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17 de abril de 2012

Sacrifícios e sacerdotes: um estudo devocional de Levítico 6. 8-13

TEXTO: Levítico 6. 8-13

Este texto de Levítico fala, especificamente, sobre a lei do holocausto e como o sacerdote deveria fazer, se vestir ou ordenar o sacrificio sobre o altar. de fato, "toda a escritura é proveitosa" (II Tm. 3.16) e há para nós lições preciosas concernente à vida cristã.

O apóstolo Pedro dirá em sua primeira epístola que somos sacerdócio real (I Pe. 2.9). Isso quer dizer que nós apresentamos sacrificios a Deus. "Rogo-vos, pois, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm. 12.1). Tendo isso em mente, somos convidados a olhar para Levítico 6. 8-13 e tirar lições proveitosas de como deve ser nosso relacionamento com o Senhor:

"Dá ordem a Arão e seus filhos, dizendo: esta é a lei do holocausto: o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite, até pela manhã; e o fogo arderá nele" (Lv. 6.9)

É interessante perceber que enquanto Pedro nos apresenta como sacerdotes, ou aquele que ministra - "vóis sois sacerdócio real" (II Pe. 2.9), Paulo diz que somos o sacrificio e que nós mesmos nos apresentamos - "(...) que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradável a Deus" (Rm. 12.1). Isso diz de uma responsabilidade dupla: tanto o sacerdote como o sacrificio deveriam ser irrepreensiveis. Era uma ordem: o sacerdote deveria estar com suas vestes de linho fino (representando pureza, santificação), e o holocausto deveria ser sem mancha, ou seja, imaculado. Nós nem somos só sacerdotes que ofertamos sacrificios alheios, como também não somos apenas o sacrificio que será ofertado pela mão de outros. Somos a oferta e o ofertante! eu é quem me disponho para o Senhor como sacrificio. Sou eu quem deve queimar sobre o altar. Regozijemo-nos no Senhor!

Voltando para Levítivo 6.9, percebemos que a ordem dada era para que houvesse algo contínuo sobre o altar. O holocausto deveria queimar sobre o altar "toda a noite, até pela manhã", e o verbo, de igual modo, revela uma ação continua: "arderá". O fogo do altar arderá nele. Parece que estou vendo: noite a dentro, e lá está o sacrificio queimando; chega a manhãzinha, e as últimas fagulhas ainda estão lá. Você já viu uma fogueira quase se apagando? há muitas cinzas, mas se alguém mexer, decerto ainda sairá faiscas.
Há quanto tempo não 'ardemos' em oração no altar do Senhor durante uma noite inteira? muitos de nós oramos tão pouco e tão rápido, que quando terminamos, parece que conseguimos ouvir a voz de Jesus perguntando o que perguntou aos apóstolos, na noite do Getsêmani: "Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo?" (Mt. 26.40). Quantos valorizam mais tantas outras coisas do que seu Senhor. Pensam que travar batalhas na oração é enfadonho e não tão necessário assim. Alguns poderão dizer: se eu orar pela noite, acordarei cansado para o trabalho! Engano seu, pois é pela manhã que as misericórdias se renovam (Lm. 3. 21,22). "Os que confiam no Senhor renovarão as suas forças" (Is. 40.31).

Os versos 10 e 11 dão a seguinte ordem: o sacerdote deveria vestir sua veste de linho fino, levantar a cinza e pôr junto ao altar. Logo após, trocaria suas vestes e levaria as cinzas para fora do arraial. Eis uma pergunta para nós: com que vestes eu tenho ministrado o sacrificio? com quais vestes temos orado, nos encontrado com Deus?
Alguns chegam à presença de Deus com vestes farisaicas, cheias de brilhos e detalhes. Muitos vão orar, só para dizer a Deus o quanto são bons, bacanas, quão empenhados na igreja eles têm sido, e - pasmem! - tem gente que se considera tão santa, que vai contar pra Deus os pecados dos outros. A ordem é: troque suas vestes! "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx. 3.5). Na oração, devemos nos despir do eu, dos bens, de quem somos. O que importa é quem Ele é! devemos ir vestidos de panos de saco, e reconhecer nossa miséria, nossa pobreza, nossas injúrias e, neste fluir, reconhecer a grandeza, o poder, a majestade, a bondade e a santidade do Senhor. A cinza deve ser tirada, levada para fora do arraial, assim como as cinzas devem ser tiradas do coração através das palavras que saem pela boca. É na oração que somos renovados, diariamente. É aos pés de Cristo que deixamos quem somos para recebermos quem Ele é.

O verso 12 diz: "O fogo, pois, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele a cada manhã". Lembra que, na introdução, eu disse que somos tanto o sacerdote como o sacrificio? então, vejamos: o sacrificio arde no altar de noite, até pela manhã (e o sacrificio somos nós), e quando chega a manhã, o sacerdote acenderá lenha (e o sacerdote também somos nós), a cada manhã (isto é, todos os dias). Se isto tem lições para nós, decerto quer nos ensinar sobre uma real vida com Deus. "Quando acordo, ainda estou contigo" (Sl. 139.16). "Por Ti estou esperando todos os dias" (Sl. 25.5). Oh, que o Senhor faça nascer em nós o mesmo desejo de Davi no Salmo 42: "Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" (Sl. 42.1-2). De fato, "O Senhor mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida" (Sl. 42.8). Estar com o Senhor nunca é enfadonho ou intediante! "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Ninguém oferece mais que o Senhor!

A ordem era para que o sacerdote acendesse lenha a cada manhã, pois só assim "o fogo arderá continuamente sobre o altar, e não se apagará" (Lv. 6.13). O que nos tem impedido de acendermos a lenha diariamente? os afazeres, a correria do dia-a-dia, o trabalho, o sono? não seja como Marta, que atarefada com as coisas, negligenciou a presença de Jesus. Que tenhamos o espírito de Maria, que soube o que era bom naquele momento, que sabia o que importava. Jesus disse: "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc. 10. 38-42). Se alguém quer que uma fogueira continue com o seu fogo, dará lenha a fogueira. De igual modo, que possamos ter, a cada novo dia, fogo ardendo continuamente sobre o altar, o sacrificio ardendo de noite, até pela manhã. "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef. 5.18). Nisto consiste uma vida cristã ardente e vibrante: nossos encontros com o Senhor não são semanais e efêmeros, mas diários, intensos, noite a dentro e logo de manhãzinha. Temos fome do Altíssimo! Amamos o Senhor! Temos o compromisso de acender lenha pela manhã e queimar como sacrificio de noite, até pela manhã. Oh, que o amor e a graça de Deus nos conduza a isto.

Cleison Brugger

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