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4 de março de 2013

A justiça de Deus

 Por Cleison Brugger

A justiça de Deus é o Seu alto compromisso em fazer o que é justo e certo. É a decisão honesta de Deus diante dos fatos. Justiça é o que Ele é e faz, deste toda a eternidade. Não existe ninguém cujo caráter seja mais reto e cuja decisão seja mais fidedigna do que Deus. As Escrituras ensinam que a base do trono de Deus são justiça e juízo (Salmo 89:14), e é interessante saber disso pois será diante do Grande trono branco que acontecerá o julgamento. Assim, se o trono de Deus tem como lema "justiça e juízo" e se todos nós somos culpados diante de Deus, logo, deveríamos estremecer diante do fato que se aproxima: o grande e terrível dia do Senhor, em que Ele há de julgar vivos e mortos.

Conquanto as Escrituras nos dê evidências massantes a respeito deste atributo de Deus, muitos tentam colocar a justiça de Deus em xeque. Quando soube que Deus destruiria a cidade de Sodoma, Abraão parece colocar a ilibada justiça de Deus em jogo, perguntando: "destruirás também o justo com o ímpio?" (Gn. 18:23). Isso é o mesmo que perguntar a uma mãe que acabou de gerar: "você vai colocar veneno na mamadeira do seu filho?". Ambas as perguntas são uma afronta! A pergunta de Abraão desconsidera completamente o caráter justo de Deus. É óbvio que Deus JAMAIS destruiria o justo com o ímpio.

Porém, Abraão diz mais à frente: "Longe de Ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de Ti seja; Não faria justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn. 18:25). Agora Abraão reconquista o meu respeito. Ele entende que, como está longe o extremo norte do extremo sul, assim está longe de Deus tratar o justo como se fosse um ímpio.

Jeremias já tem uma teologia sólida e bem definida sobre a justiça de Deus, e então diz: "Justo serias, Senhor, ainda que eu entrasse contigo num pleito" (Jr. 12:1a). Ele não tinha qualquer dúvida a respeito do quão justo Deus é. "Contudo", ele continua, "falarei contigo dos teus juízos" (Jr. 12:1b). Jeremias está dizendo: "Sei que Tu és completamente justo, não há o que questionar nisso. Somente quero entender como ela funciona". E então ele questiona: "por que prospera o caminho dos ímpios e vivem em paz todos os que cometem o mal aleivosamente?" (Jr. 12:1c). Esse questionamento de Jeremias se assemelha ao de Asafe no Salmo 73. Asafe encontrou resposta quando entrou no santuário de Deus (Sl. 73:15) e se você já leu este salmo, sabe bem a resposta.

É importante entender que não importa os caminhos que a justiça de Deus toma, Ele sempre será perfeitamente justo. mas há de se confessar que, muitas vezes, a justiça de Deus é de difícil compreensão. O lugar onde fica mais difícil de entender a justiça de Deus é na cruz. Alí, parece que a maior injustiça que alguém poderia ter cometido, aconteceu. No Antigo Testamento, o princípio que vigora é o seguinte: o inocente vive e o culpado morre. O problema é que Paulo diz que "não há um justo, nem um sequer" (R. 3:10), logo, todos somos culpados e devemos morrer, pois a justiça de Deus exige isso. Porém, na cruz, Deus mata seu inocente filho para salvar culpados, ímpios, injustos, e isso cheira a injustiça porque aquele que jamais conheceu pecado agora está morrendo como se fosse o pior dos pecadores.

Mas as Escrituras diz que "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nEle fôssemos feitos justiça de Deus" (II Co. 5:21). Cristo se fez maldição por nós (Gl. 3:13), de modo que aquilo que é nosso - nossos pecados e transgressões - é contado como sendo dEle e o que é dEle, pela fé, é contado como nosso. Deus matou Seu precioso Filho porque enxergara nEle a podridão dos nossos pecados, e Deus nos salva porque enxerga em nós a perfeição de Seu Filho imputada em nós pela fé de modo que, agora, Deus não perdoar pecadores que põe a fé em Cristo como Salvador seria uma injustiça, visto que, na cruz, Cristo rasgou o escrito da nossa dívida pagando o preço por nós e em nosso lugar (Cl. 2:14). Logo, a justiça de Deus é sanada e nós podemos ser salvos. Neste fluir, como filhos, somos ordenados a ter "fome e sede de justiça" (Mt. 5:6), a fim de nos assemelharmos com Deus cujo caráter é justo desde toda a eternidade.


Quão grande Deus servimos e quão  grande Salvador temos! Solus Christus! Soli Deo Gloria!
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27 de fevereiro de 2013

Há coisas que Deus não pode

Texto: Gênesis 18:1-16

Não devemos rir, nem duvidar de quando o Senhor diz que fará coisas. Isso seria zombar da Sua fidelidade e tornar a verdade de Deus em engano. Por mais improvável que pareça devemos confiar, não porque coisas improváveis costumam acontecer com certa frequência na ordem das coisas, mas porque o Senhor o disse!

Abraão, com toda a hospitalidade, se esforça para que os varões que lhe apareceram permaneçam com ele. Nunca deve-se desperdiçar a visita do Senhor em nossa casa! um banquete foi preparado por Abraão: enquanto Sara está na tenda fazendo bolos (Gn. 18:6), um moço se apressa em preparar a vitela (Gn. 18:7). Depois de comerem, Abraão ouve do Senhor: "certamente tornarei a ti (...)" (vv.10a). Uma boa recepção faz com que visitantes ilustres retornem. Abraão entendeu isso. E o Senhor disse que retornaria com um presente, uma surpresa: "(...) tornarei a ti por este tempo de vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho" (vv.10b). Agora, há um dilema na história: enquanto Abraão creu, Sara riu.

Abraão se esforça para bem receber os três varões, onde um deles era o próprio Senhor, mas Sara, ao contrário de Abraão, é indelicada com as mui dignas visitas. Sara comete dois pecados: 1º - duvida da fidelidade de Deus quando ri da promessa (Gn. 18:12). Abraão trabalha para bem recebê-los e Sara, na sua primeira oportunidade, desonra o caráter de Deus. Paulo diz que Deus é fiel porque não pode negar-se a si mesmo (2 Tm. 2:13). Fidelidade define o caráter sacrossanto de Deus. Deus tem um alto compromisso com o que fala. Ele vela sobre a sua palavra para a cumprir (Jr. 1:11). Sara, por ter uma péssima teologia, estava desonrando o caráter do Deus Eterno. Mas ela não para por aí.

O Senhor questiona a Abraão o porquê do riso de Sara (Gn. 18:13). "Não entendi o riso de sua esposa, Abraão. Acaso ela pensa que eu não posso fazer o que disse?" (vv. 13, 14a) e então o Senhor reafirma a Sua promessa: "ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo de vida, e Sara terá um filho" (Gn. 18:14). A essa altura, Sara deveria ter se arrependido de seu riso debochado e infame e aprendido a lição, mas ela comete um segundo pecado, mais uma vez contra o caráter de Deus. "E Sara negou, dizendo: não me ri, porquanto temeu. E Ele disse: não digas isso, porque te riste" (Gn. 18:15). Sara não conhece a Deus, tem uma péssima teologia - uma das piores, em toda a Bíblia - e pensa que Deus é um moleque, alguém igual a ela. Primeiro, ofende a Deus dizendo com um risinho cínico que Ele não é fiel e agora o desonra dizendo que ele é um mentiroso. Sara coloca Deus em xeque: "você não é tão poderoso, capaz de me dar um filho, nem sabedor de tudo, capaz de saber se ri ou não, estando tu aqui e eu, dentro da tenda".

Há duas coisas que Paulo diz que Deus NÃO PODE: Por ser fiel, NÃO PODE negar a si mesmo, como dito acima (2 Tm. 2:13) e a outra coisa está em Tito 1:2: "em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos". Paulo aqui atrela a fidelidade e a verdade de Deus. Deus NÃO PODE mentir porque isso seria negar o que Ele é, por toda a eternidade: o Deus de toda a verdade. Jesus afirmou ser a verdade (Jo. 14:6) e no Apocalipse ele é chamado de A Testemunha fiel e Verdadeira (Ap. 3:14). Fiel e verdadeiro é o que Deus é, por toda a eternidade. Sara não entendia isso, mas era incrédula, descrente e ignorante acerca do caráter de Deus.

Muitas vezes somos incrédulos porque desconhecemos a Deus. O que Deus faz é expressão de quem Ele é. Se Ele cumpre o que promete é porque Ele é fiel. Se o que disse aconteceu é porque sua Palavra é a verdade. Não é que Deus seja refém da sua própria vontade, mas porque Ele tem um alto compromisso com a glória do Seu nome e com a honra do seu Ser, logo, tudo o que promete cumpre, até mesmo o assassinato de Seu filho, prometido desde antes da fundação do mundo (Ap. 13:8).
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12 de novembro de 2012

Prazer, evangelho! (parte 1)

por Cleison Brügger

Olá! esses dias eu pensava sobre o pecado e suas implicações. E no caminho (eu estava andando e pensando), percebi que, na verdade, quando se pensa em pecado (um grande problema!), pensa-se numa solução para ele. E a solução para o pecado é o Evangelho. Então, resolvi dividir um texto único em quatro partes, em que falo sobre (1) pecado, (2) a necessidade do Inferno, (3) a necessidade de um Salvador e  (4) como esse Salvador nos salva do pecado. 

Então, para entendermos sobre como somos salvos do pecado, precisamos entender o que ele é. Leia até o final!

PECADO

O pecado não é algo que vem como um mensageiro, mas que está como um residente. Ele não resulta de fatores externos, ou se parece com uma energia impessoal, mas sim, de impulsos internos definidos. Portanto, não podemos dizer que fomos aleatoriamente atingidos pelo mal, como quem toca numa tomada e leva, de imediato, um choque. Jesus disse que “a boca fala do que coração está cheio” (Mateus 12:34). Quando, por exemplo, alguém fala coisas obcenas e imorais, esse alguém não pode colocar a culpa na influência externa ou no contexto dizendo: “essa roda de amigos me influencia a falar desta maneira”. Seu falar obceno é fruto do que está arraigado no seu próprio coração. Assim sendo, embora exista, de fato, um certo tipo e uma certa medida de infuência ao erro, nosso poderoso coração enganoso nem sempre precisa ser influenciado. Ele mesmo procura meios, métodos, maneiras e ocasiões para pecar. Não é algo que vem, é algo que está! E está não detido apenas no coração, mas em conexão com cada um dos nossos sentidos: um olhar, um toque, algo que ouvimos ou até mesmo um cheiro atraente nos faz pecadores assumidos e independentes.

Agora você entende o porquê que o chamado de Cristo é para que abandonemos o nosso “Eu”? e quem é o “Eu”? 

Costumo responder “sou eu” quando me são apresentadas características inerentes a minha personalidade, que define quem eu sou. Na verdade, o “Eu” é tudo o que somos. É o conjunto de tudo aquilo que nos forma e define. E Cristo ordena que abandonemos o nosso “Eu”! por que? Porque o “Eu” – o meu eu, o seu eu – está arruinado, falido, completamente depravado e inclinado para fazer o mal e somente o mal. Tão logo, ele vive – e se agrada em viver – em declarada rebeldia contra a majestade de Deus, seu Criador.

Sabendo que “do coração procede as saídas da vida” (Provérbios 4:23), entendendo que o coração está completamente falido moral e espiritualmente e concordando que o pecado não é uma influência externa, mas que faz parte do que somos e que não vem de dia em dia, mas que está aqui, a cada vez que olhamos, sentimos, pensamos ou tocamos, então chegamos ao porquê do Inferno ser necessário e porquê precisamos de um Salvador.

Mas isso, é assunto pra outra hora. Até o próximo post.
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11 de setembro de 2012

Considerações acerca de uma conversa com uma Testemunha de Jeová

  Hoje, parei para conversar mais demoradamente com o seu Almir, que está fazendo obras lá na empresa. É uma pessoa muito agradável, bom de papo, bem humorado. E enquanto desenrolava a conversa, percebia-se no que ele acreditava. Se intencionalmente, não sei. Mas sei que hoje conversei com um discípulo das Testemunhas de Jeová. Ele falava muito e cortava muito quando eu começava a falar. Não havia tempo para as minhas argumentações. Confesso que falhei um pouco em demonstrar e defender a honra de Cristo acima de todas as coisas, muito embora eu tenha tentado consertar seus equívocos doutrinários. Mas hoje me serviu para rever o que, de fato, creio e também, aprender um pouco com o seu Almir sobre como devo procurar uma brecha para o evangelho nas minhas conversas com outras pessoas.

Primeiramente, a ideia que seu Almir tem de pecado é aquela passada por Adão e Eva: a serpente me enganou e eu comi. Segundo ele, nossos pecados são sempre uma influência externa, uma armadilha do maligno. Só que talvez ele não entenda que nós somos um pouco diferentes de Adão e Eva: os primeiros humanos, dotados de livre-arbítrio (que deve ser entendido como a capacidade natural de escolher entre o bem e o mal, e não liberdade de escolha comum, como alguns acreditam), escolheram pessoal, racional e intencionalmente o comer do fruto proibido. A serpente influenciou, mas não forçou. A partir dali, nenhum de nós precisamos de influências externas, pois cada homem é totalmente corrompido em si mesmo e todo o seu esforço está em escolher o que é mal. "Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). Assim, embora Satanás tenha um papel importante na destruição e ruina do homem, o homem se destrói por si só. Sua total (e não parcial) inclinação ao pecado faz com que ele não precise de estímulos externos; ele grita pelo pecado!  E se assim não fosse, não seria necessário o julgamento de Adão e Eva e o julgamento de todos os homens no Grande Dia. Como nos julgariam se eu não peco por que quero, mas porque sou influenciado e uma "sementinha" é plantada no meu coração pelo maligno? ao contrário disso, todos nós seremos julgados pois somos individual, pessoal, racional e decisivamente responsáveis pelos nossos pecados.

Em seguida, o seu Almir veio com a ideia de que Jesus é Miguel, o arcanjo, e vindo ele à terra é aquele bom exemplo a ser seguido. Esta é uma velha heresia dos TJ. Hebreus 1.4 afirma que Cristo é superior aos anjos. Isso quer dizer que até mesmo o poderoso arcanjo Miguel responde e se submete a autoridade suprema de Cristo. Prova disso é o relato do apóstolo Judas em sua carta, em que Miguel discutia com Satanás acerca do corpo de Moisés. Por fim, Miguel repreende a Satanás dizendo: "O Senhor te repreenda" (Jd 6). Miguel entende que somente no nome de Cristo, que é seu Senhor, há autoridade para repreender até mesmo o príncipe dos demônios. E este que é superior aos anjos é tremendo em santidade, pois é o Filho primogênio, santo e eterno de Deus. Vindo ele à terra como homem (Fp 2.6), mas sendo inteira, plena, absoluta e perfeitamente Deus (Jo 1.1; 1.14), ele proveu para nós a justiça que precisávamos e absorveu na cruz da ira do Deus Todo-Poderoso. Aquele que é supremamente superior viveu, como homem, uma vida perfeita e então, pode apresentar a Deus um sacrifício perfeito. "Àquele que não conheceu pecado, se fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (II Co 5.21).  Cristo apresentando um sacrifício perfeito, provê uma redenção não parcial, mas completa. Este Sumo-sacerdote é eterno e seu sacrifício apresentado foi perfeito. Ele não é um bom exemplo a ser seguido porque ninguém jamais conseguiria viver a vida que ele viveu e morrer sua morte mas, porque ele morreu por nós, podemos viver uma vida de conformidade à sua imagem. Nele, somos restaurados ao propósito inicial do Éden.

E então, chegamos a famosa ideia russelita de que "os mansos herdarão a terra" (Sl 37.11). Seu Almir disse uma frase: "os santos herdarão os céus, mas os mansos herdarão a terra". Bem, com isso talvez ele queria dizer que não importa se você não viveu uma vida de entrega completa a Deus, mas se você faz o bem, não dá calote, é calmo, sorridente, há uma nova terra te esperando! mas, na verdade, quando leio que "os mansos herdarão a terra", me recordo das palavras do Senhor: "aprendei de mim que sou manso e humilde" (Mt 11.29). Em outras palavras, herdarão  a terra aqueles que vieram a Cristo ("Vinde a mim todos vós", Mt 11.28) e foram conformados à sua imagem. O próprio Jesus é quem faz a promessa: "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mateus 5.5). Pedro, o apóstolo, diz: "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3:13), mas quando leio isso, a imagem que vem certamente não é aquela apresentada pelas revistas da Torre de Vigia. A palavra usada para novo, no texto original, é kainos e kainos fala de algo jamais visto antes, de algo completamente novo!  Deus não mudaria os céus, pois o mesmo já é perfeito, visto ser sua habitação. "Novos céus e nova terra" certamente fala de um lugar  perfeitamente preparado para os santos. Leia bem os santos! Não há separação entre "os santos e os mansos" ou "os santos e os justos". "Sem santificação ninguém verá o Senhor" é o que diz Hebreus 12.14, e a eternidade próxima é marcada por uma esperança: todos os habitantes dali poderão ver e contemplar a Cristo face a face (I Co 13.12). Em Apocalipse 21 fala sobre a cidade santa, e a cidade é chamada santa por causa do caráter e a essência dos seus moradores.

Voltando ao assunto de Miguel, enquanto o seu Almir me contava a história de Daniel 10, em que Miguel é enviado por Deus para lutar com o príncipe do reino da Pérsia, um demônio, percebi que ele contava com entusiamo como Miguel lutou persistentemente por 21 dias e derrotou seu inimigo (esse relato é bíblico, e pode ser lido em Daniel 10. 1-14). Ele me disse: "Miguel não voltou até o céu depois de três dias e disse a Jeová: não está dando! Ele lutou com persistência, e mesmo que fosse por mil anos ele lutaria". Confesso que, ao ouví-lo, veio a minha cabeça Miguel como sendo um possivel tipo de Cristo nesta passagem, mas lembrei que o seu Almir não estava pensando como eu: na concepção dele, Miguel não era tipo nenhum, mas o próprio Cristo! como eu sempre estou buscando brechas para ir até Cristo nos textos bíblicos, tentei ir nesta passagem e desisti da ideia de ter Miguel como um tipo. Definitivamente não é! Fui um completo tolo em pensar assim e me arrependo. Então, percebi que Miguel não é um tipo, mas um completo contraste. Se fosse um tipo, que Cristo fraco! o arcanjo levou 21 dias na luta contra o seu adversário. Cristo em sua morte e ressurreição, venceu em definitivo a morte, o Inferno, o diabo, o pecado e então o Christus Victor (Cristo Vencedor) pode dizer ousadamente: "onde está, morte, o teu aguilhão? onde está, inferno, a tua vitória?" (I Co 15.55). Isto é assim pois todo o poder foi outorgado a Cristo nos céus e na terra. E então, anjos, arcanjos, homens e demônios juntamente se prostram e confessam que Jesus Cristo é o Senhor. Toda a lingua deve confessar o senhorio de Cristo, o Salvador perfeito.

Cleison Brugger
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25 de abril de 2012

O Deus do novo coração

"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito reto" (Salmo 51.10).
O Salmo 51 é a oração confessante de Davi depois de ter cometido o pecado de adultério com Bate-Seba e de homicídio contra Urias, marido de Bate-Seba (cf. 2 Samuel. 12.1-23). Davi, como todo homem, tinha a sua inclinação para fazer o que é mau. Nascemos no pecado ("eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" - vv.5), e é sabido por todos nós que ninguém aprende a pecar. Todos nós nascemos com a natureza pervertida e inclinada para tudo o que é mau, e por isso devemos orar como Davi, a fim de que Deus CRIE em nós um novo coração. Preste atenção no verbo: CRIE. Davi ora a Deus: "cria em mim um coração puro" (vv. 10). O verbo, no hebraico, usado por Davi para "criar" é bara', o mesmo verbo usado em Genêsis 1.1 para dizer que "no princípio criou Deus os céus e a terra". Em outras palavras Davi está dizendo: "assim como a terra e os céus foram criados por Ti do nada, assim crie o Senhor, em mim, um novo coração". A terra era sem forma e vazia, contudo, Deus, em algum momento na eternidade passada, criou! quando nascemos, temos o nosso coração inflamado pelo pecado e pelo desejar daquilo que é ruim. Ninguém vai a Deus porque quer (“ninguém vem a mim [Cristo] se o Pai, que me enviou, não o atrair” - João 6.44), porque a nossa natureza não quer a Deus, mas sim, tudo o que é mau. Mas isso acontece ATÉ que Deus crie um novo coração. Não há nada de bom em nós ATÉ que Deus faça alguma coisa; não existe nenhum vislumbre de santidade em nós ATÉ que Deus venha e nos santifique; o nosso coração está em trevas ATÉ que Deus venha e diga: HAJA LUZ! (e haverá luz!). Quando Davi diz "cria em mim", ele simplesmente está pedindo para que Deus faça existir o que não existe! criar é isso: fazer aquilo que não existe. Não tem luz, mas Deus criou a luz, dizendo HAJA! meu coração está em trevas, mas Deus me deu um novo coração, dizendo: "Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam" (Ez. 37. 1-14).

Perceba que, ao longo do Salmo, Davi clama a Deus: "lave-me" (vv.2-7); "purifica-me" (vv.2b-7); "cria em mim" (vv.10); "renova em mim" (vv.10b). Davi se esvazia de toda suficiência e se coloca na dependência de Deus para que alguma coisa aconteça nele, e é assim que deve ser. Não seremos salvos por que um dia fomos à frente (no apelo na igreja), fizemos uma oração, tomamos a ceia ou vamos com frequência a alguma denominação específica. Seremos salvos, de fato, porque, um dia, Cristo nos lavou, nos purificou, criou em nós um novo coração e nos renovou, renova e continuará a renovar. "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" (2Ts. 3.3). As Escrituras diz: "E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Rm. 8,30). O mesmo Deus que predestina (elegeu antes da fundação do mundo para a salvação), é o mesmo que chama para a salvação, justifica para que seja salvo e glorifica, a fim de que não perca a salvação, mas chegue à glória salvo, santo e justificado.

Já terminando, gostaria de dar uma última olhada no que Davi disse: "renova em mim um espírito reto" (vv.10). Renovar dá a ideia de "limpar o que está novo". ter um "coração novo" não é imunidade contra pecados e erros e, por isso, nossa oração deve ser, todos os dias, "renova-me". Não apenas renova-me, mas, "renova em mim um espírito reto" . Reto quer dizer "estar firme, inabalável, imóvel". Davi quis dizer: "renova-me de tal maneira, dê-me um novo coração tal, que seja quase impossivel o percentual de pecado em mim, visto que estou firme, inabalável e imóvel em Ti". Os que tem muito tempo para Deus, terá pouco tempo para pensar e cometer pecados.


Soli Deo Gloria.

Cleison Brugger.

Salmo 51 na Linguagem de Hoje:

Deus generoso em amor, preciso de tua graça!
Deus imenso em misericórdia, apaga meu passado sujo.
Lava minha culpa e purifica – me dos meus pecados.
Sei que fui muito mau; meus pecados ficam me olhando o tempo todo.
Mas foi a ti que ofendi, e viste tudo:
Sabes a extensão da minha maldade.
Tens todos os fatos diante de ti:
O que decidires a meu respeito será justo.
Andei desgarrado de ti por muito tempo, eu estava no erro já antes de nascer.
O que desejas é a verdade, de dentro pra fora.
Entra em mim, então, e concebe um vida nova e verdadeira.
Purifica – me e sairei limpo; lava – me, como que um esfregão, e terei uma vida branca como a neve.
Põe uma música alegre pra mim, conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Não fique procurando manchas: Cura – me completamente.
Deus faz um novo começo em mim, dedica uma semana para organizar o caos da minha vida – uma nova gênese.
Não me jogues fora com o lixo, nem deixes de soprar santidade em mim.
Traz – me de volta do exílio cinzento, sopra um vento novo em minhas velas!
Dá – me a chance de ensinar os caminhos aos rebeldes, para que os perdidos consigam achar o caminho de casa.
Anula minha sentença de morte, ó Deus da minha salvação, e cantarei músicas a respeito dos teus caminhos.
Põe palavras nos meus lábios, querido Deus, e me abrirei para os louvores.
Fingimentos te desagradam, uma atuação impecável nada é para ti.
Quando meu orgulho é despedaçado é que adoro a Deus de verdade.
O coração quebrantado disposto a amar,
Não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
Transforma Sião num lugar de recreio e repara os muros de Jerusalém.
Então terás de nós adoração verdadeira, atos humildes e grandiosos de adoração.
Até mesmo com todos os touros que conseguirmos sacrificar a ti!

Rei Davi
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17 de abril de 2012

Sacrifícios e sacerdotes: um estudo devocional de Levítico 6. 8-13

TEXTO: Levítico 6. 8-13

Este texto de Levítico fala, especificamente, sobre a lei do holocausto e como o sacerdote deveria fazer, se vestir ou ordenar o sacrificio sobre o altar. de fato, "toda a escritura é proveitosa" (II Tm. 3.16) e há para nós lições preciosas concernente à vida cristã.

O apóstolo Pedro dirá em sua primeira epístola que somos sacerdócio real (I Pe. 2.9). Isso quer dizer que nós apresentamos sacrificios a Deus. "Rogo-vos, pois, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm. 12.1). Tendo isso em mente, somos convidados a olhar para Levítico 6. 8-13 e tirar lições proveitosas de como deve ser nosso relacionamento com o Senhor:

"Dá ordem a Arão e seus filhos, dizendo: esta é a lei do holocausto: o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite, até pela manhã; e o fogo arderá nele" (Lv. 6.9)

É interessante perceber que enquanto Pedro nos apresenta como sacerdotes, ou aquele que ministra - "vóis sois sacerdócio real" (II Pe. 2.9), Paulo diz que somos o sacrificio e que nós mesmos nos apresentamos - "(...) que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus" (Rm. 12.1). Isso diz de uma responsabilidade dupla: tanto o sacerdote como o sacrificio deveriam ser irrepreensiveis. Era uma ordem: o sacerdote deveria estar com suas vestes de linho fino (representando pureza, santificação), e o holocausto deveria ser sem mancha, ou seja, imaculado. Nós nem somos só sacerdotes que ofertamos sacrificios alheios, como também não somos apenas o sacrificio que será ofertado pela mão de outros. Somos a oferta e o ofertante! eu é quem me disponho para o Senhor como sacrificio. Sou eu quem deve queimar sobre o altar. Regozijemo-nos no Senhor!

Voltando para Levítivo 6.9, percebemos que a ordem dada era para que houvesse algo contínuo sobre o altar. O holocausto deveria queimar sobre o altar "toda a noite, até pela manhã", e o verbo, de igual modo, revela uma ação continua: "arderá". O fogo do altar arderá nele. Parece que estou vendo: noite a dentro, e lá está o sacrificio queimando; chega a manhãzinha, e as últimas fagulhas ainda estão lá. Você já viu uma fogueira quase se apagando? há muitas cinzas, mas se alguém mexer, decerto ainda sairá faiscas.
Há quanto tempo não 'ardemos' em oração no altar do Senhor durante uma noite inteira? muitos de nós oramos tão pouco e tão rápido, que quando terminamos, parece que conseguimos ouvir a voz de Jesus perguntando o que perguntou aos apóstolos, na noite do Getsêmani: "Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo?" (Mt. 26.40). Quantos valorizam mais tantas outras coisas do que seu Senhor. Pensam que travar batalhas na oração é enfadonho e não tão necessário assim. Alguns poderão dizer: se eu orar pela noite, acordarei cansado para o trabalho! Engano seu, pois é pela manhã que as misericórdias se renovam (Lm. 3. 21,22). "Os que confiam no Senhor renovarão as suas forças" (Is. 40.31).

Os versos 10 e 11 dão a seguinte ordem: o sacerdote deveria vestir sua veste de linho fino, levantar a cinza e pôr junto ao altar. Logo após, trocaria suas vestes e levaria as cinzas para fora do arraial. Eis uma pergunta para nós: com que vestes eu tenho ministrado o sacrificio? com quais vestes temos orado, nos encontrado com Deus?
Alguns chegam à presença de Deus com vestes farisaicas, cheias de brilhos e detalhes. Muitos vão orar, só para dizer a Deus o quanto são bons, bacanas, quão empenhados na igreja eles têm sido, e - pasmem! - tem gente que se considera tão santa, que vai contar pra Deus os pecados dos outros. A ordem é: troque suas vestes! "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx. 3.5). Na oração, devemos nos despir do eu, dos bens, de quem somos. O que importa é quem Ele é! devemos ir vestidos de panos de saco, e reconhecer nossa miséria, nossa pobreza, nossas injúrias e, neste fluir, reconhecer a grandeza, o poder, a majestade, a bondade e a santidade do Senhor. A cinza deve ser tirada, levada para fora do arraial, assim como as cinzas devem ser tiradas do coração através das palavras que saem pela boca. É na oração que somos renovados, diariamente. É aos pés de Cristo que deixamos quem somos para recebermos quem Ele é.

O verso 12 diz: "O fogo, pois, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele a cada manhã". Lembra que, na introdução, eu disse que somos tanto o sacerdote como o sacrificio? então, vejamos: o sacrificio arde no altar de noite, até pela manhã (e o sacrificio somos nós), e quando chega a manhã, o sacerdote acenderá lenha (e o sacerdote também somos nós), a cada manhã (isto é, todos os dias). Se isto tem lições para nós, decerto quer nos ensinar sobre uma real vida com Deus. "Quando acordo, ainda estou contigo" (Sl. 139.16). "Por Ti estou esperando todos os dias" (Sl. 25.5). Oh, que o Senhor faça nascer em nós o mesmo desejo de Davi no Salmo 42: "Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" (Sl. 42.1-2). De fato, "O Senhor mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida" (Sl. 42.8). Estar com o Senhor nunca é enfadonho ou intediante! "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Ninguém oferece mais que o Senhor!

A ordem era para que o sacerdote acendesse lenha a cada manhã, pois só assim "o fogo arderá continuamente sobre o altar, e não se apagará" (Lv. 6.13). O que nos tem impedido de acendermos a lenha diariamente? os afazeres, a correria do dia-a-dia, o trabalho, o sono? não seja como Marta, que atarefada com as coisas, negligenciou a presença de Jesus. Que tenhamos o espírito de Maria, que soube o que era bom naquele momento, que sabia o que importava. Jesus disse: "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc. 10. 38-42). Se alguém quer que uma fogueira continue com o seu fogo, dará lenha a fogueira. De igual modo, que possamos ter, a cada novo dia, fogo ardendo continuamente sobre o altar, o sacrificio ardendo de noite, até pela manhã. "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef. 5.18). Nisto consiste uma vida cristã ardente e vibrante: nossos encontros com o Senhor não são semanais e efêmeros, mas diários, intensos, noite a dentro e logo de manhãzinha. Temos fome do Altíssimo! Amamos o Senhor! Temos o compromisso de acender lenha pela manhã e queimar como sacrificio de noite, até pela manhã. Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduza a isto.

Cleison Brugger
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7 de abril de 2012

Justiça e amor num só ato

Enquanto escrevo, na minha cabeceira está o excelente livro de Robert Charles Sproul, "A verdade da cruz", onde ele disserta sobre a importância da cruz de Cristo e sua centralidade na fé cristã. Infelizmente, nossa época perdeu a noção da importância desta data. Por conseguinte, as igrejas perderam a noção do sentido maravilhoso que esta data tem para nós que professamos a fé cristã. Muito mais que um "feriadão", é a mais perfeita lembrança do que Cristo fez em nosso lugar. Leia bem, EM NOSSO LUGAR.

Ao olharmos para a cena do Calvário, muitos acham que aquela foi uma cena linda, tal qual Romeu e Julieta, e colocam tudo aquilo sobre a rúbrica do amor. Também é, na verdade. Contudo, a cena não foi nem um pouco bela, e amor não é a palavra-chave para definir tudo aquilo. De fato, se uma palavra pudesse definir a cruz de Cristo, esta palavra seria "justiça".  Cristo morreu para perdão de nossos pecados. Antes de ser para perdão de nossos pecados, uma coisa é certa: Cristo morreu, e isso foi feito para satisfazer a justiça de Deus. Romanos 5.12 diz: "Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram". Me responda: você tem pecados? já sentiu o peso dele em suas costas, consciência, vida? então, você é culpado por eles.

Por natureza, estamos debaixo da ira de Deus (Ef. 2.3), pois ferimos Sua santidade e transgredimos a aliança que fora feita conosco, no Éden (Gn. 3.3). Tudo o que homem deveria fazer é satisfazer a justiça de Deus, pagando pelos seus erros. Para tanto, este homem deveria ter uma conduta ilibada, imaculada, irrepreensível e santa, coisa que homens pecadores não são, nem podem ser. Então... "Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos" (Gl. 4.4). Satanás e seus anjos pecaram e Deus não providenciou nenhum tipo de redenção para eles. Sua sentença está decretada: INFERNO. Para lá eles irão. O homem pecou e, de igual modo, não havia nenhuma obrigação da parte de Deus de providenciar uma redenção para nós, mas Ele o fez, para que sua justiça fosse satisfeita e para que, por amor, seus eleitos fossem salvos. "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos" (Rm. 5. 18, 19).

"Cristo morreu". Justiça. A santidade de Deus estava ferida. O homem pecou e quebrou a aliança, e se Deus perdoasse isso, Deus seria injusto, pois sua justiça é clara ao afirmar que o inocente é inocentado e o culpado é tido como tal. Assim, "Cristo morreu EM NOSSO LUGAR". Isso é amor. Ele veio, voluntariamente. Deixou o esplendor de sua glória. Deus Filho abandonou o trono e humilhou-se como servo, tornando-se semelhante aos homens (Fp. 2. 5-11). Sobre si levou a culpa que era nossa, e morreu, terrivel, amarga, humilde, pavorosa, arrepiante e dolorosamente numa cruz, por mim e você. Assim, Ele recebe sobre si nossas culpas (o inocente morre por culpados), e nós, recebemos dele, sua justiça e perdão (os culpados são inocentados e aceitos de volta à mesa de Deus). Isso é páscoa. O espírito de morte "passa por cima" dos marcados com o sangue do cordeiro, pois somos salvos pela graça, mediante a fé no sacrificio de Cristo (Ef. 2.5).

Nas palavras do pastor Fabricio Cunha, "espera-se de um Deus que ele vença a morte. Mas um Deus que morre é um escândalo". De fato, visto que um dos pressupostos de Deus é a imortalidade. Contudo, como este Cristo era igualmente Deus como o Pai e o Espírito, a morte não o segurou num sepulcro. Ao terceiro dia, Ele ressuscitou, dando-nos a esperança da vida eterna ao seu lado e consumando, de fato e de verdade, a nossa redenção. O melhor de tudo isto é que esta história não é fictícia, inverossímil, irreal. Ela é real! A cruz de Cristo é o centro, o ápice da história humana. Tudo isso, por justiça e amor. Isso é páscoa.

Até mais,
Cleison Brügger.
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5 de abril de 2012

Eu, um cordeiro. Meu Senhor, um pastor.

Lucas 10.3: "Ide; eis que vos mando como cordeiros em meio de lobos"

Na comissão dos 70, Cristo dá uma palavra aos apóstolos que, da perspectiva humana, pode parecer desanimadora e frustrante: "eis que vos envio como cordeiros em meio de lobos". Isso é acentuado ainda mais, visto que, antes disso, há um imperativo: "Ide" (Lc. 10.3a). Com isso, a ideia que é passada é que eles deveriam ir, mesmo sabendo das circunstâncias. Na verdade, Cristo nunca foi um plantador de utopias, pelo contrário, sempre foi aquele que mostrava - e mudava - a realidade.

Contudo, por mais que fosse a revelação da realidade que os apóstolos teriam, a afirmação continua sendo, aparentemente, desanimadora. Não seria melhor ouvir "eis que vos envio como um leão em meio aos cervos" ou "como um cão em meio aos pintinhos"? pelo contrário, Cristo os designa como "animais mais fracos". O mundo é forte. Ele é devorador, tal qual um lobo voraz. Enfrentá-lo não é fácil.

De igual modo, Jesus orienta a que eles nada levassem (10.4) e que dependessem da bondade daqueles que o Pai enviaria para ajudá-los (10. 5-7). Isso me faz lembrar o famoso Salmo 23: "O Senhor é o meu pastor e nada me faltará". A primeira sentença é uma fiel constatação: "O Senhor é o meu pastor", mas a causa da primeira sentença é aliviadora: "nada me faltará". Então, vejamos: eu sou um cordeiro, estou no meio de lobos que podem me devorar, Cristo é um bom pastor que "segundo as suas riquezas, suprirá todas as nossas necessidades em glória, por Cristo Jesus." (Filipenses 4.19).

Jesus assevera que aqueles que nos derem ouvidos, a Ele estarão ouvindo, e quem nos rejeitar, estarão rejeitando a Ele também, e quem O rejeita, rejeita também ao Pai, que o enviou (10.16). Não é maravilhoso saber que estamos tão ligados a Cristo que aqueles que a nós fazem bem ou mal, a Ele é que estão fazendo também? Isso acontecerá na conversão de Saulo. Ele, encontrando com Jesus no caminho, é questionado: "Saulo, Saulo, porque me persegues?". No que Saulo diz: "quem és, Senhor?" e Jesus afirma: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (At 9.3-6). Na verdade, Saulo perseguia a igreja, os irmãos, os da seita "do caminho". Entretanto, Jesus afirma que a causa de seus filhos também é a dele. Ele defende os seus. Não nos deixa sozinhos. "Ai daquele que escandalizar um desses pequeninos que em mim crêem" (Mt. 18.6). Somos ramos ligados à videira (Jo. 15.4). Estamos numa mesma sintonia. Sugamos vida do caule que é Cristo. Dependemos dele para viver, pois toda a vara que nele não dá frutos, é cortada e lançada fora (Jo. 15.6).

De fato, não apenas a companhia ininterrupta do Senhor nos é dada (Mt. 28.20), como também, nos é outorgado o seu poder e nos é concedido a autoridade de seu nome. Perceba que nada é nosso. Somos convidados a nada levar, a casa que repousaremos não é nossa. Todavia, é possivel que nos gloriemos, mesmo usando algo que não nos pertence. Assim, Cristo diz: "Alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus" (10.20). Vemos nesta afirmação pelo menos duas assertivas: 1) ter o nome escrito nos céus é um motivo e tanto para se alegrar; 2) por mais que, aparentemente, o exercício dos dons pareça ser fascinante a vista dos outros, é bom lembrarmos que o mundo continua sendo um péssimo lugar para firmar residência. Ele ainda continua sendo um lobo voraz. Por esta razão, devemos andar aqui, com a cabeça acolá. Trabalhando aqui para entesourar coisas no céu. Vivendo aqui, com saudades do lar eterno.

Até mais,
Cleison Brügger.
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24 de março de 2012

Porque só na morte?

Tudo começou na morte da cantora americana Witney Houston. Lembro que logo que vi a notícia, veio a minha mente, de imediato, a canção "Jesus love me" a qual ela interpretou magistralmente e, então, postei um vídeo no facebook. Mas não foi "para a nossa alegria", como estamos cantando atualmente rs. Na verdade, foi para mostrar que perdemos, de fato, um dos maiores contraltos de nosso tempo. No que um amigo, inconformado, em meio a tantas palavras, defendia uma tese: "porque só lembramos dela na sua morte? e porque não lembramos das crianças (e adultos) que morrem todos os dias, à margem da sociedade e a mercê do poder público?" Isso me levou a pensar e a avaliar a mim mesmo. Ontem (23), perdemos um dos maiores humoristas do Brasil, cujo qual os humoristas atuais bebem de sua fonte, o tão aclamado Chico Anyzio. Mas não vou me pronunciar, nem colocar luto em algum status. Não postarei vídeos. Não farei isso para não ser falso ou hipócrita. Não lembrei dele enquanto ele estava no hospital, sabendo que podia fazer uma oração em favor dele, visto que, mesmo famoso, ele prestará contas diante de Deus um dia desses, porque lembraria agora, depois de morto? agora, lembranças não valem de nada.

Recentemente, perdemos um gigante. Assassinado pelo filho adotivo, voltou para casa o Bispo Dom Robinson Cavalcanti, um defensor da vida. Lembro que dias antes de sua partida, assisti uma palestra sua, via youtube,  em que, falando sobre Missão Integral baseado no salmo 133, ele dizia: "Há uma diferença entre existência e vida. Todos os seres são existentes: animais irracionais, vegetais, minerais, mas Jesus disse 'Eu sou a vida', e só estão vivos os que estão conectados a esta vida, e os demais não estão vivos, são apenas existentes (...) a ação na história tem uma repercussão na pós-história, a eternidade, na medida que nós adquirimos uma vida qualitativamente diferente. Nem sempre quantitativamente. A vida de Jesus durou 30 anos; o seu ministério foi muito curto, 3 anos. Nós não medimos a vida pela sua duração, mas pela sua doação. Não é a quantidade, é a qualidade. O problema é que nós temos tido, cada vez mais, a chamada vida chuchu, que não fede, nem cheira. Alguns passam a vida inteira e não fez nem bem, nem mal e no final não fez nada. A sua vida foi uma rotina absoluta. É tão ausente de qualquer coisa, que vivo ou morto, não faz diferença." Isso me levou a pensar: como tem sido minha vida? quer ausente pelas circunstâncias do cotidiano, quer ausente pela morte, os que me norteiam sentirão minha falta? a minha vida tem algum tipo de impacto positivo na vida de outros ou eu sou como uma pedra no caminho que, estando ali ou não, não fará diferença?

Na verdade, não quero ser lembrado apenas na morte. Na morte, todos são lembrados de alguma forma, até bandidos e meliantes. No velório, até mau-caráter se torna gente de bem (afinal, é feio falar mais dos outros na sua morte). Quero ser lembrado na vida, pelo que fui (no passado), pelo que tenho sido (no presente, na vida) até o dia de ser lembrado pelo que fui, novamente (na morte). Não quero apenas viver, mas escrever e fazer história, e isso não é presunção. Deus não chamou ninguém para simplesmente existir, mas para que, através da vida, proclame o quão belo, majestoso, perfeito, santo, relevante, necessário, reto e bom é o Senhor, nosso Deus. E como faremos isso? nos doando. Amando e fazendo o bem, sem olhar a quem. É nesse espectro que o mundo vê o Criador em nós. Veja este texto das Escrituras: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus" (Mateus 5.16). Perceba os verbos do verso: resplandeça, vejam e glorifiquem. É em resplandecendo a glória de Deus (II Coríntios 3.18),  - e resplandecer esta glória não é frequentar cultos pentecostais, mas sim, agir de forma a se assemelhar com Cristo -, que o mundo nos olha e (pasmem!), glorifica ao Pai. Quando resplandecemos a glória de Cristo, fazemos com que os homens retornem ao propósito pelo qual foram criados: a exaltação da glória de Deus. É a nossa vida sendo usada por Deus para a missão integral, que envolve o homem todo e todo o homem (entenda melhor isso lendo o Pacto de Lausanne). É uma vida qualitativa, sem necessariamente ser quantitativa. Quer um exemplo disto? veja este vídeo:

"(...) somos chamados a plantar uma qualidade de vida, simplesmente colocando a nossa vida no altar, marcada pelo compromisso e pela doação", foi o que afirmou Dom Robinson Cavalcanti, e somente uma vida marcada pela doação ao próximo merecerá ser lembrada, mas enquanto vivermos uma vida "chuchu", que não tem cheiro, não tem gosto, não tem cor, não tem graça, seremos apenas seres existentes, caminhando sobre a terra sem propósito, e não foi com este propósito que o Criador nos formou. É certo que não devemos lutar para sermos relevantes. Relevância é o de menos. Devemos lutar para sermos parecidos com Cristo. Este sim é (deve ser!) o nosso propósito!

Assim, termino com as palavras de Robinson e, depois delas, farei as últimas considerações: "Por fim, somos chamados à santidade (...) Há dois tipos de santidade: a santidade passiva e a santidade ativa. O conceito de santidade passiva, é o conceito de deixar de fazer coisas erradas. É uma santidade deixante, onde alguém deixa de fazer algo ruim. A santidade ativa é o fazer o correto, é ocupar a vida não deixando de fazer o errado, mas ocupá-la fazendo o correto. Aliás, se você ocupar a vida fazendo o correto, não terá tempo para fazer o errado." Não sei como você fica, mas eu fico completamente consternado quando um cristão morre.  Ano passado, a Inglaterra perdeu dois grandes ícones: a cantora Amy Winehouse e o teólogo anglicano, Rev. John R.W. Stott. Amy será lembrada pela sua embriaguez, loucuras, vícios e problemas. Stott será lembrado pela sua sobriedade, biblicidade, honestidade, humildade, doçura e amor. Winehouse morreu tragicamente aos 27 anos; Stott partiu para a glória no auge dos seus 90 anos. E quer saber? Stott morreu e meu coração pesou, pois parece que o mundo encolheu. Gente de Deus quando morre, faz com que o mundo sinta que não é digno de tê-los. Gente santa quando vive, santifica o mundo, o seu contexto, os que os norteiam. Estes sim, são lembrados, aclamados, honrados, lamentados. Contudo, o mundo é tão mau, que quando gente mau morre, a diferença é inexpressiva. Simplesmente não existe! estes, mesmo tendo dons fantásticos, a morte faz questão de levar ao esquecimento. E você, como será lembrado? Sentirão sua falta? se sim for a resposta, asseguresse que esta falta seja sentida aqui, na vida e lá, na morte.

Paz,
Cleison Brügger.
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4 de abril de 2011

O precursor saltou no ventre

João Batista saltou no ventre da sua mãe Isabel, não somente por ter ouvido a voz da bem-aventurada Maria, mas principalmente por sentir a presença do Fruto bendito do céu, que Maria trazia dentro de si. Foi O Messias que fez João e Isabel agitarem-se no Espírito. Qualquer salto espiritual de relevo que se dê, em última análise, é sempre causado por causa da presença do Cristo. É Jesus que nos batiza, enche com fogo e que nos faz saltar para o céu. "É necessário que Ele cresça e que eu diminua."

Jorge Oliveira.
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14 de março de 2011

Evangelho, a mais bela poesia

"A poesia purifica a alma", já dizia Mario Quintana, e se isso é verdade, Deus foi o mais bem sucedido poeta, em todos os tempos, pois conseguiu fazer isto com magistralidade, em apenas um poema. Aliás, foi exatamente este o objetivo da "poesia de Cristo". Hoje, no dia da poesia, gostaria de dissertar a respeito da mais bela poesia direcionada aos homens: a poesia que o próprio Deus escreveu, em Cristo Jesus, para nós. O Evangelho é a mais bela, sublime e suspirante poesia, porque é a poesia de Deus direcionada aos homens. Não é uma poesia escrita com letras, mas com sangue; não foi inspirada na beleza do outono, mas no terrível estrago que o pecado provocou; não teve que ser revisada ou re-lida para ver se estava boa, mas foi definitivamente, a poesia mais bem escrita em toda a história, sem precisar de retoques ou reparações. Esta poesia não teve como cenário um belo lago norteado por belas flores, mas uma colina chamada "lugar da caveira" onde ladrões e delinquentes eram crucificados.

É estranho pensar que esta bela poesia foi inspirada numa injustiça: um tal inocente morrendo por aquilo que não fez. Esta poesia não é um estória qualquer, mas sim, uma história, com H maiúsculo; aliás, uma história tão bem interpretada que, ainda hoje, tem algum efeito na maneira como vivemos, pensamos e cremos. Alguns chamam esta poesia de "Boa-Nova", embora não consigam entender como um homem morrendo injustamente e da forma mais desprezível possivel, pode ser uma boa notícia. Mas é ai que se encontra o valor da poesia: ela não serve para comunicar, nem ainda para fazer aflorar sentimentos normais. Poeta não é jornalista e vice-versa. Um poeta (e Deus o é), comunica aos sentidos ocultos, ao coração petrificado, ao pensar e ao sentir. Poesia comunica o paradoxo, a suposta divergência e uma pseudo-contradição. O evangelho é tido como boa notícia, porque aquele pobre homem morrendo injustamente, era o Filho Eterno de Deus, o teantropos (Deus e homem, num mesmo tempo), o majestoso príncipe dos exércitos de Deus, morrendo pelos nossos delitos.

O evangelho é poesia porque se retrata a mim; é poesia porque o poeta teve que morrer pra contar a história; é poesia com dedicatória e assinatura; é a mais bela história de amor, contada à partir do calvário. O mais horrendo tipo de suplício, sendo usado como instrumento de juízo sobre um inocente, somente para nos comunicar que isto foi feito por nós. E o poeta, agora ressurreto, com furos nas mãos e com a cabeça ferida pelos espinhos que se lhes cravaram, pergunta a nós, alvos de tão magnifica poesia e de tão singelo gesto de amor, que nenhum outro homem (nem mesmo um pai), ousou demonstrar: "Morri, morri na cruz por ti, que fazes tu por mim?"
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9 de fevereiro de 2011

Negociando o inegociável

Faculdade, vestibular, cursos, carreira profissional, universidade, horas de estudo e concentração, poucas horas de sono, correria... Quem não vive se preocupando com algumas destas coisas (senão todas), levante a mão.

...

Vivemos numa época ditada pela pós-modernidade, onde homens e mulheres estão afoitos, na busca da satisfação pessoal e profissional. Alguns ainda, estão preocupados com o casamento que está por vir ou os filhos que brevemente chegarão. Certa vez, ouvi um grande homem dizer: "As coisas mais importantes para nós, são aquelas que recebem a devida atenção, durante o dia". É certo que todas estas coisas merecem uma devida atenção, mas a verdade é que, quando as preocupações com estas coisas chegaram, preocupações com outras coisas se foram, como: ter uma boa alimentação, as reverentes horas de sono, a socialidade (sua vida social não pode ser jogada no lixo), a percepção das coisas mínimas (como o pôr do Sol ou um céu estrelado)...

DEUS.
Não raras vezes, acabamos perdendo Deus de vista. Quando as preocupações com as coisas chegam, acabamos deixando de lado aquilo que deveria ser nossa prioridade (Mt. 6.33). Chegamos e reduzir Deus àquele que preenche a área espiritual e religiosa de nossa vida e nada mais do que isso. Por fim,  roubamos o senhorio Dele sobre nós, quando achamos que agindo sozinhos, sem ajuda ou imposição externa, caminharemos melhor, aliás, "eu sei o que é melhor para mim", afirma o nosso enganoso coração. Acabamos "negociando o inegociável", trocando Deus por coisas supérfluas ou menos importantes do que Ele.
O mestre Salomão nos orienta: "Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos em que você dirá: "Não tenho neles satisfação" (Ec. 12.1).
Salomão disse estas coisas, na posição de rei em Israel, aliás, um dos melhores reis que já governaram aquela nação, depois de Davi, seu pai. Salomão tinha tudo o que queria: "Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram em minha casa. Além disso tive também mais bois e ovelhas do que todos os que viveram antes de mim em Jerusalém. Ajuntei para mim prata e ouro, tesouros de reis e de províncias. Servi-me de cantores e cantoras, e também de um harém, as delícias do homem. Tornei-me mais famoso e poderoso do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, conservando comigo a minha sabedoria. Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. Na verdade, eu me alegrei em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço" (Ec. 2. 7-10 - NVI). Como um bom homem, apreciava o sexo oposto e poderia ter qualquer mulher que quisesse em suas mãos: "Sessenta (60) são as rainhas, e oitenta (80) as concubinas, e as virgens sem número" (Ct. 6.8 - ACF).

Contudo, este mesmo homem declara que, ainda que tivesse tudo, não estava plenamente satisfeito: "Quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento" (Ec. 2.11 - NTLH). Ora, como um homem que possuia tudo o que queria, a hora que queria e como desejava, pode reclamar no final, dizendo que não estava satisfeito? Eu lhe respondo: Deus foi posto de lado.
Salomão possuiu tudo o que quis, certamente lutando para conquistar, contudo, quando conquistou, simplesmente tomou para si todos os méritos e despediu a Deus, agradecendo-lhe pelo trabalho prestado mas, agora, não mais necessários. Infelizmente, Salomão preferiu se inflamar nos seus pecados e, ao contrário do filho pródigo que, arrependido, voltou para seu pai, afirmando não ser digno de ser chamado mais de filho, Salomão não se voltou para Deus.

Todavia, Salomão, como o homem sábio que era, nos adverte a não cair no mesmo erro que ele: "Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos em que você dirá: "Não tenho neles satisfação" (Ec. 12.1). Salomão, enquanto jovem, desprezou e odiou a Deus, amando aquilo que havia conquistado, mas agora, já velho, não tinha satisfação em sua vida e uma alegria duradoura. Priorize Deus, ame a Deus, ore a Deus e antes de fazer qualquer coisa, ponha um "Se Deus quiser" na frente de seus passos. Nunca o negligencie mas, ao contrário, seja dependente Dele até o final, pois a maior alegria não está naquilo que conquistamos, mas na pessoa bendita de Cristo Jesus. Infelizmente, muitos "buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo" (Fp. 2.21), mas Paulo, sabendo que Cristo é o tesouro maior, externou: "Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé" (Fp. 3. 7-9).

Confiando nAquele que jamais nos frustrará,
Cleison Brugger.
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25 de dezembro de 2010

Um Salvador nos nasceu... e morreu.

Mais uma vez galera, quero agradecer todo o carinho de vocês, neste ano que passou!
Obrigado pelos comentários nos posts, pelo apoio e elogio por cada texto, pelos alertas, pela edificação mútua e pelas twittadas que recebi! Obrigado mesmo pelo carinho. Glórias a Deus pela vida de vocês! Desejo que, neste Natal, Cristo não esteja apenas em sua lembrança, mas que seja também, uma realidade em seu coração.

Nesta última (ou penúltima?) postagem deste ano, quero falar sobre sobre o personagem mais falado e lembrado desta presente data: “O Jesus do Natal”. Como assim?
Calma, eu explico:
O Natal é uma época linda. Vitrines enfeitadas, luzinhas nas casas, pinheiros enfeitados, ruas molhadas pela chuva, Shoppings abarrotados de gente.
Promoções nas lojas. Amigo secreto. Presentes embaixo da árvore de Natal...
As pessoas ficam mais amigáveis, mais alegres, mais felizes… deve ser o tal “espiríto natalino”.

Presépios. Maria, José, os animais, o anjo, o menino Jesus.
Menino Jesus?
É incrível o número de pessoas que tratam e limitam o Cristo como um menino, um bebê que está deitado numa majedoura, rodeado por animais, recebendo os "presentinhos" dos magos, mas que se esquecem (ou negligenciam) completamente, que o importante não é ter um menino Jesus em sua casa e sim, um Jesus Salvador em seu coração.

Ao contrário do que muitos pensam, Jesus não é mais um menino. O que muitos esquecem, é que esse mesmo “menino” morreu pelos pecados de muitos (Hebreus 9. 24-28), para que Ele não fosse mais lembrado como um menino, mas sim,  como o Salvador, o Deus vivo que veio à Terra, o Cristo que embora "sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz" (Fp. 2. 6-8).

Eu te convido a olhar além da manjedoura e além daquela feliz, bela e fria noite em Belém, e a fitar seus olhos naquela horrenda cruz feita para delinquentes, numa Sexta-feira, por volta das 3 horas da tarde, num lugar chamado Calvário (ou "lugar da caveira"), onde aquele belo menino, já aos 33 anos de idade, foi crucificado. Foi nesta desprezível cruz, e não naquela humilde manjedoura, que recebemos paz, salvação, redenção, perdão, amor e esperança.

O Natal só faz sentido porque o "menino que nos nasceu" (Isaías 9.6), MORREU, porque se isso não acontecesse, seria realmente sem nenhuma importância o seu nascimento. Por isso, muito mais que nascimento, foi O AMOR, nascendo para salvação daqueles que creriam que ele, de fato, era o Filho de Deus, descido dos céus.

Celebre o nascimento do Salvador, mas não seja indiferente a morte do mesmo, porque é esta última que realmente importa!

Celebre o Cristo que nasceu, glorifique ao Cristo que morreu e festeje o Cristo ressurrecto.

"Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor" (Lucas 2.11).

Ele não veio para nascer como todo mundo, mas para morrer por pessoas erradas e sem esperança, coisa que ninguém gostaria de fazer. Por isso, celebre o Salvador que nasceu e valorize o Cristo que morreu.
Valorize o amor, do AMOR.

Feliz Natal com Cristo!
Cleison Brugger.
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13 de novembro de 2010

Saiba quem Ele é

Você sabe quem você é? você conhece seus proprios pontos fortes e fraquezas?

porque esse tipo de pergunta nos afronta? porque nos conhecemos tão pouco? Não conhecemos nossos próprios limites e coração, somos enganados pela nossa mente e nossos sentimentos a todo momento! o que a sua consciência te diz?
hoje, em nossos dias, cada vez mais o mundo tenta deturpar nossa identidade e para que ela serve, e o que temos feito mediante essa situação?
VOCÊ JA TINHA PERCEBIDO ESSE CENARIO?!
Ficamos tão ocupados e focados em nossos umbigos, nossos “sonhos de consumo” ( como se sonha com algo que se pode consumir? ), nosso aparente sucesso e “qualidade de vida”, que simplesmente experimentamos uma vida de cavalos de carroça, sem qualquer amplitude ou sequer tendo noção dos nossos rumos de vida!
- destape seus olhos -
- olhe para Ele -
- seja como Ele, seu mais fiel escudeiro e imitador -
mas… quem é Ele? voltamos à pergunta de Cristo para seus discípulos. “quem eles dizem que Eu sou?
- Eles não conhecem a Jesus -
Após a resposta decepcionante deles, Jesus pergunta AOS SEUS: e vocês?
PAUSA.

eu imagino um silêncio. Olhos se entreolhando, pensamentos voando a mil “quem?” “como assim?” “é sério isso?” mas Pedro, com todo ímpeto e ousadia que vem diretamente do coração de Deus revela e declara à céus, terra e eternidade: “TU ES O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO”.
a partir daí Pedro entende que os peixes nunca mais serão o seu business, mas almas; suas ferramentas não mais serão rede e velas, mas o Espirito Santo.
- Simão morre. Nasce Pedro, A ROCHA -


saiba quem Ele é. e Ele vai te dizer quem VOCE É…

…e vai ser a melhor surpresa da sua vida.
Paz,
Thiago Cruz.
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15 de outubro de 2010

Sentado à mesa com Deus

Sabe quando você não consegue dormir?
Vira de um lado pro outro, troca de travesseiro, fica de olhos abertos, tenta dormir novamente... parece que da maneira que você foi dormir, você acorda. As horas simplesmente não passam, e você fica naquela aflição de querer que amanheça logo.
Já aconteceu isso com você?
Pois bem, isso aconteceu comigo esta noite.
Enquanto eu tentava dormir (mas simplesmente não conseguia), sussurrei a Deus: "-Senhor, faça que amanheça logo!", e foi isso que Ele fez. Quando eu menos esperava, olhei para a janela e já tinha chegado a claridade da manhã.

Levantei satisfeito e respirei fundo, grato pela tensão da noite que tinha passado e pelo alívio da manhã que acabara de chegar. Não costumo levantar cedo, mas hoje, levantar alguns minutos antes das 6 horas teve um motivo bem especial.

Tomei um banho e como não tinha ninguém acordado, fui fazer meu devocional. Amo ler pela manhã! Mas antes que o café ficasse pronto, fui até a varanda. Ao chegar ali, me rendi! Senti uma plenitude, uma paz, um refrigério, uma expressão da beleza e da glória de Deus. Senti como que um encontro marcado. Senti Deus, pela manhã, dizendo: "Fui Eu quem quis que você não dormisse! Queria ter este encontro com você pela manhã". Parecia que uma festa surpresa tinha sido preparada para mim! Deus com o bolo (a perfeita manhã), dizendo que tudo o que passei naquela noite fazia parte de um plano. Louvei gratamente ao Senhor! A manhã de hoje, magistralmente, me revelava a glória e o esplendor de Deus de uma maneira plenamente surpreendente.

Peguei minha Bíblia e voltei pra varanda. Ao chegar ali novamente, senti como que uma mesa farta estivesse preparada. Senti como se eu estivesse sentando com o Rei em sua mesa real. E foi exatamente assim que aconteceu. A Palavra de Deus abundantemente me fartou! Cada frase era como favos de mel; cada verso era como um maná celeste desmanchando em minha boca; em um silêncio reverente, meus olhos percorriam cada letra e, nas surpresas da leitura, um sorriso desenhava meu rosto. Ao terminar, eu estava plenamente satisfeito, como até agora estou! É incrivel como a Palavra de Deus consegue satisfazer-nos de forma plena e abundante.

 O verso que caracterizou minha oração de gratidão a Deus foi Salmos 4.6: "Ó Senhor, faze a luz do teu rosto brilhar sobre nós", pois foi exatamente isso que senti ao provar do frio, da glória, do perfume, da beleza e da magnitude da manhã: a luz do Sol da justiça resplandecendo sobre mim, eu, que sou o pior de todos os pecadores, hoje, fui convidado a assentar-me à mesa com Deus. Hoje, pude entender mais profunda e vividamente o que disse o Rev. Packer: "Nós não fazemos amizade com Deus; Deus faz amizade com a gente, trazendo-nos a conhecê-lo, fazendo o seu amor por nós conhecido". Agora, espero ansioso para ter, mais e mais, estes encontros com o sublime Criador. Este convite a sentar-se à mesa com Ele é extensivo (Is. 55.1); você também pode ter estes encontros, desde que estejas disposto a perder sua noite de sono e ganhar um encontro a sós com Deus. Eu estou!

"Oh, quanto amo a tua lei! Nela medito por todo o dia" (Salmo 119.97).
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