Pesquisar

18 de junho de 2012

Cheios do Espírito!


Ninguém, por mais talentoso, persuasivo, dotado, cursado, letrado ou profissional que seja, deveria ter a audácia de se apresentar em nome de Deus sem que, antes, tenha estado com Ele. Ninguém deveria ousar se apresentar no altar do Senhor antes de se apresentar ao Sumo Sacerdote.

Os ministros, ou qualquer um que se põe em posição de sacrifício, deve conscientizar-se de que, ou ele tem do Espírito, ou tudo não passará de tempo perdido! Homens e mulheres só poderão ser poderosos no que fazem de acordo com a consciência de que, sem o Espírito, tudo estará perdido!

Quem sabe muitos desacreditaram do cristianismo em seu nascedouro, tendo como base o fato de que o Senhor havia deixado o apascentamento de Seu santo rebanho nas mãos de homens inscientes? só que o que muitos não sabiam, era que aqueles homens estavam cheios do Espírito Santo! Eles não tinham a preocupação de que alguma coisa daria errado pois eles não usavam métodos humanos e carnais como hoje estamos usando, mas dependiam tão somente do Espírito! Foi porque Pedro estava cheio do Espírito  que teve a ousadia de enfrentar os sacerdotes, os saduceus, e os anciãos de Israel perante o sinédrio, pois o mesmo tinha aquecidas em seu coração as palavras do Senhor: "Mas, quando vos entregarem, nos vos dê cuidado com o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministardo o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós" (Mt. 10. 19,20). Oh, quão poderoso é o homem que se coloca na dependência do Espírito! Quão poderoso é o homem que toma o púlpito depois de ter se esvaziado por completo e de ter se encontrado com o Deus Todo-Poderoso! Se é o Espírito quem convence o homem e se é Ele quem regenera, que as minhas palavras pereçam, mas que as palavras do Espírito emanem do púlpito e aqueça o coração de cada ouvinte. "Não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?" (Lc. 24.32). Ora, não há como ouvir as palavras de Jesus e permanecer inerte! Quando Jesus disse ao morto Lázaro, "Vem para fora!", Lázaro imediatamente obedeceu a sua voz e, mesmo estando morto, saiu da sepultura!

Todos aqueles homens incrédulos que estavam no sinédrio estavam informados de que Pedro e João eram homens iletrados e indoutos, mas eles, vendo a ousadia das palavras dos santos apóstolos, se espantaram e entenderam que aquilo tudo era resultado de uma só coisa: aqueles homens haviam estado com Jesus (At. 4.13). Oh, um ministro cheio do Espírito não é conhecido pela sua capacidade intelectual, de organizar idéias, filosófica ou teológica, mas sim, porque antes, ele esteve com o Senhor! Ah, que sempre que tivermos que nos apresentar aos outros, mesmo quando estivermos nos preparando para levantarmos da cama, que o Espírito nos guie a Cristo e que logo cedo nos encontremos com o Senhor! Que não tenhamos a ousadia de tomarmos qualquer microfone na igreja até que estejamos certificados de que nossa fronte está gotejando da unção do Espírito e que, antes de nos apresentarmos as pessoas, nos certifiquemos de que estivemos com o Senhor! Assim, quem olhar para nós concluirá como concluiram aqueles homens do sinédrio: decerto, antes de estar aqui nos falando, esteve com o Senhor! Olha como sua face resplandece!

Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduz a isto!

Até mais, 
Cleison Brügger.
Leia mais...

5 de junho de 2012

Salvo pela "maravilhosa graça": a história de conversão de John Newton


John Newton era pastor de uma igreja crescente em Olney, na Inglaterra, quando compôs a letra daquele que talvez seja o hino mais conhecido até hoje – Amazing Grace (i.e., “Maravilhosa Graça”). Newton estava satisfeito naquele contexto de vida campestre. Ele tinha uma esposa carinhosa ao seu lado, desenvolvia um bom ministério pastoral e estava cercado de pessoas amáveis. Naquele momento, Newton desfrutava de uma ótima vida. Mas, 25 anos antes, sua vida estava em ruínas.

Newton nasceu em Londres no dia 24 de julho de 1725. Seu pai, um capitão de navio mercante, o amava, porém era um homem severo e reservado. Por outro lado, a mãe de John era uma mulher atenciosa e cuidadosa. Ela lhe ensinou as Escrituras – capítulos inteiros da Bíblia de uma vez – bem como hinos e poemas. Infelizmente, a mãe de John Newton morreu, duas semanas antes que ele completasse sete anos de idade, e, pouco tempo depois, seu pai casou-se novamente.

Quando o novo casal teve seu próprio filho, ambos deram mais atenção e carinho a este do que a John Newton, de modo que John deixou-se levar pela companhia influente de garotos pervertidos, aprendendo a andar nos sórdidos caminhos que eles trilhavam. Com a idade de 11 anos, ele fez a primeira das cinco viagens marítimas na companhia de seu pai, durante a qual rapidamente aprendeu a xingar e amaldiçoar com os melhores marujos.

Entretanto, durante os cinco anos que se seguiram, John se viu forçado a refletir seriamente sobre a condição de sua alma. Certa feita faltou pouco para que John Newton embarcasse num navio de guerra que levava a bordo um amigo dele. Mais tarde, todavia, ele soube que aquele navio naufragara e que seu amigo, junto com vários outros tripulantes, tinha morrido afogado.

Também foi nessa época que Newton teve um sonho perturbador no qual ele jogava fora um anel que representava toda a misericórdia que Deus lhe reservara. Essas experiências pesaram de forma tremendamente condenatória na consciência de Newton e, por algum tempo, impeliram-no a tratar as questões espirituais com mais seriedade. Contudo, passados alguns dias, ele logo se esquecia daquilo que o levara à sobriedade e continuava sua queda vertiginosa na espiral da perversidade. Newton afirmou: “Eu geralmente considerava a religião como um meio necessário para se escapar do inferno; mas eu amava o pecado e não estava disposto a abandoná-lo”.[1]

Aos 19 anos de idade, Newton foi obrigado a se alistar como aspirante da Marinha para servir no navio HMS Harwich. Passado algum tempo, ele desertou, foi capturado, encarcerado, açoitado a bordo do navio, fustigado com chicote de nove tiras, e rebaixado. Então Newton entrou em terrível depressão e desespero, que o levaram, por vezes, a querer se lançar ao mar e a planejar maneiras de assassinar o capitão que o humilhara. Entretanto, não demorou muito para que a situação dele mudasse, quando o capitão de seu navio fez uma permuta entre ele e marinheiros de um navio que estava preste a zarpar para a África Ocidental à procura de escravos.

A Época no Tráfico de Escravos

Em meados de 1700, o tráfico de escravos era um negócio lucrativo. Mais de 100 mil escravos foram trazidos para o Novo Mundo em navios ingleses.[2] William E. Phipps escreveu: “No século XVIII, a média de mortalidade dos escravos durante o trajeto [da África para algum porto no Caribe ou nos Estados Unidos, onde eram vendidos] em navios ingleses era de aproximadamente quinze por cento”.[3] Cerca de 15 mil escravos africanos morreram a bordo de navios ingleses nessa época.

Em seu novo ambiente, Newton não fez absolutamente nada para ser benquisto pelos oficiais do navio. Ele compôs uma cantiga de escárnio para ridicularizar o capitão do navio e a ensinou para a tripulação inteira. Após capturar uma lucrativa quantidade de escravos, Newton ganhou a permissão de ficar na África, ao longo da costa da Guiné, onde trabalhava para um traficante de escravos inglês que vivia com uma amante africana. Essa mulher não gostava de Newton. Quando Newton contraiu malária, ela o tratou cruelmente, com insultos e subnutrição para que morresse de fome.

Tempos depois, Newton foi injustamente acusado de roubar o traficante inglês. Ele ficou acorrentado com cadeias no convés do navio daquele homem e foi mantido com pouca comida, água e roupa. Na verdade, ele se tornou escravo daquele homem e, por ironia do destino, recebeu o mesmo tratamento com o qual eram tratadas as pessoas que tinham sido escravizadas com a ajuda dele.

Esse tormento durou um ano, até que Newton convencesse seu dono a cedê-lo para um outro traficante de escravos. Seu novo senhor tratou-o com bondade e o colocou na supervisão das “feitorias” (prisões para escravos localizadas nos portos).

Apesar dos olhos vigilantes de seu antigo senhor traficante de escravos, Newton conseguiu enviar algumas cartas para seu pai, nas quais pedia socorro. Certo dia, um navio mercante denominado Greyhound [i.e., “cão pernalta e veloz”] chegou onde Newton estava. Ele fora enviado àquele lugar por ordem do pai de John Newton. A princípio, Newton hesitou em deixar seu negócio que a essa altura já era lucrativo, mas, por fim, concordou em voltar à Inglaterra. Newton foi mantido cativo na África por 15 meses ao todo.

A bordo do Greyhound em sua viagem de volta, Newton demonstrou ser o homem mais profano e devasso do navio. Certa noite, ele estava tão bêbado, que quando seu chapéu caiu no mar pela força do vento, se outro marujo não o agarrasse pela roupa, ele teria se lançado nas águas em busca do chapéu.
Mais tarde naquela viagem, Newton folheou um dos poucos livros que havia a bordo – Imitation of Christ [i.e., “Imitação de Cristo”]. Newton começou a ler esse livro como um mero passatempo, mas, depois, passou a se perguntar o que lhe aconteceria se aquilo que nele estava escrito fosse verdade. Ele ficou com medo e fechou o livro.

Atingido Pela Tempestade

Naquela noite de 21 de março de 1748, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou. Homens, animais e provisões foram arrastados pela força das águas e caíram no mar. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos. Ele temia estar à beira da morte e, se a fé cristã fosse verdadeira, estava certo de que não seria perdoado. John refletiu em tudo o que fizera naqueles últimos anos, inclusive a atitude de zombar dos fatos históricos do Evangelho, e ficou abalado.

Passados quatro dias, a tempestade diminuiu. Pela providência de Deus, a cera de abelha, que se encontrava no porão de carga, ajudou que o navio continuasse a flutuar. Newton atribuiu a Deus aquele livramento que tiveram. Ele começou a ler o Novo Testamento com mais interesse. Quando chegou à passagem de Lucas 15, John percebeu os impressionantes paralelos entre a sua vida e a vida do filho pródigo.

O navio ficou à deriva por um mês. Os suprimentos se esgotaram. O capitão culpou a blasfêmia de Newton como a causa dos problemas que enfrentavam e cogitou a hipótese de jogá-lo ao mar, à semelhança de Jonas. O navio avariado finalmente conseguiu seguir seu rumo para a Irlanda do Norte, a tempo de não ser apanhado por um vendaval que começava a ocorrer. Newton reconheceu que Deus respondera sua oração.

Ao chegarem em terra firme, Newton tomou a decisão de não mais xingar e blasfemar. Ele chegou a voltar para a igreja. Entretanto, ainda não era um crente em Jesus. Mais tarde ele declarou: “Penso que aquele foi o início de meu retorno para Deus, ou antes, o retorno dEle para mim; contudo, só considero que vim a ser crente em Cristo (no sentido pleno da palavra crente) muito tempo depois daquele momento”.[4]

Regenerado Pela Fé

Naquela noite de 21 de março de 1748, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos.

Em 1749 Newton zarpou como primeiro piloto de um navio negreiro. A essa altura, ele já tinha se esquecido do compromisso que assumira e recaiu nas antigas práticas pecaminosas. Enquanto buscava escravos ao longo da costa ocidental da África, John Newton foi novamente acometido de malária, situação que o levou a refletir mais uma vez sobre a sua vida. Diante das misericórdias de Deus para com sua vida, ele estava absolutamente convicto da culpa pelos erros que recentemente cometera. Meio delirante e enfraquecido, Newton se levantou da cama e caminhou com dificuldade até um lugar afastado da ilha. Naquele local, percebendo a futilidade de tomar decisões autoconfiantes, “ele se entregou ao Senhor”, escreve Richard Cecil, “para que Deus fizesse com ele aquilo que fosse do Seu agrado. Ao que parece, nada de novo acontecia em sua mente, exceto o fato de que ele estava apto para confiar e crer num Salvador crucificado”.[5] A incrível graça de Deus preciosamente se manifestou no exato momento em que John Newton creu pela primeira vez.

Daquele momento em diante, a vida de Newton mudou gradativamente. No começo, como acontece com a maioria dos crentes, ele não percebia todas as áreas de sua vida que precisavam ser transformadas pela graça de Deus.

Por exemplo, por cinco anos, ele enfrentou lutas quanto à certeza de sua salvação. Todavia, através do encorajamento dado por outro capitão de navio, que também era crente em Cristo, as dúvidas foram vencidas, conforme Newton declarou: “Eu comecei a entender [...] e a ter esperança de ser preservado e salvo, não por meu próprio poder e santidade, mas pelo imenso poder e promessa de Deus, através da fé num Salvador imutável”.[6]

A mudança mais evidente na vida de Newton se deu na área do tráfico de escravos. Um ano antes de crer em Jesus Cristo, John Newton se tornou capitão de um navio negreiro. Nos quatro anos seguintes à sua salvação, Newton realizou três viagens com o intuito de buscar escravos na África e levá-los para serem vendidos no Caribe. Durante essas viagens, Newton liderou sua tripulação em cultos de adoração e em momentos de oração. Contudo, ele também foi forçado a sufocar rebeliões de escravos, chegando a ponto de utilizar instrumentos de tortura para apertar polegares a fim de arrancar confissões.
Mais tarde, Newton se conscientizou de que o tráfico de escravos e sua participação nele eram algo moralmente ultrajante e repulsivo. Ele afirmou: “a força do hábito, o exemplo e o interesse [comercial] cegaram meus olhos”.[7]

A partir do momento em que o Espírito Santo convenceu John Newton dos males e pecados envolvidos no tráfico de escravos, ele passou a trabalhar incansavelmente para extingui-lo num esforço de décadas. Ele foi orientador e conselheiro de um crente em Cristo mais novo do que ele, chamado William Wilberforce, o qual atuou no Parlamento Britânico. Wilberforce se tornou o mais notável e eficaz abolicionista da história da Inglaterra. Alguns meses antes da morte de Newton, ocorrida em 21 de dezembro de 1807, o Parlamento Britânico aprovou o Decreto da Abolição do Tráfico de Escravos, o que muito alegrou Newton. 

A Ternura da Graça  

Antes de experimentar a graça salvadora de Deus, John Newton não tinha o menor receio de xingar e proferir palavrões quando relampejava, de blasfemar contra o Deus do céu, de zombar da Bíblia, de ridicularizar a consagração a Deus, de se envolver em atos depravados, nem o mínimo escrúpulo de comprar e vender seres humanos como se fossem objetos ou mercadorias. 

Entretanto, John Newton mudou completamente após a sua conversão. Mais tarde, ele se tornou pastor e exerceu o ministério pastoral por 23 anos, sempre salientando em seus sermões o tema da graça de Deus. Ele compôs e publicou centenas de hinos, inclusive o hino intitulado How Sweet the Name of Jesus Sounds [que traduzido quer dizer: “Quão doce soa o nome de Jesus”] (um nítido contraste com a época blasfema de sua vida pregressa), bem como demonstrou incessante hospitalidade em sua casa.

Ele manteve comunhão com alguns dos mais notáveis nomes do avivamento evangélico na Inglaterra, tais como George Whitefield e John Wesley; ensinou e encorajou pessoas influentes como o grande missionário William Carey, o poeta William Cowper, e o abolicionista William Wilberforce; além disso, tornou-se um dos maiores defensores do fim da escravidão na Grã-Bretanha.

Como explicar tamanha transformação na vida de um homem? Semanas antes de sua morte, já velho e debilitado, Newton explicou: “Minha memória praticamente se foi; mas ainda consigo me lembrar de duas coisas: que eu sou um tremendo pecador e que Cristo é um tremendo Salvador”.[8]

Notas:
  1. Richard Cecil, The Works of the Rev. John Newton, 3ª ed., vol. 1, 1824; reimpressão, Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1985, 1:4.
  2. William E. Phipps, Amazing Grace in John Newton: Slave-Ship Captain, Hymnwriter, and Abolitionist, Macon, GA: Mercer University Press, 2001, p. 63.
  3. Ibid., p. 60.
  4. Cecil, p. 33.
  5. Ibid., p. 37.
  6. Phipps, p. 66.
  7. Ibid., p. 202.
  8. Ibid., p. 238.
Leia mais...

31 de maio de 2012

Percorrendo Cantares de Salomão - Parte II

 2ª Parte do estudo de Cantares de Salomão. Você pode ler a 1ª parte aqui.

Ainda passando pelo capítulo 1, percebemos, dos versos 12 ao 16, a agradabilidade mútua existente entre Salomão e Sulamita. No verso 12, a imagem que vem é da importância do assentar-se à mesa. Sulamita diz que "enquanto o rei está assentado à sua mesa", uma alusão ao antigo costume de comer recostado sobre tapeçarias, ao redor de uma mesa baixa, "o meu nardo [de Sulamita] exala o seu perfume". Havia amor sendo expressado até nos momentos da refeição. Ambos estão à mesa. A mesa é importante! Um lugar de comunhão, diálogos, trocas. Nossa época perdeu a noção da importância de assentar-se à mesa com a família. O sofá (junto a TV) ou a cadeira (junto ao PC) tomaram o sagrado lugar da mesa e, assim, não dá para sentir nenhum "nardo exalando". Não há proximidade, e sem proximidade, conhecer alguém é impossivel. Só sentiremos o nardo de nossos pais e filhos (suas qualidades e pontos fortes), se houver proximidade, e a mesa é um bom lugar para isso.

No capítulo 2, a esposa continua falando: "Eu sou a Rosa de Saron" (vv.1). As rosas que ficavam na planície de Saron (chamadas de "Havatselet há Sharon") eram perfumadas de tal modo, que o viajante podia sentir sua fragrância de muito longe. Isso fala de um comportamento ilibado, irrepreensível, que faz com que, de longe, seja apreciado e notado. No cap. 1, Sulamita diz que o nome de seu esposo era como unguento derramado (Ct 1.3), querendo dizer que seu nome tinha um caráter admirável e irrepreensível. Agora, ela se compara as "rosas de Sharon", que exalavam um bom perfume a longa distância. Um casal cujo caráter são ilibados, formará uma família exemplar e que exalará o "bom perfume de Cristo" (2 Co 2.15).

 O esposo responde que "qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas" (vv.2) e a esposa, de igual modo, continua dizendo que "qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar" (vv.3). Perceba que um é agradável ao outro. O texto não mostra uma pessoa cheia de sentimentos e valores tentando encher outra. Pelo contrário, ambos têm atrativos e coisas a elogiarem e dizer: você me fascina por esta razão. Num relacionamento, deve haver uma complementaridade, onde um tem algo a acrescentar ao outro.

Nos vvs. 4-6, vemos o papel de liderança dado ao homem: "levou-me [a esposa] à casa do banquete" (vv.4). "Sustentai-me [a esposa]" (vv.5) e, no vv.6, Sulamita diz: "A Sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a Sua mão direita me abrace". O papel de "levar", "sustentar", exercer autoridade ("mão esquerda debaixo da cabeça") e de cuidar ("mão direita me abrace") é inteiramente do homem. A mulher sempre será alvo disso, e nunca que se trocará os papéis. O apóstolo Pedro, em sua epístola, diz as esposas: "Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de sua mulher" ( I Pe 3.1). A aos maridos: "Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações" (I Pe 3.7).

No vv.7, Sulamita diz: "Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser (NVI)". Infelizmente, muitos têm sido guiados por um "amor de momento", que começa aqui e acaba ali. Tem pressa para desenvolver uma relação íntima apoiada em seus fortes sentimentos. Os frutos disso são diversos, como desilusão amorosa, depressão, descontentamento etc. A falsa-verdade (mentira!) de sair procurando o amor de sua vida, até achar sua cara metade só trará tristeza e desilusão. Os sentimentos não são suficientes para sustentar uma relação duradoura. O verso nos ensina a que deixemos despertar o amor naturalmente. Nada de forçar a barra! Esperar com paciência para que os sentimentos de amor e compromisso se desenvolvam juntos. é o melhor. O tempo certo virá, como vemos alguns versos abaixo:

"O meu amado falou e me disse: Levante-se, minha querida, minha bela, e venha comigo. Veja! O inverno passou; as chuvas acabaram e já se foram" (vvs. 10, 11). Aqui, Salomão chama a esposa para acompanhá-lo. O tempo certo havia chegado, pois "o inverno passou e as chuvas cessaram", por isso ele diz: "Levanta-te [...], venha comigo!". Estas palavras dão a entender que ambos tinham esperado o tempo certo até que chegassem a um estado de maturidade para desfrutarem do compromisso e do amor. Esperar com paciência até que o tempo chegue é o melhor a ser feito! Nada da carroça à frente dos burros! Tudo a seu tempo!

O vv. 15 tem uma lição importante: "Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor". As raposas, no meio da vinha, são identificáveis, mas as raposinhas nem sempre. E são estas que causam maior estrago! Elas arrasam com a plantação! por isso o alerta: "apanhem-nas!". Existem problemas pequenos (as pequenas "raposinhas") que se não forem identificados agora e devidamente corrigidos, mas à frente, trarão problemas e granes devastações. Não deixe para corrigir problemas quando for se casar! corrija-os agora! Seja uma bênção para seu parceiro(a). Não deixe que problemas pequenos  sejam a causa de grandes devastações.

Por fim, Sulamita diz: "O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios" (vv.16). O relacionamento que nos é apresentado na Bíblia é o relacionamento monogâmico, que é o relacionamento matrimonial com apenas um conjuge. O homem não tem uma mulher para satisfazer-se sexualmente, e vice-versa. Deus, logo no início, disse que não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18a) e, por esta razão, deu a Adão uma "ajudadora idônea" (Gn 2.18b), "literalmente, uma auxiliadora que o atenda. Ela teria de partilhar das responsabilidades do homem, corresponder à natureza dele com amor e compreensão, e cooperar de todo o coração com ele na execução do plano de Deus" (Comentário Bíblico Moody). Podemos ver o problemão que Léia enfrentou ao casar com Jacó, pois ela sabia que o amor de Jacó pertencia a Raquel, sua irmã. Léia frequentemente reclamava que não era amada por seu marido (Gn 29.32, 34; 30.20). Assim, é bom ter alguém no nosso lado para chamar de nosso. Nosso, e de mais ninguém! É maravilhoso poder dizer como Sulamita: "O meu amado é meu, e eu sou dele" ou, no caso dos homens, "A minha amada é minha, e eu sou dela". Se você for guiado por Deus a um relacionamento sério, verá o porquê que o adultério, o divórcio, ciúmes e desconfianças são coisas detestáveis para Deus: porque o que Deus uniu, não separe o homem. 

Até mais!

Cleison Brügger
Leia mais...

23 de maio de 2012

Percorrendo Cantares de Salomão - Parte I

Depois de preparar um estudo do capítulo 2 do livro de Cantares, algo me disse que eu deveria percorrer por todo o livro e estudá-lo. Aceitei o desafio. Na verdade, sempre achei Cantares de Salomão um livro meio que "à parte": sua linguagem é diferente da linguagem do resto da Bíblia, assim como sua literatura e sua forma. Mas agora, tomo Cantares como qualquer outro livro da Biblia: é a Palavra de Deus. Se está ali, é porque foram palavras bafejadas pela boca de Deus! e se são palavras do Senhor, convém parar e ouvir.

Estou ciente de que, como todo livro da Bíblia, Cantares revela Cristo, de alguma forma. Decerto, essa revelação se dá na demonstração do relacionamento íntegro e imaculado de Salomão e Sulamita, que representa o amor sacrificial, ativo, volitivo e incondicional de Cristo por sua noiva, a igreja. Na verdade, o caminho que se acha para Cristo no livro de Cantares se dá por uma interpretação alegórica, contudo, sabemos que se tomarmos o livro na sua literalidade, veremos que a poesia de Salomão é pura e detidamente sobre seu enlace. Assim, tentarei tirar lições para a nossa vida, tendo Cristo como o alvo de nosso estudo.

A história que se conta a respeito do encontro de Salomão e Sulamita é a seguinte: Salomão, certo dia, foi visitar as vinhas que possuia no norte. Lá chegando com sua comitiva, encontrou-se com uma jovem camponesa, de pele morena e de semblante humilde. Ali, apaixonou-se. A jovem, tímida, fugiu de Salomão, mas Salomão não a pôde esquecer. Mais tarde, disfarçado de pastor, retornou aos vinhedos e conquistou seu amor. Então, revelou sua verdadeira identidade e lhe pediu que voltasse para Jerusalém com ele. Então vemos logo no início do livro Salomão e sua amada celebrando suas bodas no palácio.

Já no capítulo primeiro, encontramos um clima de romantismo, amor e respeito mútuo. Embora muitos achem que o livro de Cantares possui uma linguagem sensual e, quando não, obcena, veremos que o que marca o livro é o respeito entre o casal, mesmo nas cenas de amor explícito.

Logo no vv.2, encontramos Sulamita, chamada de "amada", dizendo o seguinte: "Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho". O vinho naqueles tempos era símbolo de alegria e festividade. Uma festa deveria ter vinho! Mas todos nós sabemos o que o excesso de vinho (ou de qualquer bebida alcoólica) traz: briga, conteda. Aliás, tem sido este o motivo pelo qual muitos lares têm sido desfeitos: a falta de alegria tem produzido o excesso de bebidas e vícios. Contudo, Sulamita está dizendo que o amor de Salomão era melhor que o vinho. Salomão trazia uma felicidade tal, que o vinho era dispensável. Salomão fazia sua esposa rir. Ele era a alegria dela, e a alegria era tal, que Sulamita diz que era "melhor que o vinho". A alegria que o vinho traz é passageira, mas a alegria que um amor real pode trazer é permamente. Essa mesma imagem será passada no vv.4: "[...] em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam."

Sulamita continua dizendo: "Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam" (vv.3). Enquanto os relacionamentos de nosso tempo têm sido marcados pelos insultos, moléstias e depreciações, vemos aqui respeito e elogios. Sulamita elogia seu esposo pelo seu exterior, dizendo como ele se produzia bem e era um homem perfumado, mas também elogia o caráter: "como unguento derramado é o teu nome". Você já derramou um frasco de perfume no chão? o cheiro exala pelo ambiente. Sulamita está dizendo que o nome de seu esposo era de boa fama. Seu marido não era um mau-caráter, pelo contrário, era de boa índole, de palavra e honesto, por isso, "as virgens o amavam". Com isso, Sulamita estava querendo dizer que Salomão era um tão bom exemplo de homem, que as jovens que estavam na idade de se casar, queriam ter um esposo como Salomão. Mulheres, antes de namorar, noivar ou se casar, certifique-se do caráter de seu companheiro. Antes da beleza, procure um homem que tenha um bom nome! o final do verso 4 diz: "os retos te amam". Você já viu um homem que sabe trapacear no jogo? ele é amado pelos outros trapaceiros, pois ele é sinal de vantagem. Mas Salomão era amado pelos retos. A retidão de Salomão era conhecida, não sua dissimulação. Lembre-se: Salomão é um tipo de Cristo no livro de Cantares. O nosso Cristo é o cúmulo da retidão!

No vv. 5, Sulamita faz uma queixa: "Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém [...]" e no vv.6, continua dizendo: "Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim [...]". Sulamita era moça do campo, e foi justamente lá que Salomão a encontrou. Quando, então, Salomão a trouxe para Jerusalém, ela viu as belas moças de pele bonita, enquanto a dela era rústica e queimada pelo Sol. Por algum motivo, ela se sentia inferior, menos bela. Muitas meninas se sentem assim: desfavorecidas. A vocês, lhes digo: Sulamita casou com o homem mais sábio de seu tempo e um dos mais famosos reis de Israel! ;)

Nos vvs. 7, 8, veremos Sulamita perguntando a Salomão onde é que ele apascentava o seu rebanho, pois ela diz que não queria se assemelhar as prostitutas, que "andam errante junto aos rebanhos dos outros" (vv.7c). Sabe o que vejo nisso? uma modéstia sem igual! Sulamita queria um homem certo para ela. Ela não queria andar de "galho em galho" até achar o cara legal. Ela queria saber onde, de fato, seu esposo apascentava. Salomão dá a resposta, para que ela se encontrasse com ele (vv.8). Temos visto muitas decepções amorosas (o facebook que o diga!). Isso prova que "enganoso é o coração do homem" (Jr. 17.9). Não podemos ser guiados por ele, mas sim, pelo nosso Bom Pastor (Sl. 23.1). Que o Senhor nos guie à pessoa certa!

Salomão enchia sua esposa de elogios, comparando as belas "éguas dos carros de Faraó" (vv.9), conhecidas por sua agilidade e beleza, diz que o rosto e o pescoço de sua amada se destacavam por entre suas jóias (vv.10) e ele mesmo promete dar jóias para sua esposa, só para vê-la ainda mais bela (vv.11). Romantismo a gente vê por aqui! Existe um tipo de elogio que é cínico e/ou lisonjeiro. Não é o que temos aqui. As palavras de Salomão para sua amada são marcadas pela sinceridade e pela grande estima que Salomão tinha por sua esposa.

Num próximo texto, onde falarei sobre o capítulo 2, termino os versos do capítulo 1 e entramos no próximo. Que Deus nos guie a relacionamentos como o de Salomão e Sulamita! Acompanhe esta série de postagens. Oro para que Deus acrescente à sua vida!

Até mais,
Cleison Brügger.
Leia mais...

 
Copyright 2009 Cleison Brügger | BLOG. Powered by Blogger Blogger Templates create by Deluxe Templates. WP by Masterplan