ele também, e quem O rejeita, rejeita também ao Pai, que o enviou (10.16). Não é maravilhoso saber que estamos tão ligados a Cristo que aqueles que a nós fazem bem ou mal, a Ele é que estão fazendo também? Isso acontecerá na conversão de Saulo. Ele, encontrando com Jesus no caminho, é questionado: "Saulo, Saulo, porque me persegues?". No que Saulo diz: "quem és, Senhor?" e Jesus afirma: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (At 9.3-6). Na verdade, Saulo perseguia a igreja, os irmãos, os da seita "do caminho". Entretanto, Jesus afirma que a causa de seus filhos também é a dele. Ele defende os seus. Não nos deixa sozinhos. "Ai daquele que escandalizar um desses pequeninos que em mim crêem" (Mt. 18.6). Somos ramos ligados à videira (Jo. 15.4). Estamos numa mesma sintonia. Sugamos vida do caule que é Cristo. Dependemos dele para viver, pois toda a vara que nele não dá frutos, é cortada e lançada fora (Jo. 15.6).

De fato, não apenas a companhia ininterrupta do Senhor nos é dada (Mt. 28.20), como também, nos é outorgado o seu poder e nos é concedido a autoridade de seu nome. Perceba que nada é nosso. Somos convidados a nada levar, a casa que repousaremos não é nossa. Todavia, é possivel que nos gloriemos, mesmo usando algo que não nos pertence. Assim, Cristo diz: "Alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus" (10.20). Vemos nesta afirmação pelo menos duas assertivas: 1) ter o nome escrito nos céus é um motivo e tanto para se alegrar; 2) por mais que, aparentemente, o exercício dos dons pareça ser fascinante a vista dos outros, é bom lembrarmos que o mundo continua sendo um péssimo lugar para firmar residência. Ele ainda continua sendo um lobo voraz. Por esta razão, devemos andar aqui, com a cabeça acolá. Trabalhando aqui para entesourar coisas no céu. Vivendo aqui, com saudades do lar eterno.

Até mais,
Cleison Brügger.
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